<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975</id><updated>2012-01-29T17:01:48.827Z</updated><title type='text'>O rei vai nu</title><subtitle type='html'>Crónicas de Repúdio</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>45</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-2744468277743098488</id><published>2008-07-23T00:00:00.004+01:00</published><updated>2008-07-27T12:04:06.618+01:00</updated><title type='text'>45.A derrota do vilão, a vitória do herói (6)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Gostaria de vos anunciar a derrota do vilão e a vitória do herói, de dar-vos essa esperança e essa certeza. Gostaria de vos prometer que o vilão, mais tarde ou mais cedo, acabará por se afogar no lamaçal que ele próprio cultivou, que acabará por provar o sabor das poções que tão maquiavelicamente engendrou para envenenar o herói. Gostaria de vos garantir que o universo conspira a favor dos bons e que a força das coisas é sempre positiva favorecendo o herói. Mas não posso. Nada disso vos posso anunciar, prometer ou garantir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o fizesse era como o vilão, mentiroso e cobarde. A verdade é difícil e não é para os frouxos e indecisos. E se o fizesse, para além de mentiroso e cobarde, a História se encarregaria de me contradizer. A História diz-nos que nem sempre há heróis, ou que eles tardam, ou ainda que apesar da sua heroicidade nem sempre vencem, acabando muitas vezes vencidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O drama reside no tempo, na duração do reinado do mal, no desgaste que provoca no povo e na nação. Se for longo contai com os momentos em que tudo parece perdido e a libertação uma mera miragem, contai que nesses momentos o povo entrará em depressão, deixará de esperar, deixará de acreditar, deixar-se-á vergar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existe nenhuma promessa ou garantia de que o bem triunfe sobre o mal, e sabendo isso o vilão inventou a mais perigosa das suas armas: a esperança. A esperança atrasa o homem. A esperança pode converter-se no pior inimigo do herói, se lhe for exterior, mais ainda do que o próprio vilão. A esperança que vem de fora, que conta com o nenhures algures, é oca e abstracta, é a desistência do homem, é a fuga da realidade para o subjectivo. Quando morreu a esperança comecei a viver, até aí vivia da esperança. Sei que isto é novo e é duro, mas é a verdade. “O tempo não se ocupa em realizar as nossas esperanças: faz o seu trabalho e voa.” (Eurípedes) Não é a esperança que realiza o teu trabalho, é o teu trabalho que fundamenta a esperança. É preciso, é crítico e imprescindível, que o herói não espere, que não conte com a esperança, mas que a faça, que a construa em cada momento, dia a dia. Assim haverá esperança! E é desta esperança, mas só desta, não suspiro mas suor, que sairá a vitória.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-2744468277743098488?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/2744468277743098488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/2744468277743098488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/07/45a-derrota-do-vilo-vitria-do-heri.html' title='45.A derrota do vilão, a vitória do herói (6)'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-1562675683872867083</id><published>2008-07-19T00:00:00.000+01:00</published><updated>2008-07-27T11:49:23.021+01:00</updated><title type='text'>44.D.Afonso Henriques - Fernando Pessoa</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Pai, foste cavaleiro. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Hoje a vigília é nossa. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Dá-nos o exemplo inteiro &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;E a tua inteira força!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá, contra a hora em que, errada,&lt;br /&gt;Novos infiéis vençam, &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;A bênção como espada, &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;A espada como bênção! &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a name="11"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-1562675683872867083?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/1562675683872867083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/1562675683872867083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/07/44dafonso-henriques-fernando-pessoa.html' title='44.D.Afonso Henriques - Fernando Pessoa'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-3093176925354892866</id><published>2008-07-16T00:00:00.001+01:00</published><updated>2008-07-14T11:34:18.195+01:00</updated><title type='text'>43.Duas faces da mesma moeda - 2.Alta corrupção</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;E quanto mais se afunda a democracia mais emerge a corrupção. Há assim uma equação em que a corrupção é inversamente proporcional à democracia – quanto mais corrupção, menos democracia – até que chega o momento em que o sistema, por razões de coerência, honra lhe seja feita, muda de nome, para um título mais a condizer com a sua personalidade, aparência e índole: de demo cracia para corrupto cracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já lá vão mais de três décadas de regime e a corrupção alastra e aumenta, é um modo &lt;em&gt;dandy&lt;/em&gt; de viver em sociedade, como diria Eça de Queiroz, ou talvez, é o modo &lt;em&gt;dandy&lt;/em&gt; de se ser político e, ou, capitão de indústria, e não seria correcto dizer-se que o regime é completamente incapaz de lhe por cobro, mas antes que o regime não tem qualquer interesse em pôr-lhe cobro, já que nela, corrupção, joga a sua sobrevivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há o medo de que a corrupção seja uma ameaça à democracia. Vêm atrasados. De facto a corrupção foi em tempos idos uma ameaça à democracia, depois foi deixada intencionalmente fora de controlo e durante décadas foi contaminando como doença difusa consumindo lenta mas inexoravelmente o país e a sociedade portuguesa, hoje é uma realidades institucional que arrasa, domina e substitui-se à democracia. Já o referimos: &lt;em&gt;corruptocracia&lt;/em&gt;, só que há muitos de compreensão lenta… Há quem diga que é invisível. Só para os de olhar lento. Descobre-se em cada noticiário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a números, como se houvesse números, a pseudo estatística é assim: primeiro, a maioria dos casos não são detectados, segundo, da maioria dos casos detectados, cerca de três quartos, apesar da instrução dos correspondentes processos-crime de corrupção, não chega sequer a tribunal, não passa da fase de inquérito, inquérito e arquivo, é o próprio ministério da justiça que o reconhece, terceiro, os detectados duplicaram na última década, quarto, dos chegados a tribunal uma quantidade apreciável morrem no meio das montanhas de papel, à espera da produção da melhor prova, ou arrastando-se de recursos em recurso até à prescrição, quinto, a esmagadora maioria dos ditos cujos envolve personalidades do mundo político e empresarial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Transparency Internacional (ONG – Organização Não Governamental) vem-nos dar a novidade de que em Portugal a corrupção no universo dos políticos e funcionários públicos aumentou. Já sabíamos. Apresenta um índice que denuncia o aproveitamento do serviço público em causa própria, quer dizer, abuso em benefício particular; são subornos a funcionários públicos, incluindo nestes os políticos, pagamentos por fora nas contratações do estado etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A OCDE (…) declara no seu relatório referente a 2007: “é insuficiente a luta que Portugal tem travado contra a corrupção”. Outra reprimenda que vem de fora para nossa vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A GRECO (Grupo de Estados Contra a Corrupção) diz: “falta de uma estratégia de combate à corrupção e dos meios necessários, materiais, financeiros e humanos (…) Do número de casos registados, poucos são os que chegam à fase de julgamento (…) Nos últimos anos, numerosos processos foram abertos contra ministros, sindicalistas, autarcas, empresários, etc. Muitos destes casos tiveram que ser arquivados devido a prescrição, pois um dos problemas com os crimes de colarinho branco é o de certos advogados utilizarem o actual sistema, o qual permite contestar durante o desenrolar da instrução, cada acto individual do juiz de instrução, bem como os recursos ao nível do Tribunal Constitucional, que não suspendem o prazo de prescrição”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria José Morgado (Procuradora-geral adjunta e directora do DIAP de Lisboa - Departamento de Investigação e Acção Penal) diz: “(…) o combate à corrupção em Portugal está, e há-de continuar a estar paralisado, por força da própria corrupção de alguns poderes públicos, da incapacidade conjuntural do MP para a detecção e combate do fenómeno e duma inevitável estratégia de combate ao crime que, por razões várias, ignora imprudentemente o problema-corrupção (…) Os processos penais deveriam ser mais cirúrgicos, o Ministério Público deveria ter formação específica no crime económico e os julgamentos deviam ser realizados em tempo razoável (…) Há casos que se arrastaram durante dez anos em recursos sucessivos nos tribunais superiores, fazendo com que o excesso de garantias seja tão mau como a falta delas, pois ambas conduzem à impunidade. (…) Estamos a falar de uma criminalidade muito específica e muito «resistente» às instâncias penais”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marinho Pinto (Bastonário da Ordem dos Advogados) diz: “existe em Portugal uma criminalidade muito importante, do mais nocivo para o Estado e para a sociedade, e andam por aí alguns impunemente a exibir os benefícios e os lucros dessa criminalidade, sem haver mecanismos para lhes tocar. Alguns até ocupam cargos relevantes no aparelho do Estado português, ostensivamente”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria José Morgado aprova as declarações do Bastonário: “merecem o respeito das denúncias corajosas, pois as práticas corruptivas ao mais alto nível de Estado corroem a democracia e desacreditam as instituições – capturam as próprias funções do Estado, colocando-as ao serviço de interesses particulares”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Cravinho (ex-deputado socialista) diz: “ a maior corrupção é a corrupção de Estado, é a que envolve os maiores valores e implica a submissão dos interesses públicos aos privados (…) A corrupção de Estado só é possível pela conivência de quem tem um alto poder”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniel Kaufmann (director dos Programas Globais do Instituto do Banco Mundial) garante: “a diminuição da corrupção poderia pôr Portugal na senda do desenvolvimento, ao mesmo nível da Finlândia (…) A corrupção acaba por resultar numa desproporção para as famílias com menores rendimentos: pagam mais impostos do que deveriam, e parte dos seus rendimentos são gastos em «subornos» para terem acesso aos serviços públicos. Numa estimativa, as transacções mundiais são «manchadas» pela corrupção em perto de um trilião de dólares”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos dizem. São muitos a dizer. Raramente se encontra tanta concordância sobre um mesmo assunto e assunto tão grave. Não há polémica. A verdade não se discute!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui à internet, escrevi a palavra corrupção, seleccionei “Páginas em Portugal” e em 0,30 segundos apareceram-me 759.000 (…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho que acrescentar mais três frases: “Talvez convenha perceber duas coisas sobre a corrupção. Primeira, onde há poder, há corrupção. E onde há pobreza, há mais corrupção. Destes dois truísmos resulta necessariamente que quanto maior é o poder ou a pobreza, maior é a corrupção”. (Vasco Pulido Valente / Público) - “Muita coisa que pode ser feita contra a corrupção e os seus caminhos não precisa de novas leis, nem de polícias, nem tribunais, precisa de políticos que se incomodem com o que vêem e que actuem politicamente”. (Pacheco Pereira / Sábado) – “A capacidade de combater a corrupção é um aspecto da auto-regeneração da democracia”. (Luís Salgado de Matos / Público).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que alguém, que não os próprios, ainda duvida que a corrupção não é um caso de polícia mas um caso de política? Mude-se a política, mudem-se os políticos, mas mude-se o regime, e a corrupção mudará.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-3093176925354892866?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/3093176925354892866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/3093176925354892866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/07/43duas-faces-da-mesma-moeda-2alta.html' title='43.Duas faces da mesma moeda - 2.Alta corrupção'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-4942917910547761067</id><published>2008-07-12T00:00:00.005+01:00</published><updated>2008-07-14T11:19:58.023+01:00</updated><title type='text'>42.Duas faces da mesma moeda - 1.Baixa democracia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A democracia portuguesa é das piores da Europa diz a Demos (ONG – Organização Não Governamental) que tem por missão “"pôr a ideia democrática em prática". Investigaram, estudaram e chegaram aquela brilhante conclusão e a conclusão está certa só que nós, por esta latitude e longitude, já o sabíamos, somos viajados, e de que maneira, bastava perguntar-nos. E depois aquela ONG apresenta um gráfico chamado "Everyday democracy index" e lá vem Portugal na cauda. Foi notícia durante uns dias na imprensa portuguesa. Houve risos sarcásticos «eu bem te disse…» e choros tristes «aonde é que isto vai parar…» Passados pouco tempo tudo normal, que o povo não gosta de infelicidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa é a orgânica – a estrutura formal da democracia – outra coisa é a democracia propriamente dita, isto é, a vivência democrática &lt;em&gt;de factu&lt;/em&gt; e não &lt;em&gt;de jure.&lt;/em&gt; A democracia teórica não interessa para nada, letra morta em papel esquecido, tipo pergaminho bolorento perdido no entulho, só interessa a democracia prática, a democracia que se vive, que se respira, que se sente, que se cumpre, e a democracia formal que temos em nada corresponde à democracia quotidiana que vivemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela orgânica vemos coisas, sistemas e instituições, que de fachada são todas mais ou menos parecidas, mais desenho menos desenho, mais figura menos figura, mais órgão menos órgão, pela real vemos pessoas, cultura e atitudes e aqui é que &lt;em&gt;a porca torce o rabo&lt;/em&gt;. Também já o sabíamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à cultura faltam cidadania e responsabilização, e quanto à atitude faltam empenho e participação, quando ambas, cultura e atitude, deveriam constituir o substrato da verdadeira democracia, seu fundamento e orientação, e deveriam a partir da prática inspirar a teoria. A teoria democrática existe para servir a prática democrática e não ao contrário. E porque é que faltam cultura e atitude? Porque falha o exemplo e o enquadramento!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que está &lt;em&gt;em cima&lt;/em&gt; dá péssimo exemplo de cultura e atitude, o que está &lt;em&gt;em baixo&lt;/em&gt; imita-o; o que está &lt;em&gt;em cima&lt;/em&gt; é prepotente, o que está &lt;em&gt;em baixo&lt;/em&gt; desenrasca-se como pode, não tem nada que saber, é a lei do exemplo. É claro que há filhas sóbrias de mães bêbadas, e filhos honestos de pais gatunos, que o pecado ou o crime dos outros não justificam os nossos, mas uma coisa é falar da responsabilidade e consciência individuais, outra coisa é falar do estado ético e anímico do povo. Não sejamos irrealistas, se os governantes são maus e se o seu exemplo é péssimo é esse o enquadramento que o povo tem e será essa a moral que alastra e domina. O resto são cantigas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer-se a decência? Então que se comece por cima pelo exemplo da decência. Quer-se mais democracia e menos corrupção? Então que se comece por cima pelo exemplo da democracia e da integridade. Que se comece sempre por cima porque é de cima que deve vir o bom exemplo e não se faça do povo bode expiatório do pecado e do crime que de cima lhe cai. E se o exemplo for bom, bom será o enquadramento, e sendo bom o enquadramento, bom será o povo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-4942917910547761067?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/4942917910547761067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/4942917910547761067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/07/42duas-faces-da-mesma-moeda-1baixa.html' title='42.Duas faces da mesma moeda - 1.Baixa democracia'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-1115329818530683074</id><published>2008-07-09T00:00:00.000+01:00</published><updated>2008-07-09T20:24:04.670+01:00</updated><title type='text'>41.Vencer o Herói (5)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O vilão para realizar a sua ganância tem que vencer o herói, para isso se preparou, por isso se profissionalizou. Síndroma e demanda justificam-se uma à outra e convergem. Quanto mais poder, menos povo, ou dito de outra forma, poder à custa e contra o povo. Quando se quer servir o povo não se busca o poder pelo poder, este é uma consequência benévola e um fardo, e não um fim em si, malévolo e um troféu, é um serviço e uma missão, não um interesse e uma retribuição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o vilão o povo não é sujeito, é objecto, não existe para ser servido, mas para dele se servir e com esta mente e visão e este coração e obsessão vai empenhar-se na luta contra o herói, com estratégia e táctica. Leva consigo um plano de combate, minucioso e exaustivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro, ofuscar, embotar e cegar.&lt;br /&gt;É a época do embala, programa de governo e muitas juras. Tudo é possível, tudo se promete. O povo diz: &lt;em&gt;muita areia para os olhos&lt;/em&gt;, mas o que é certo é que deixa-se ir na canção do bandido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo, humilhar, acabrunhar, curvar e avassalar.&lt;br /&gt;Afinal não era bem assim, chega a realidade e está tudo como dantes. O bom do Zé é apanhado na teia prepotente da burocracia pública, vemo-lo de boina na mão de cá para lá a pedir &lt;em&gt;por amor de Deus faça-me lá esse jeitinho&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terceiro, dominar, subjugar, sujeitar e submeter.&lt;br /&gt;E olhado pelo governo como pessoa de má fé, o homem é mau por natureza, etc. há que prevenir que nunca se sabe, etc. é vítima de legislação estúpida que o trata como estúpido, anacrónica que o trata como atrasado, contraditória que o trata como bruxo, feita em cima dos joelhos pelos boys dos partidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarto, docilizar, amansar, domar e domesticar.&lt;br /&gt;O governo esperto, mas só para os incautos, acena com maços de articulados, quanto maiores e mais pesados mais valiosos, a que chama de reformas, mais uma mãozada de areia para os olhos, mais um enxerto na manta de retalhos, desbotada e puída, a esfacelar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quinto, abafar, amordaçar, calar, coarctar, coibir e reprimir.&lt;br /&gt;E ai do verdadeiro, íntegro, competente e corajoso que se levante e denuncie, o rei vai nu! Logo se lhe trata da saúde, ou pela difamação, ou pelo fisco. O sistema não pode tolerar tais aves raras. Mas a quando dos seus próprios escândalos e broncas o governo tem uma palavra que safa tudo: inquérito. Abrem-se muitos, fecham-se poucos. Afinal vivemos na realidade e está tudo como dantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sexto, manietar, aprisionar, algemar, acorrentar e agrilhoar.&lt;br /&gt;O bom do Zé sente-se completamente impotente e não enxerga onde está a democracia. Quer participar mas é posto de fora. Entretanto o governo em vez da polícia política, &lt;em&gt;demodé&lt;/em&gt;, usa a polícia fiscal, &lt;em&gt;à la carte&lt;/em&gt;, em vez da segurança do estado evoca a insegurança do deficit, a partir daí inventam-se, duplicam-se e multiplicam-se impostos e multas, taxas e coimas, tributos e juros etc. e penhoras, penhoras e penhoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sétimo, debelar, desbaratar e abater.&lt;br /&gt;Mente às empresas, quase sempre às pequenas, contrata e não paga, é caloteiro, não se sabe o que faz dos fundos comunitários, fomenta o desemprego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E finalmente vencendo, escravizar ou aniquilar.&lt;br /&gt;É a falência das empresas, só no primeiro trimestre foram treze mil, lança multidões para a sopa dos pobres,  forja um Portugal desesperado por baixo do verniz da mentira.&lt;br /&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-1115329818530683074?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/1115329818530683074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/1115329818530683074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/07/41vencer-o-heri-5.html' title='41.Vencer o Herói (5)'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-3149780605055335801</id><published>2008-07-05T00:00:00.001+01:00</published><updated>2008-07-16T20:38:45.532+01:00</updated><title type='text'>40.Direitos Humanos e Tribunais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados, diz em entrevista no canal de televisão SIC Notícias, sem hesitação, directa e frontalmente, que os lugares em Portugal onde os direitos humanos são mais violados são os tribunais. Está gravado, é só questão de rebobinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Bastonário é assim como o Presidente da dita Ordem, não é propriamente alguém que ia a passar pelos corredores dos estúdios daquele canal e foi filado por lotaria para um inquérito de opinião, representando portanto um juízo douto, experiente de lides e conhecedora de causas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora esta afirmação, vindo de quem vem e recaindo sobre quem recai, é gravíssima, quanto ao seu significado e alcance, não havendo enviusamento possível por mais tortos que sejam os olhos, ou mais acerados que estejam os ouvidos. Tribunais só podem significar uma de duas coisas, se bem que comadres e entrançadas, ou a justiça, coisa abstracta, ou os juízes, coisa concreta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a gravidade, gravíssima, é que pelo menos umas das duas, a justiça ou os juízes, violam os direitos humanos, ou cada uma à sua vez, ou as duas de uma assentada e sendo comadres e entrançadas vá-se lá saber onde uma começa e a outra acaba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não nos afastemos em elucubrações da simplicidade eloquente daquela denúncia, já que ela é suficientemente eloquente por si própria, simples e fácil de perceber, não precisando de explicações ou aprofundamentos. O que interessa reter é que quando uma afirmação ou acusação deste tipo é produzida pelo patrono dos patronos num estado que se diz de direito muito haverá que endireitar pois de direito não tem nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui das duas uma, ou achamos muito bem como está - os lugares em Portugal onde os direitos humanos são mais violados são os tribunais – e é só preciso mudar o nome do estado e do regime, podendo sempre ir buscar inspiração a uma ditadura do quinto mundo, ou talvez sexto, ou então reformamos, melhor dizendo, revolucionamos, a justiça e os juízes, que sendo comadres é melhor tratar dos dois de uma assentada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isto se passava em Lisboa, Noronha Nascimento, Presidente do Supremo Tribunal de Justiça – hesitei entre escrever as iniciais com letra grande ou pequena e acabei por cometer um erro de semântica – deslocava-se a Santa Maria da Feira – por coincidência na mesma sexta-feira de Junho do evento anterior – para solidarizar-se, palavra sua, com o fecho do tribunal local, provisoriamente instalado num pavilhão, assim parecia na reportagem da televisão pelas altas vigas e tectos, justificando esse fecho pela falta de condições. «Não há qualidade». São as suas palavras que retive da transmissão. Também se pode rebobinar para confirmar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei muito contente, um encher de pulmão e um brado de louvor, apressando-me logo a solidarizar-me, para usar a mesma e sua palavra, com o Exmo. Senhor Juiz Conselheiro na sua determinação de, não havendo condições, referindo-se seguramente à qualidade da justiça e dos juízes, aferrolhar o tribunal. Pois muito bem, se não têm qualidade nem a justiça nem os juízes que se interdite o estabelecimento. Não posso estar mais de acordo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homem de tão grande quilate, douto, experiente de lides e conhecedor de causas, como adjectivei o Bastonário, não iria com toda a certeza inquietar-se com ninharias como a cor das paredes, a altura do tecto, o desenho do mobiliário ou afins, coisas de forma e do corpo, mas teria, isso sim, o olhar elevado, já o advínhamos com magnitude, para coisas de conteúdo e do espírito. Afinal esse é o reino da justiça, da ética, da moral, dos valores e dos princípios e não as estantes, os ficheiros, as secretárias, as cadeiras e os afins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, de repente, tive um pressentimento: teria o Presidente do Supremo Tribunal ouvido nesse mesmo dia a grave acusação do Bastonário da Ordem dos Advogados e fazendo jus à sua posição e responsabilidade iniciado, homem sábio e valoroso, o saneamento dos tribunais, justiça e juízes, na demanda de endireita do estado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim persuadido sosseguei. São destes homens, de visão profunda e ampla, que precisamos em tão altos cargos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-3149780605055335801?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/3149780605055335801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/3149780605055335801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/07/40direitos-humanos-e-tribunais.html' title='40.Direitos Humanos e Tribunais'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-8704726395505338807</id><published>2008-07-02T00:00:00.002+01:00</published><updated>2008-07-04T23:08:30.309+01:00</updated><title type='text'>39.Porque corre o vilão? (4)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Haveria de fazer-se uma psicanálise ao vilão, à legião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro separando-os por caras, qualidades, afilhados conexos, etc. depois isolando-os um a um, em sala individual, de preferência bem ventilada, a seguir juntando-os em grupos, primeiro segundo critério de afinidades, depois aleatoriamente, e isto tudo muito bem feito, conforme método científico reconhecido, mobilizando os recursos financeiros, técnicos e humanos necessários a tão relevante investigação, obtendo inclusive o concurso de especialistas de renome, estrangeiros e bem pagos, e então, colher os dados, revê-los e revirá-los, sistematizá-los, dar-lhes lógica, por fim informatizá-los, encher toneladas de dvds dessa preciosa informação, utilíssima para todas as gerações, incluindo as vindouras, nada descuidando, nada relegando, e depois, uma vez o trabalho conscienciosamente concluído, com esmero, pronto e prestes à grande revelação, erguer em monumento a pilha gigantesca obtida, e deitar-lhe fogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque já se conhece a patologia, basta para isso perguntar ao povo, que nestas coisas é cientista. O vilão tem um síndroma já homologado que se chama sofreguidão de ganância de poder, quer mais, sempre mais, corre desenfreadamente por uma sofreguidão de ganância de poder. Coitado está sempre insatisfeito, já lá dizia Buda: “o desejo é a raiz de todo o sofrimento”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algures, um progenitor, um mentor, um estupor, conspurcou-o com a febre do poder e desde então não pensa, não sente outra coisa, entranhas cheias palpitantes de mando, de sucesso, de prestígio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inicia-se, estuda e aprende, Urdiduras e Teceduras, Tramas e Teias, decora e guarda, concluiu o tirocínio; prossegue, medita e assimila, Manobras e Estratagemas, Enredos e Intrigas, fixa e retém; continua, descobre e compreende, Maquinações e Conspirações, Conjurações e Fabricações, Conluios e Traições, regista e arquiva; ascende, industria-se e pratica, Ciladas e Emboscadas, Armadilhas e Ardis, Artimanhas e Artifícios, está quase um mestre de política; concluiu, Arrioscas e Aleivosias, Felonias e Insídias, temos vilão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudioso aprimorado, discipulado excelente, diplomado com distinção. Inscreveu-se cedo no partido, leu Maquiavel e afins, educou habilidades, desenvolveu qualidades, forjou o carácter, temos vilão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto por culpa do síndroma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-8704726395505338807?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/8704726395505338807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/8704726395505338807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/07/39porque-corre-o-vilo-4.html' title='39.Porque corre o vilão? (4)'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-8837905912231021836</id><published>2008-06-28T00:00:00.001+01:00</published><updated>2008-07-09T20:19:00.384+01:00</updated><title type='text'>38.A quinta qualidade da inconsciência de o ser (3)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Há uma quinta qualidade curiosa que se junta às quatro primeiras na formação do carácter do vilão. É a inconsciência de o ser. O vilão tem esta característica peculiar que é a de não ter consciência de que é vilão. Quando se olha empertigado ao espelho só se vê estrela de telenovela, não vê nem o carácter, nem as qualidades e muito menos as afilhadas, só vê estrela! Espelho mágico, diz-me qual é entre todos os belos o mais belo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paradoxo interessante de ser tão vilão e não saber que se é, de ter tantas máculas e não saber que se tem, o que se explica por um fenómeno chamado &lt;strong&gt;perda de lucidez&lt;/strong&gt; e que ocorre quando entra no sistema ou sobe ao poder. Ele até pode não ser um mentiroso compulsivo, ou um corrupto arreigado, ou um incompetente inveterado, ou um cobarde endémico, mas torna-se nisso tudo quando entra no sistema ou sobe ao poder, e quando os outros, os de fora ou de baixo, o chamam de vilão, falho de carácter e farto de pecados, fica muito indignado e ofendido, como se o difamassem injustamente, quando apenas, esses sim, são exemplo de lucidez, pois o facto de o rei ir em pelota não lhes acanha a vista. Então a culpa é do sistema? Não, a culpa é do vilão, legião, que faz o sistema que o faz a si, aconchega o corpo na cama que o há-de aconchegar, num jogo voluntarioso de promiscuidades perpétuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se um dia porém o apanharmos de parte, o subtrairmos às más influências, no recato de um sofá e de uma lareira, onde não haja espelhos, ou de uma mesa recôndita num café discreto e sossegado, onde não hajam mirones, e ele se sinta simples, anónimo, sem ter que provar ao progenitor, mentor, ou estupor, até vai parecer uma pessoa normal, com laivos de bom senso, ideias razoáveis, sentimentos equilibrados, mas depois, logo que se escorra e se enfie, se apadrinhe e se promíscua, esquece-se de tudo completamente, muda de personalidade e volta à vida, ao carácter, às qualidades e às afilhadas do vilão. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Era preciso trazê-lo sempre à trela, nos bons princípios e convivências, afastá-lo das más companhias, que são tentação e perdição, mas convenhamos, que sendo já um homenzinho não só pareceria mal como cada um de nós já tem os seus que cuidar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é que a inconsciência, pela perda de lucidez, a ninguém ilibe e muito menos ao homem público; a inconsciência é a irresponsabilidade. O homem quer-se responsável, condição básica da sua racionalidade e ao político são exigidas, razão e responsabilidade acrescidas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-8837905912231021836?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/8837905912231021836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/8837905912231021836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/07/39a-quinta-qualidade-da-inconscincia-de.html' title='38.A quinta qualidade da inconsciência de o ser (3)'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-7966167282969967267</id><published>2008-06-25T00:00:00.001+01:00</published><updated>2008-07-09T20:17:37.069+01:00</updated><title type='text'>37.As quatro qualidades do vilão e o cortejo de afilhadas (2)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O vilão compõe o seu carácter de quatro qualidades principais e um cortejo de afilhadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É &lt;strong&gt;mentiroso&lt;/strong&gt;, mas de uma maneira enviusada – nem na mentira usa o olhar de frente, mente de lado – conforme as voltas e reviravoltas a dar para sair do labirinto onde se enfiou; rebuscada – imaginação e pretextos não escasseiam – conforme a largura e comprimento da manobra necessária ao engano; alternante – às vezes troca tanto que se troca - conforme a novidade da circunstância e a memória dos fregueses. No cortejo do mentiroso atropelam-se excitadas, a falsidade, a hipocrisia, o cinismo, a aldrabice, a intrujice, a torpeza, o despudor e o descaramento, estes vão nus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É &lt;strong&gt;corrupto,&lt;/strong&gt; não sagra o princípio, não absolutiza o valor, mas vende-se ao interesse e relativiza a verdade. É de circunstância, nem preto, nem branco, a modos que cinzento escorregadio, é uma cana ao vento. Na comitiva do corrupto apinham-se histéricas, a vigarice, a trafulhice, a falcatrua, a trapaça, o logro, o embuste, a burla e a fraude. São tantas que perde-se-lhes a cauda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Se falho de musa adjectivante, acendo a televisão, olho para eles, e logo a inspiração vem a golfadas.)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;É &lt;strong&gt;incompetente&lt;/strong&gt;, não sabe fazer, nunca fez, chegou lá por portas travessas, compadrios, clubes e derivados, e por lá se mantém graças a uma coisa que se chama confiança política e que em linguagem comum, simples, terra a terra, significa pacto de malfeitores – também há a expressão popular lei da rolha, ou para a cosa nostra, lei da omerta -. Na corte do incompetente banqueteiam-se impávidos, os básicos, os nabos, os broncos, os toscos, os empatas e os penduras como figurinhas de primeiro plano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É &lt;strong&gt;cobarde&lt;/strong&gt;, pois tudo o que faz, que não faz, é politicamente correcto e não sai como a mula doméstica da correnteza dos varais sob pena de, sendo incorrecto ou descabido, ver-se flagelado, primeira instância, ou expelido sem recurso, pelo sistema, que tem um pavor de morte destas desestabilizações anti-democráticas, que a liberdade é uniforme. No séquito do cobarde disfarçam-se medrosos, os esguios e os escorregadios, os untuosos, os atados, os moles, os frouxos e a fechar os maricas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-7966167282969967267?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/7966167282969967267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/7966167282969967267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/06/38as-quatro-qualidades-do-vilo-e-o.html' title='37.As quatro qualidades do vilão e o cortejo de afilhadas (2)'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-4819645657113351364</id><published>2008-06-21T00:00:00.002+01:00</published><updated>2008-07-09T20:16:20.449+01:00</updated><title type='text'>36.O vilão é uma legião (1)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O vilão é uma legião, já o fora o diabo e os demónios, compridíssima e caleidoscópica, de inúmeras caras, desde a mais esbranquiçada, falta-lhe o sangue e a gana, à vermelhona, transbordando de humores, passando pela rosácea, aduladora ou manteigueira. Ao natural são todas insanas, mas tratadas não se descortina a treta, escondem-na na cosmética, nos &lt;em&gt;liftings&lt;/em&gt; e sobretudo nas máscaras, mais práticas, facilmente descartáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De resto, uma das particularidades do vilão é esconder-se e para isso reportório e artimanha não lhe faltam. Esconde-se atrás da política, da palavra e da promessa, esconde-se atrás do partido, esconde-se atrás da instituição e do cargo, esconde-se atrás da crise e destas vão-se inventando na variedade e gravidade recomendáveis, conforme o desenrasque urgir e a ingenuidade do povo permitir. É um &lt;em&gt;escondidão&lt;/em&gt;. Fez do jogo das escondidas uma arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vilão é o político, por estes tempos e locais ocidentais, é a legião que forma a classe política, ovelha e rebanho ranhosos da nação, e vai desde aprendiz tenro a veterano musculado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-4819645657113351364?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/4819645657113351364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/4819645657113351364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/06/37o-vilo-uma-legio.html' title='36.O vilão é uma legião (1)'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-3543262380828929341</id><published>2008-06-18T00:00:00.000+01:00</published><updated>2008-07-03T12:33:52.678+01:00</updated><title type='text'>35.Sofrimento mínimo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O homem não se cansa de descobrir coisa novas e ainda bem, foi para isso que foi feito, ou que se faz, razão e compreensão dão-lhe um estatuto ímpar na natureza, diria numa frase com pompa: a descoberta engrandece e enobrece o homem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ciência porém esclareceu recentemente que afinal o homem não é, a seu modo, ímpar, isto é, singular, na animalidade terrena, mas existe outro igualmente ímpar, a seu modo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há de facto um bicho que não tem cérebro, mas que apesar de tudo vive, que não tem sentidos, mas que apesar de tudo diferencia o verde dos campos do vermelho do sangue, ouve o chocalho distintamente da corneta, atrai-o o perfume da comadre, repudia o da burra, sente uma festa, mesmo que não reconheça se de amizade se de fingimento, ou uma mosca que o irrite e por isso a enxota, saboreia a contento a erva fresca, cospe sem engano o excremento, mas que e finalmente não tem dor! E isto é ímpar! Um animal sem dor e por isso sem cérebro, mas que apesar de tudo vive e ainda por cima tem todos os sentidos em ordem! Milagre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o touro, em tudo igual aos outros animais menos na dor! Único, inclusive contando com o humano, que bem sabe o que é doer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas estou na dúvida, não sei se esta descoberta cabe melhor na ciência se na cultura, e ainda tenho outra, não sei se é maior o animal - aqui já emprego o termo no sentido pejorativo de besta – que espeta, se o espetado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se decidir a favor do que espeta perco todo o respeito por mim próprio, eu que me julgava homo sapiens, orgulho da criação e ou evolução, sou afinal uma coisa triste, uma bicheza inferior, se decidir a favor do que é espetado os biólogos haverão de dizer que sou um ignorante…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando publiquei no blog o manifesto do Silva Garcia contra as touradas o António reagiu, mal e depressa, por e-mail: «Discordo profundamente desse senhor! Tenho uma dúzia de bons argumentos a favor da tourada à portuguesa (sofrimento mínimo, bandarilhas de plástico…). Essa ideia pertence à doentia corrente “urbano-depressiva” contra o saudável ruralismo. É a cidade contra o Campo. Da próxima vez que falar contigo hei-de comparar a tourada ao futebol…»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respondi-lhe logo: «e da próxima vez que estiver contigo hei-de perguntar-te, pois morro de aprender, o que é que tu entendes por sofrimento mínimo, e enquanto te pergunto vou-te torcendo uma orelha a princípio com moderação continuando mesmo depois de começares a berrar até fazer um bocadinho de sangue, sim porque tens de deitar umas gotinhas que sejam, senão não vale, ou então levo uma agulha e começo a picar-te ao princípio ao de leve continuando mesmo depois de começares a gritar até brotar o vermelhinho. Tens de me explicar o que é isso do sofrimento mínimo. Talvez tenhas uma régua, régua não que é muito arcaico, mas um sensor electrónico, que eu, ignaro, desconheça, para por nos touros e que eles possam accionar por vontade como quem diz «eh pá! não exageres que já estás a magoar!»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei uma linha, que gosto de separar os assuntos, cada um à sua vez, e continuei: «e depois chamas-me urbano-depressivo, vou-te pedir explicações…, e a cidade contra o campo, eu que adoro o campo e detesto a cidade! Mas o que é que uma coisa tem a ver com outra? Então para gostar do campo é preciso gostar de touradas? Quando for para o campo tenho que me munir de espada, bandarilhas e capote e andar atrás dos touros a ferrá-los – devia ser bonito, escorregava na primeira bosta e lá me ía - senão sou mal visto, mal recebido, escorraçado, como um estranho, como um inimigo, melhor dizendo, como urbano-depressivo? Bom, se os teus onze argumentos restantes, apenas prometidos mas não entregues, são do mesmo quilate, devem seguramente constituir erudita enciclopédia».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é um daqueles assuntos de juízo tão óbvio que chega a ser difícil arguir, é um paradoxo, eu sei, mas quando a evidência é tão manifesta, tão visível e clara, mesmo descarada, não conseguimos perceber como é que o outro não vê, e perplexos dessa humana impossibilidade ficamos sem palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prefiro citar Victor Hugo: “Primeiro foi necessário civilizar o homem em relação ao próprio homem. Agora é necessário civilizar o homem em relação a natureza e aos animais."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois para além do sofrimento está em causa a dignidade do próprio homem. Mesmo a acreditar naquela descoberta científica de que o touro por não ter dor não tem cérebro, ficava por resolver o problema da dignidade, e não será a dignidade, mais ainda que a razão, o grande e distintivo atributo do homem e que lhe confere o estatuto de ser superior? Para mim parece-me elementar que o aviltamento gratuito do alheio trás por inerência o rebaixamento do próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E poderá haver cultura sem dignidade? A cultura não é saber equações matemáticas de cor, fórmulas químicas na ponta da língua, latitudes ou longitudes e nem sequer a gramática de trás para a frente. A cultura é saber usar o conhecimento para a compreensão e a compreensão para a elevação do homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o texto que tanto reboliço causou ao António e que eu subscrevo integralmente era este. (Ver: Crónica 17)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois deste texto seguia-se uma proposta de moção a favor da declaração municipal simbólica da Póvoa de Varzim como cidade anti-touradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui buscar o alfinete para não me esquecer. O facto de sermos amigos não significa que da próxima vez, como prometido, não o pique…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-3543262380828929341?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/3543262380828929341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/3543262380828929341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/06/37sofrimento-mnimo.html' title='35.Sofrimento mínimo'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-6602722793300347620</id><published>2008-06-14T00:00:00.012+01:00</published><updated>2008-07-03T12:32:42.232+01:00</updated><title type='text'>34.Em defesa da História</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Estava de pé, e ela sentada, contava-lhe factos políticos históricos, e ela jovem, vinte e poucos, cara expressiva, modos despachados, esperta mas pura, resposta pronta nem sempre pensada, fitava-me presa e desconcertada, eram tantas as surpresas sobre o que lhe tinham dito e falado, olhos vivos, arregalados, e interrompia-me como já o fizera amiúde e de seu modo impulsivo e dizia-me «já há tantas associações por isto e por aquilo, porque não criar uma Associação para a Defesa da História?» e interrompi-me, agora eu, suspenso naquela ideia original, que nunca me atravessara, tão oportuna e necessária para este país, para esta geração e neste tempo, revirei-a, meditei-a por instantes e como quem lhe passa pelas mãos uma causa que não pode segurar respondi-lhe: «realmente é uma excelente ideia, mas eu já tenho tanta coisa que não posso, pode ser que alguém se lembre e eu adiro».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chama-se Raquel. São estes filhos que um dia haverão de repor a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte tinha um e-mail dela:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Zé, não me consigo conformar com esta “história”… Se tivesse capacidade era eu própria que constituía a Associação, movimento, grupo, qualquer coisa! Reunia os vivos que pudessem testemunhar, pesquisava os escritos do meu avô, registos, cartas, enfim! Qualquer coisa! Estou indignada e até afectada! Sinto-me enganada, traída e abusada! Como é possível!?!? Não me sai da cabeça…!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reli o e-mail. Tristeza e esperança. Tristeza pela impotência, que sou, esperança pela semente, que será.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-6602722793300347620?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/6602722793300347620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/6602722793300347620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/06/35em-defesa-da-histria.html' title='34.Em defesa da História'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-6832720028081463848</id><published>2008-06-11T00:00:00.002+01:00</published><updated>2008-06-24T00:34:12.168+01:00</updated><title type='text'>33.Não mintam mais aos nossos filhos! (2)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;«Meu caro Zé», era a primeira linha e a primeira frase. Abrira com alguma perplexidade, confesso, essa carta imprevista que recebera do António, já que sempre nos correspondíamos por e-mail e por isso mesmo esta surpresa formal, quase preocupação, dada a parcimónia da comunicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Papel com marca de água, num cinzento quase branco, impecável, a feitio do autor, escrita à mão dum fôlego, sem rasuras, ou então ensaiado e passado com esmero para realçar a gravidade, continuava na terceira linha: «Fazendo minhas as tuas palavras “esta é a minha pequeníssima contribuição, mas já é alguma, para o movimento de indignação nacional”, venho, a propósito destes dias de fins de Abril em que as mentiras retornam dos buracos e saiem desbragadas, o que já vai sendo apanágio da terceira república, tecer, para memória futura, que tu é que és exímio em arquivos, umas considerações sobre o torcer mentecapto da história».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais aliviado, não havia prisão nem revolução na vida do António, sentei-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«A primeira refere-se à construção da História, não a dos factos genuínos realmente acontecidos, mas a da versão falseada que sobre eles o poder dominante edificou. Como sabemos a História é dos vencedores e não dos vencidos, destes não reza a história, como é comum dizer-se, quer isto significar que os vencedores materiais, de factu e com toda a probabilidade não de jure, forjam a contorção que mais lhes convém para justificarem a si próprios e ao mundo o porquê dos actos empreendidos, a qual versão passa a ser desde então a oficial. E quanto mais a vitória é imoral ou injusta, caso houvesse lugar para aplicar tão cândidos conceitos no contexto do poder e da força, maior é a mentira dos vencedores. Sempre foi assim e continuará a ser. Já na antiguidade dizia Breno, célebre caudilho gaulês que derrotou e saqueou Roma no ano de 390 a.C., vae victis! Ai dos vencidos! Ou nas palavras de Charles Percy Snow “ A história não tolera as derrotas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso pois que passe a geração dos vencedores e fazedores da história para que aos poucos e poucos a verdade aprisionada comece a libertar-se. Muitas vezes é necessário mais do que uma geração, tão enraizada na cultura oficial foi a mentira, e é sempre dramática a revelação da realidade porque fatalmente acabará por opor pais e filhos, os pais porque autores ou cúmplices de um falso legado, os filhos porque descobrem ser vítimas de um embuste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora desta falsificação da História não se escaparam nem Portugal nem os portugueses no que se refere quer ao 25 de Abril, quer ao processo de descolonização. A história que nos tem sido contada pelos seus protagonistas e afins, geração ainda viva, está cheia de mentiras, pelas razões óbvias de tentar esconder a verdade sobre si próprios, de quem eram, e de justificar à luz de ideais não existentes, porque o fizeram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta geração, há uns que viveram a História e conhecem a verdade, mas não têm assento, nem voz, há outros que também a viveram e torcem a verdade, por exclusivas razões de má consciência ou de outra forma perderiam respeito por si próprios, e há muitos outros que não sabendo minimamente do que falam, ou papagueiam o discurso disciplinado do politicamente correcto, ou ainda, por maior zelo de conveniência, mais inventam. Que os segundos tenham mentido a si próprios e à sua geração é grave, que os terceiros, meros fantoches daqueles, os imitem na mentira, continua a ser grave, mas agora que ambos mintam descaradamente aos seus filhos, isso já é intolerável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mal está feito, em muitos casos irreparável, o tempo não retrocede, a História é assim, não há uma história perfeita, os vencedores mentiram, esconderam-se na falsidade, não tiveram a coragem da verdade, foram cobardes, hoje poderão não ter ainda a bravura do arrependimento e da confissão, o homem é fraco, mas há uma coragem mínima que lhes é exigida, não mentirem mais aos seus e aos nossos filhos. Se não a tiveram para si que a tenham pelo menos para os seus filhos! Chega de história política, é tempo da verdadeira História.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eram estas as considerações que as reportagens e entrevistas de circunstância por esta época realizadas com figurinhas do passado presente me exigiram, e muitas reposições de verdade seriam necessárias, em tamanho bordel de falácias, para endireitar reescrever a História desde o 25 de Abril. Sabes do que falo e por isso não me estendo em ditos e desditos, por redundante e falta de pachorra, que só aos ignorantes aproveitariam».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, de facto, para quem viveu a verdadeira História, como ele e como eu, não era preciso entrar no inventário infindável das contra-facções. Terminava e abraçava-me. Fiquei a pensar que a única justificação para a formalidade da carta era a de simbolicamente dar peso à gravidade da revolta. Mas haveria de tirar a limpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais abaixo tinha ainda um post scriptum que dizia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Para aqueles que no futuro lerem esta carta, escrita e enviada nos finais de Abril do ano de 2008 ao meu amigo Zé, deixo uma nota de precaução que infelizmente se justifica na previsão da fuga de certos leitores facciosos, intelectualmente desonestos, que não tendo argumento que contrarie a verdade, procuram desviar as atenções para o lugar comum dos rótulos ideológicos apressados e mais viciosos. São estes os caciques que, depauperados de toda a integridade e falhos de toda a imaginação, enchem a boca dos vocábulos, reaccionário, colonialista, fachista, etc. Mas desenganem-se tais enganadores, pois provavelmente, se não fosse a modéstia diria seguramente, sou na prática da vida mais apologista da autodeterminação dos povos e da verdadeira liberdade dos cidadãos, que outra coisa não poderia patrocinar em coerência com a defesa dos direitos humanos de que me tenho constituído acérrimo combatente, na rua e não no gabinete, do que muitos daqueles serão mesmo em teoria. E por isso podem pois esses senhores abster-se dessas fabulações descabidas e num rebate de valentia reflectirem sobre o espelho da consciência. Fica assim desfeita a previsível refutação da quinta coluna, porquanto não é nada disso que se trata mas de repor a verdade histórica das intenções e dos factos».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-6832720028081463848?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/6832720028081463848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/6832720028081463848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/06/33no-mintam-mais-aos-nossos-filhos-2.html' title='33.Não mintam mais aos nossos filhos! (2)'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-94170192151341324</id><published>2008-06-07T00:00:00.001+01:00</published><updated>2008-06-07T12:34:33.781+01:00</updated><title type='text'>32.O homem criou, o capital destruiu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“Em 1996, as primeiras viaturas eléctricas de produção em série, os EV1 (Electric Vehicle 1), foram fabricados nos EUA pela General Motors, e viram-se a circular pelas estradas da Califórnia. Eram viaturas rápidas: faziam dos 0 aos 100 km/h, em menos de 9 segundos! Não produziam nenhum gás de combustão (nem sequer tinham tubo de escape). Eram facilmente recarregáveis com energia eléctrica na garagem de casa. Dez anos mais tarde, estes carros do futuro desapareceram completamente! Como é isto possível? Em primeiro lugar, estas viaturas não podiam ser compradas, mas unicamente alugadas! Os contratos de aluguer não foram, pura e simplesmente, renovados. A General Motors recuperou todos os EV1, apesar da oposição dos seus utilizadores e depois… …&lt;strong&gt;DESTRUIU&lt;/strong&gt;… todas estas viaturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1997, a Nissan apresentou o modelo eléctrico Hypermini no salão de Tokyo. O Município da cidade de Pasadena (Califórnia - EUA) adoptou esta viatura como veículo profissional para os seus empregados. Foi muito apreciado pela sua facilidade de manobra e estacionamento, e ainda pela sua grande operacionalidade em movimentar-se dentro da cidade. Em Agosto de 2006, expirou o contrato de aluguer das referidas viaturas, entre a Nissan e o Município de Pasadena. O Município tentou comprar as viaturas mas a Nissan recusou peremptoriamente, tendo-as recuperado todas para as &lt;strong&gt;DESTRUIR&lt;/strong&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2003, a Toyota decide parar a produção do RAV4-EV. (EV - veiculo eléctrico). Este 4x4 eléctrico, um produto de alto refinamento tecnológico, era muito estimado pelos utilizadores. Em 2005, os contratos de aluguer das viaturas, expiraram. A Toyota imediatamente se apressou a recuperar todos estes veículos afim de os… &lt;strong&gt;DESTRUIR!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas entretanto, alguns cidadãos americanos começaram a organizar-se: A associação “DontCrush” entra em acção para tentar salvar os RAV4‑EV. Esta associação fez pressão sobre a Toyota durante 3 meses. Finalmente VITÓRIA! A Toyota recuou e autorizou, os que alugaram estes veículos RAV4‑EV, a comprá-los”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A gigantesca prensa metálica, uma vez accionada, soltava um ronco sinistro enquanto as suas manápulas gémeas, paralelas, se aproximavam uma da outra, lenta mas inexoravelmente.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O carro eléctrico, vermelho vivo, de aparência igual a tantos outros e que mesmo de perto não confessava a sua particularidade distintiva, arrastado contra vontade, se a tivesse, sobre a manápula inferior, esperava sem esperar, na inconsciência material do não saber.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De repente, o ronco infausto da prensa muda abruptamente para um resfolgar acidentado, chiadeira descontínua, ora guincho, ora grito. A plataforma de cima esbarrara no tejadilho do carro, mas logo sem interrupção de marcha, sem indecisão ou contemplação, prosseguira, prensando, comprimindo, calcando, achatando, por fim esmagando o carro, novo em folha, vermelho vivo, igual a tantos outros mas com a desventura de ter nascido eléctrico.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Faz impressão olhar daqui este cenário, este amontoado de chapas metálicas, disformes, outrora soerguidas, elegantes e orgulhosas, lançadas umas sobre as outras, reflectindo aqui e ali um raio de sol, neste cemitério macabro de sucata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;O homem criou, o capital destruiu.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-94170192151341324?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/94170192151341324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/94170192151341324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/06/32o-homem-criou-o-capital-destruiu.html' title='32.O homem criou, o capital destruiu'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-9033832601330163961</id><published>2008-06-04T00:00:00.002+01:00</published><updated>2008-06-05T09:21:46.457+01:00</updated><title type='text'>31.Dois records dignos do Guiness</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quando Sir Hugh Beaver, progenitor ainda sem o saber do Guiness, discutia qual seria a ave de caça mais veloz da Europa, se a tarambola, se o galo-selvagem, estava muito longe de imaginar que um dia, cinquenta e sete anos depois e a mais de dois mil kilómetros de distância da sua caçada, um estado, um governo, bateriam um record difícil e original, o de conseguir aumentar por dezassete vezes consecutivas e em menos de cinco meses o preço da gasolina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os portugueses passaram a ter em média uma vez por semana e para quebra da monotonia das suas vidas, já de si tão pouco sobressaltadas de inovações, uma surpresa, quando, ou na ida para o trabalho, ou na volta para casa, a mula sofisticada que os carrega reclamava voraz, não maior ração, mas ração mais preciosa. Afinal o que na barriga do mamífero entrava era o mesmo, assim confirmava o mostrador das porções, mas o que saía do dono era mais, assim se queixava o erário doméstico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governo está de parabéns, nem tudo são coisas más, isso só para os pessimistas e para os derrotistas e para os deprimidos, etc. etc. etc., por ter conseguido o feito de entrar para o Guiness e logo em duas categorias. A primeira já se vê, foi aquele facto difícil e original em andamento prestíssimo, e a segunda, menos difícil e menos original, para de quem se trata, mas contudo igualmente logradora de record, foi a monstruosa mentira sob a qual aquele se monta e se juntarmos as duas ficamos com uma montanha combustível, perigosa e imprevisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então não é que desta última vez as petrolíferas avisaram que o aumento era a partir da meia-noite, e lá vai o bom do povo para as bichas a ver se ainda poupa uns tostões, e os malandros a mudarem os preços às onze horas, e o bom do povo feito papalvo, e as gasolineiras a desculparam-se que a culpa é das bombas que são automáticas, e o bailinho a prosseguir e a música sem parar e a garraiada a triunfar e vai de vento em popa sem pudor que tudo é descaro e uma mulher que sai do carro e pede para a revolução não se atrasar porque senão quando vier só há ossos para guerrear…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui há uns tempos recebi um e-mail do Manuel, o apelido fica para mim, salvo seja, que anda para aí muita represália, e loucos como eu que vejo o rei em pelota e tendo a fala desabrida dos heróis não me embaraço em titubeadas mas reclamo alto e a bom som pelo povo, incluindo neste os mudos de vontade, não têm que ser todos, digo, os loucos como eu, e por isso a ocultação do apelido do Manuel que então desabafava assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Fui informado recentemente que os preços de uns produtos químicos comercializados pela empresa onde trabalho iriam subir novamente devido ao aumento do preço do petróleo. Todos os fins-de-semana meto gasolina no carro, e cada vez preciso mais euros para comprar menos litros de Super-95. Dizem-me que é por causa do preço do petróleo. Assim, fui à net buscar umas tabelas/imagens e comecei a fazer umas contas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois vêm uns quadros com muitas linhas, colunas e números, com os quais não vos maço, podendo sempre o espírito, ou curioso, ou desconfiado, imitar o Manuel e dar-se ao trabalho como ele de ir à net, portanto e continuando, para os que fazem fé, passo por cima dos quadros e vou á sua conclusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então temos, dizia ele:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em 2000, um barril de petróleo custava 63 USD, ou seja, 70.00 EUR (1.00 Eur = 0.90 USD). Em 2008, um barril de petróleo custa 98 USD, ou seja, 70.00 EUR (1.00 Eu = 1.40 USD).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E remata:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Gostava que me indicassem onde está a subida do preço do petróleo. Cada um que pense por si, mas eu acho que estamos a ser roubados pelos políticos e pelas petrolíferas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, esqueci-me de dizer que o título do seu e-mail era: “Uma instituição chamada mentira”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois pensei para mim, que nestas coisas de matemáticas ou economias tenho que ir devagar; ora então o petróleo aumentou, é um facto, mas como o dólar se desvalorizou em relação ao euro, outro facto, o petróleo acabou por não aumentar face ao euro. Aumentou para os americanos, não aumentou para os europeus. Simples!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que eles, os políticos e, ou, as petrolíferas, ou os dois juntos, que é o mais certo, se aproveitaram da nossa ingenuidade para nos arrear, escondendo-se nessa fabulação esotérica que dá pelo nome de economia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E fiquei a modos que embaraçado, muito embaraçado com a minha estupidez. Queria-me revoltar mas a estupidez atrofiava-me, pesava-me muito, pesava-me mais do que a revolta. E pensar que através do voto lhes tinha sancionado essa montanha de mentira. Isto está mesmo muito complicado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cambaleei para a net, que outro termo mais expressivo para significar o atordoamento estupidificante que ainda me possuía não me ocorre, para saber qual era o IVA da gasolina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não o devia ter feito, porque em vez de me sossegar mais enfermo fiquei. É que para além do IVA, já de si no máximo dos 21%, havia outro imposto, gordo e feio, que totalmente me siderou, chamado ISP, que encavalitado no primeiro dava à data a módica percentagem de 63,9%, o que significava que em cada cem cêntimos de combustível, 63,9 cêntimos iam directamente para o buraco do governo, que não do estado e que muito menos da nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recuperando da minha estupidez que era demasiado estúpida, vinha-me uma nova inteligência que me fazia reconhecer que o governo, no fundo, acabava sempre por ter razão. De facto o combustível é um luxo, de facto todos os transportes são supérfluos, levar as crianças à escola, conduzir os doentes aos hospitais, abastecer os supermercados de comida, ir para o trabalho, ir para casa, ir, ir, ir que o homem fez-se para ir, pode muito bem ser tudo feito sem consumo de gasolina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crianças podem ir de trotineta, que até se divertem muito mais, os adolescentes e mesmo alguns adultos mais desempoeirados de skate, que até é muito mais saudável, os doentes de mula, que até tem a vantagem de ir devagar sem solavancos na calçada, a comida em carroças e para todas as outras necessidades e gostos ainda sobejam um sem número de escolhas, desde o triciclo e a bicicleta, que os há de muitos tamanhos e feitios, até a um infindável número de animais, que basta aparelhar, com a devida precaução da estética e funcionalidade, ao jeito do freguês e conforme o estatuto social, seja patrício ou plebeu, a idade, seja tenro ou esclerótico, o peso, tenha carnes abundantes ou magreza inconveniente, a jornada, seja curta ou cumprida, a ansiedade, com pressa ou sem pressa e o trajecto, seja por terra, ar ou água, por cidade ou por campo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-9033832601330163961?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/9033832601330163961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/9033832601330163961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/06/dois-records-dignos-do-guiness.html' title='31.Dois records dignos do Guiness'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-3331453698249466730</id><published>2008-05-31T00:00:00.001+01:00</published><updated>2008-05-31T10:44:31.695+01:00</updated><title type='text'>30.O senhor Nunes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O senhor Nunes tira, num gesto vagaroso, quase elegante, os óculos, se os tiver, não sei se os tem, mas nesta sua congeminação haveria de os tirar, em sinal de reflexão aguçada, e chegar-se para trás, encostando bem a espinha às costas do cadeirão, que isso a ambos há-de ter, espinha e cadeirão, e nesta sua congeminação há-de estar sentado, e olha o tecto no aprofundamento do raciocínio, e por tique, que é capaz de o ter, finge coçar o cocuruto da cabeça como a estimular o avanço célere dos neurónios idiotas, aqueles que produzem ideias sublimes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisa de trepar a ministro e tem que ver como, ou outra ambição, ou compulsão freudiana de provar, alguma coisa a alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E neste esforçado exercício do intelecto lembra-se da moda da gestão por objectivos que por estes tempos de brilhantismo na governação perpassa pelos espíritos políticos mais iluminados do país e exclama, «é isso!» e uma lâmpada acende-se, e um esgar, uma satisfação inebria-o pela descoberta genial, e agora, não vagarosa mas desenvoltamente, enfia os óculos, se os tiver, chega o rabo para a frente no cadeirão, que os tem, e excitado tecla no computador, faz assim um género de estatística preventiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora se mandar que se descubram tantas infracções, isso corresponde a tantos processos de contra-ordenação, o que equivale a tantas coimas e mais ou menos a tantos processos crime, o que significa fechar tantos estabelecimentos, o que vem a dar meter na prisão tantos criminosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor Nunes é primeiro António, António Nunes, inspector-geral da ASAE - Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica, instituição recente, criada ao que parece por imperativo da Comunidade Europeia e o dito senhor Nunes faz a propósito questão de deixar bem claro e por isso proclama sem inibição ou gaguez: "A orientação global é dada pela direcção da casa, é unipessoal, sou eu que a dou".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Asae depressa ganhou fama e proveito pela forma dinâmica e extremosa com que aplicou a nova lei. Os seus funcionários, briosos e viris, de farda e pistola à cinta, passaram a ser notícia constante dos telejornais, irrompendo de surpresa pelos restaurantes e afins, casas de pasto e sucedâneas, tascas, tabernas, baiucas, boticas e o que mais, no cumprimento escrupuloso do seu dever, lançando o pânico em certos e nefastos antros, fazendo correr, fugir e dispersar, hordes de malfeitores, uns ainda caçados e enjaulados, que impunemente envenenavam as populações ingénuas e indefesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor Nunes suspende-se na conclusão do seu cálculo, mira-o e admira-o, acha porém o número de prisões ainda baixo para tanta malandragem que sabe existir, que o povo tem esta inclinação prevaricadora e é preciso andar sempre em cima dele e com um pé atrás, e por número tão escasso a sua competência não há-de impressionar, e retoma a partir de cima a descida encadeada dos números para lograr encarceramentos mais significativos. Rejubila-o a estatística conseguida, antes de o ser já o é, proporcional e harmoniosa, verosímil e convincente. «Mas isto tem que ser muito à socapa» previne-se, «não vá o diabo tecê-las, que anda para aí uma legião de fofoqueiros que só dizem mal e que só embaraçam a justiça» acrescenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que o crime alimentar e económico existe, já ele o sabe de sobejo, o que é preciso é desmascará-lo e dar-lhe arrumo, expô-lo à luz do dia nos números que não mentem, e de certeza que sempre haverão mais casos do que aqueles que ele de antemão sentenciou, e caso não os haja deviam haver, e de passagem lembra-se, não sei a que propósito, de um ditado árabe que diz: «bate todos os dias na tua mulher, porque mesmo que não saibas porquê, ela há-de saber».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora se há uma polícia tem que haver um crime, assim já pensava a polícia política, porque senão para que é que era preciso a polícia? E agora que se criou a polícia não será dever desta criar o crime?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ao fim de toda a lógica, de todas as doutrinas, de todos os gestos, os mais puros, de todas as iniciativas as mais altas, de todos os ideais, de todas as realizações: a polícia”. (Vergílio Ferreira)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realizado, quer dizer, com aquela sensação de cheiinho, que vem da consciência de uma inteligência superior e de um zelo exemplar, ambos ao serviço do Estado, o senhor Nunes levanta-se a desfrutar do sabor por inteiro do dever cumprido, chega-se à janela que abre de par em par numa largueza de movimento, antevendo a merecida recompensa, já se vê com toda a justiça no acto de posse do ministério, sob as palavras gratificantes do Presidente, «é destes homens que o país precisa para recuperar a confiança do povo nas instituições políticas», e da janela contempla o mundo as seus pés, e neste com especial devoção os restaurantes e afins, casas de pasto e sucedâneas, tascas, tabernas, baiucas, boticas e o que mais, e enche reconfortado os pulmões do fresco ar da manhã que a natureza indistintamente oferece a todos os nascidos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-3331453698249466730?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/3331453698249466730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/3331453698249466730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/05/30o-senhor-nunes.html' title='30.O senhor Nunes'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-8316028704523692976</id><published>2008-05-28T00:00:00.001+01:00</published><updated>2008-05-28T12:33:09.893+01:00</updated><title type='text'>29.Respostas de alunos nos seus testes escolares</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Eu, Zé, de muitos apelidos, uns de que me orgulho, outros de que me envergonho, declaro por minha honra, que transcrevo tal como recebi, sem traço de cosmética, sem soma ou diminuição de vocábulo ou pontuação, mas exactamente como os meus olhos viram, e assim, originais e incólumes a qualquer tentação de reparo ou correcção, ou outra qualquer modificação, virgens recebidas, virgens entregues, assim as transmito, estas respostas de alunos nos seus testes escolares, corria o ano de 2008 no país Portugal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;História&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;•       A História divide-se em 4: Antiga, Média, Moderna e Momentânea (esta, a dos nossos dias);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       O Hino Nacional Francês chama-se La Mayonèse;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       Tiradentes, depois de morto, foi decapitulado;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       Entres os índios da América, destacam-se os aztecas, os incas, os pirineus, etc;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       No começo os índios eram muito atrazados mas com o tempo foram-se sifilizando;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       Com a morte de Jesus Cristo os apóstolos continuaram a sua carreira;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       Entre os povos orientais os casamentos eram feitos "no escuro" e os noivos só se conheciam na hora h.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Geografia&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;•       A capital de Portugal é Luiz Boa;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       O principal rio nos Estados Unidos é o Mininici;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       A Geografia Humana estuda o homem em que vivemos;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       Na América Central há países como a República do Minicana;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       A Terra é um dos planetas mais conhecidos no mundo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       As constelações servem para esclarecer a noite;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       As principais cidades da América do Norte são Argentina e Estados Unidos;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ciências&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;•       Ecologia é o estudo dos ecos, isto é, da ida e vinda dos sons;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       Solo é quando numa orquestra um dos músicos "capricha" sozinho e os outros ficam à escuta;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       Assexuada é a pessoa que não está nem do lado de cá nem do lado de lá;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       Trompa de Eustáquio é o instrumento musical de sopro, inventado pelo grande músico belga Eustáquio, de Bruxelas;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       Newton foi um grande ginecologista e obstetra europeu que regulamentou a lei da gravidez e estudou os ciclos de Ogino-Knaus;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Português&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;•       Parêntesis é o gráu da família que existe entre os pais e filhos, tios e sobrinhos, avós e netos, primos e primas, etc;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       Preposição, conforme diz a palavra pela sua própria entomologia, é aquela que é colocada antes da outra que é mais importante;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       Conjunção é a grafia que se usa quando se quer conjugar um verbo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       Sujeito é a pessoa com quem a gente fala;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       Concordância é quando nós estamos de acordo com o que o outro disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Exames - 2ª Fase&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;•       A febre amarela foi trazida da China por Marco Polo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       Os ruminantes distinguem-se dos outros animais porque o que comem, comem duas vezes;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       O coração é o único órgão que não deixa de funcionar 24 horas por dia;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       A arquitectura gótica notabilizou-se por fazer edifícios verticais;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       A diferença entre o Romantismo e o Realismo é que os românticos escrevem romances e os realistas nos mostram como está a situação do país;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       As múmias tinham um profundo conhecimento de anatomia;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       Na Grécia a democracia funcionavam muito bem porque os que não estavam de acordo envenenavam-se;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       As plantas distinguem-se dos animais por só respirarem à noite;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       Os estuários e os deltas foram os primitivos habitantes da Mesopotâmia;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       A caixa de previdência assegura o direito à enfermidade colectiva;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       A respiração anaeróbica é a respiração sem ar que não deve passar de três minutos;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       Calor é a quantidade de calorias armazenadas numa unidade de tempo;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       Antes de ser criada a Justiça, o mundo era injusto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Com os exames nacionais do 9º e do 12º&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       Lavoisier foi guilhotinado por ter inventado o oxigénio;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       O nervo óptico transmite ideias luminosas ao cérebro;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       O vento é uma imensa quantidade de ar;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       Terramoto é um pequeno movimento de terras não cultivadas;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       Os antigos egípcios desenvolveram a arte funerária para que os mortos pudessem viver melhor;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       Péricles foi o principal ditador da democracia grega;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       O problema fundamental do terceiro mundo é a superabundância de necessidades;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       O petróleo apareceu há muitos séculos, numa época em que os peixes se afogavam dentro de água;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       A principal função da raíz é enterrar-se;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       O sol dá-nos luz, calor e turistas;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       As aves têm na boca um dente chamado bico;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•       A unidade de força é o Newton, que significa a força que se tem de realizar num metro da unidade de tempo, no sentido contrário.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-8316028704523692976?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/8316028704523692976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/8316028704523692976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/05/29respostas-de-alunos-nos-seus-testes.html' title='29.Respostas de alunos nos seus testes escolares'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-6620800309039284878</id><published>2008-05-24T00:00:00.000+01:00</published><updated>2008-05-23T18:59:31.672+01:00</updated><title type='text'>28.Manifesto em defesa da língua portuguesa contra o acordo ortográfico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;1 – O uso oral e escrito da língua portuguesa degradou-se a um ponto de aviltamento inaceitável, porque fere irremediavelmente a nossa identidade multissecular e o riquíssimo legado civilizacional e histórico que recebemos e nos cumpre transmitir aos vindouros. Por culpa dos que a falam e escrevem, em particular os meios de comunicação social; mas ao Estado incumbem as maiores responsabilidades porque desagregou o sistema educacional, hoje sem qualidade, nomeadamente impondo programas da disciplina de Português nos graus básico e secundário sem valor científico nem pedagógico e desprezando o valor da História. Se queremos um Portugal condigno no difícil mundo de hoje, impõe-se que para o seu desenvolvimento sob todos os aspectos se ponha termo a esta situação com a maior urgência e lucidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 – A agravar esta situação, sob o falso pretexto pedagógico de que a simplificação e uniformização linguística favoreceriam o combate ao analfabetismo (o que é historicamente errado), e estreitariam os laços culturais (nada o demonstra), lançou-se o chamado Acordo Ortográfico, pretendendo impor uma reforma da maneira de escrever mal concebida, desconchavada, sem critério de rigor, e nas suas prescrições atentatória da essência da língua e do nosso modelo de cultura. Reforma não só desnecessária mas perniciosa e de custos financeiros não calculados. Quando o que se impunha era recompor essa herança e enriquecê-la, atendendo ao princípio da diversidade, um dos vectores da União Europeia. Lamenta-se que as entidades que assim se arrogam autoridade para manipular a língua (sem que para tal gozem de legitimidade ou tenham competência) não tenham ponderado cuidadosamente os pareceres científicos e técnicos, como, por exemplo, o do Prof. Óscar Lopes, e avancem atabalhoadamente sem consultar escritores, cientistas, historiadores e organizações de criação cultural e investigação científica. Não há uma instituição única que possa substituir-se a toda esta comunidade, e só ampla discussão pública poderia justificar a aprovação de orientações a sugerir aos povos de língua portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 – O Ministério da Educação, porque organiza os diferentes graus de ensino, adopta programas das matérias, forma os professores, não pode limitar-se a aceitar injunções sem legitimidade, baseadas em “acordos” mais do que contestáveis. Tem de assumir uma posição clara de respeito pelas correntes de pensamento que representam a continuidade de um património de tanto valor e para ele contribuam com o progresso da língua dentro dos padrões da lógica, da instrumentalidade e do bom gosto. Sem delongas deve repor o estudo da literatura portuguesa na sua dignidade formativa.O Ministério da Cultura pode facilitar os encontros de escritores, linguistas, historiadores e outros criadores de cultura, e o trabalho de reflexão crítica e construtiva no sentido da maior eficácia instrumental e do aperfeiçoamento formal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 – O texto do chamado Acordo sofre de inúmeras imprecisões, erros e ambiguidades – não tem condições para servir de base a qualquer proposta normativa. É inaceitável a supressão da acentuação, bem como das impropriamente chamadas consoantes “mudas” – muitas das quais se lêem ou têm valor etimológico indispensável à boa compreensão das palavras. Não faz sentido o carácter facultativo que no texto do Acordo se prevê em numerosos casos, gerando-se a confusão. Convém que se estudem regras claras para a integração das palavras de outras línguas dos PALOP, de Timor e de outras zonas do mundo onde se fala o Português, na grafia da língua portuguesa. A transcrição de palavras de outras línguas e a sua eventual adaptação ao português devem fazer-se segundo as normas científicas internacionais (caso do árabe, por exemplo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recusamos deixar-nos enredar em jogos de interesses, que nada leva a crer de proveito para a língua portuguesa. Para o desenvolvimento civilizacional por que os nossos povos anseiam é imperativa a formação de ampla base cultural (e não apenas a erradicação do analfabetismo), solidamente assente na herança que nos coube e construída segundo as linhas mestras do pensamento científico e dos valores da cidadania.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Os signatários: Ana Isabel Buescu - António Emiliano - António Lobo Xavier - Eduardo Lourenço - Helena Buescu - Jorge Morais Barbosa - José Pacheco Pereira - José da Silva Peneda - Laura Bulger - Luís Fagundes Duarte - Maria Alzira Seixo - Mário Cláudio - Miguel Veiga - Paulo Teixeira Pinto - Raul Miguel Rosado Fernandes - Vasco Graça Moura - Vítor Manuel Aguiar e Silva - Vitorino Barbosa de Magalhães Godinho - Zita Seabra.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-6620800309039284878?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/6620800309039284878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/6620800309039284878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/05/manifesto-em-defesa-da-lngua-portuguesa.html' title='28.Manifesto em defesa da língua portuguesa contra o acordo ortográfico'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-9194716347609298101</id><published>2008-05-21T00:00:00.002+01:00</published><updated>2008-05-22T20:52:35.794+01:00</updated><title type='text'>27.Cenhora menistra - João Aguiar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A gente vai-se entendendo, com um ou outro sopapo nos professores, sinal apenas de espírito de iniciativa e de saudável energia física.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vânho com esta agardecer a voça escelencia akela koisa de não ligar puto à hortugrafia nos isames do 9º.anu i de não ter metido nelex aqueles xatus do Camões i do Jil Vissente e de a perova ser bestialmente fássil. Eu já não benefissiei porque akabei a xatisse dos estudos e tou agora num dakeles empregus purreiros oferessidos pelo cenhor menistro da ikonumia, mas a minha irman Katia Vaneça fês u isame i gostou muito. Ela não pressisa de hortugrafia pra nada, já tá a fazer istájio numa kasa de alterne muita fixe, pagam bem i ela nem tem de falar, kuanto mais eskrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também kero agardecer, cenhora menistra, ke os isames do 12º.forão bué da fásseis, cem ninhuma gramatika, purke u meu irmão Xico us fês e kurreram lhe muitabem i ele nem estodou nada todu u anu, a bem dizer, purke já ganha a vidinha komo diller i então não tem tempu pra essas xatisses. Pra ele livrus e gramatika, jamé, jamé. I então eu keru ka cenhora kontinui acim, ke vai muitabem. a) Juzé da Cilva, i.v.l. (Inginheiro Verdadeiramente Lissenssiado )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este documento, comovente e palpitante, foi-me cedido por um parente em vigésimo segundo grau de um alto funcionário do nosso Ministério da Educação, depois de um jantar muito bem regado, quando ele já estava claramente com os copos e balbuciava uma velha canção do desaparecido Hervé Villard: “Nu niron plus jamé”…(ortografia francesa modernizada e melhorada pelos do nosso sobredito Ministério; em francês não-corrigido, seria “Nous n’irons plus jamais”)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interrompendo a cantoria e colocando nas minhas mãos a carta acima transcrita, ele disse-me, entre soluços: “Leia, meu amigo! Veja como esta nossa ministra é popular, como a juventude a estima e apoia! E a juventude é a promessa do futuro! Hic!”. Eu li a carta e pensei logo que devia dá-la ao conhecimento dos leitores. Porque é edificante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o mesmo parente em vigésimo segundo grau me confidenciou, o jovem autor da tocante missiva, além de preencher, como ele próprio informa, um daqueles postos de trabalho prometidos em boa hora pelo senhor ministro Manuel Pinho, vai também integrar uma comissão que deverá promover (segundo ouvi na TV) maiores contactos entre professores e alunos, uma medida destinada, especificamente, a evitar que os segundos agridam os primeiros. A coisa é assim: parece que se multiplicam, nas escolas, os casos de indisciplina e de agressões a docentes. Um espírito tacanho pensaria logo que se impunha um reforço da disciplina e da autoridade da escola, já que, por exemplo, hoje em dia é legalmente muito difícil, e sobretudo moroso, punir um aluno insolente ou violento. Mas isto, repito, é o pensamento de um espírito tacanho. O que é preciso (e felizmente houve quem o entendesse) é multiplicar os contactos entre alunos e professores. Se não der resultado, servirá, pelo menos, para melhorar e aumentar as oportunidades de aqueles baterem nestes – fora do tempo de aula, está bem de ver, para não prejudicar o ensino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lendo todo este arrazoado, alguém dirá, criticamente: “Pois, pois! Ele está a defender a sua classe!”. A quem o diga, respondo (ou repito, já nem sei bem) que nunca na minha vida fui professor, nem perto disso. Acrescento que estou muito consciente de que muitos, muitos dos professores do nosso país se encontram na profissão errada (tal como muitos, muitos dos nossos actuais senhores ministros se encontram na função errada: adiante, não falemos de mais misérias. Jamé.).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto continua a ser também verdade que há professores magníficos. Continua a ser verdade que o Ministério tomou uma decisão anticonstitucional, como declarada pelo respectivo Tribunal, que com essa decisão prejudicou vários alunos e que não parece nada preocupado com isso; continua a ser verdade que a tão falada TLEBS não passa de uma tontice inútil destinada a confundir o que deveria ser claro; continua a ser verdade que a concepção adoptada, não só nos exames como na prática do ensino, em relação à ortografia em particular e ao Português em geral, é um atentado contra a inteligência, contra a nossa língua e contra a nossa cultura, cometido por um departamento estatal chamado Ministério da Educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo-me obrigado, a tal propósito, a recordar uma história já contada: aquela do professor de Física, dos tempos do antigamente (anteriores até, julgo, ao Estado Novo) que dava pontuação zero ao aluno que, num teste, escrevesse “trezentas gramas” em vez de “trezentos gramas”, porque, explicava, com inteira razão, trezentas gramas são trezentas plantazinhas que, juntas, formam um gramado. Temos aqui duas concepções opostas: uma, a da educação integrada, em que os professores do ramo científico querem e sabem corrigir erros de Português ou de História; outra, a actual, promotora da geral ignorância. em que não importa nada escrever que dôes e dôes são cuatro, o que é preciso é que a gentessentenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a gente vai-se entendendo com um ou outro sopapo nos professores, sinal apenas de um certo espírito de iniciativa e de uma saudável energia física. Quem, no actual sistema, poderá pensar que isso é negativo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como diria o senhor ministro Mário Lino, Jamé.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-9194716347609298101?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/9194716347609298101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/9194716347609298101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/05/28cenhora-menistra-joo-aguiar.html' title='27.Cenhora menistra - João Aguiar'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-4369897244447130356</id><published>2008-05-17T01:00:00.002+01:00</published><updated>2008-05-19T23:52:43.745+01:00</updated><title type='text'>26.O esforço e o mérito</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Conto-lhe...&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O Marques e o Silva são dois carpinteiros que trabalham na mesma fábrica de móveis por medida. Uma quarta-feira o patrão chamou os dois e disse-lhes: «Preciso de entregar duas estantes deste Sábado a oito dias numa loja que vai abrir no centro comercial nesse fim-de-semana. Sei que o prazo é apertado, mas como fiz um bom negócio com o lojista estou disposto a dar um prémio a cada um de vocês se acabarem a obra no prazo acordado». E assim dito mandou-os trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Marques é trabalhador, não recua perante os desafios, aplica-se e esforça-se. O Silva tem um jeito especial, dizem que é dom de família, pois já o seu pai e avô tinham a mesma arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Marques desde essa quarta-feira trabalhou a fio, com valentia e empenho, dia e noite, fim-de-semana, deu o melhor de si, o que tinha e o que não tinha, mas a estante era caprichosa e só conseguiu acabá-la dois dias depois da abertura da loja. Foi repreendido. Não teve prémio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Silva bastou-lhe a jorna diária, dispôs das noites e passou como de costume os fins-de-semana com a família. Para ele foi mais um trabalho de rotina, a correr de feição, sem exigência de qualquer esforço especial. No Sábado a estante estava pronta. Foi elogiado. Ganhou o prémio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E o Zé escuta, estica as pernas, cruza os braços, inteira-se.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Segundo a lógica do custo-proveito nada a comentar, nada de extraordinário à face da terra e debaixo do sol. O Marques não conseguiu, não teve o mérito de acabar o trabalho a tempo, não teve prémio. O Silva conseguiu, teve o mérito de acabar o trabalho a tempo, teve prémio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a história, verídica, igual a milhares de histórias que vão acontecendo todos os dias por essas empresas fora, poderia acabar aqui, ou melhor, não chegaria sequer a ser história, se não estivesse errada e gravemente errada, e o erro é de análise e apreciação, por razão de uma subversão de valores em que se mudou a posição do homem de sujeito para objecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E o Zé insurge-se, descruza os braços, recolhe as pernas, chega o rabo para trás, arrazoa.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Marques e Silva não são os nomes de duas máquinas da fábrica de móveis por medida, são os nomes de duas pessoas deste planeta, deste mundo que nos sofre, feitos da mesma matéria e espírito que todos nós, e a tomada de consciência deste facto, porque por mais incrível que pareça é preciso acordar para a consciência deste facto, altera dramaticamente toda a análise e apreciação, endireita olhos e razão, obrigando a repor a justa ordem dos valores e posições, resgatando o homem de objecto para sujeito, e então, tudo passa a estar profundamente errado, porquanto Marques e Silva já não mais máquinas, mas pessoas e como estas e não como aquelas, deverão ser avaliadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Marques esforçou-se muito, e para ele, que outra referência não se adequa, tudo o que podia, enquanto o Silva esforçou-se pouco, e para ele, que outra referência também não serve, nada do que podia. Foi premiado o resultado, não foi reconhecido o esforço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E o Zé disserta, levanta-se, gesticula a compor as ideias, proclama…&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nesta cultura deformada que construímos contra o homem, paradoxo do homem, o mérito confunde-se com o resultado, o que não produz resultado não tem mérito. Houve uma substituição, diria melhor, uma alienação do mérito do esforço para o mérito do resultado. É consequência desta obsessão compulsiva, peste negra da modernidade, que viver é produzir, que é sempre preciso produzir alguma coisa, de material, de palpável, bem entendido, e que sem produzir não há vida… maior disparate do que este não é fácil enxergar. Mas não derivemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois carpinteiros nasceram desiguais, e ainda bem se não seriam autómatos, e é essa desigualdade que lhes confere a cada um, personalidade única e irrepetível, e tinham e têm e terão sempre, características diferentes, características que nunca estiveram nem estarão nas suas mãos modificar. Os dons não se inventam, podem desenvolver-se, mas não se criam. Já o esforço sim, pode inventar-se, criar-se, está ao alcance de todos, depende exclusivamente da vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;… e vai daí, dá exemplo artístico.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Imagine-se, à laia de caricatura, que sendo eu patrão, da política ou da indústria, obrigava, ou desafiava, para ser menos drástico, todos os homens a compor a quinta sinfonia, ou a escrever os Lusíadas, ou a pintar a Mona Lisa, e isto no mesmo prazo. Tinha o mérito, para usar a palavra do dia, de ser internado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E o Zé revolta-se, passeia pela sala, impugna.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O verdadeiro mérito está no esforço, não no resultado, mede-se pelo esforço, não pelo resultado. Mérito sem esforço, não é verdadeiro mérito. A medida do homem é o esforço, a medida da máquina é o resultado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens nascem todos desiguais, em características, e todos iguais, em direitos, sendo este segundo axioma de carácter normativo, isto é, postula como deveria ser, e não positivo, isto é, o que realmente ainda é, a verdade nua e crua da desigualdade dos direitos. Se eu avaliar todos os homens pela mesma bitola estou, ao contrário, a considerar que nasceram todos iguais e, portanto, e também ao contrário, a conferir-lhes direitos desiguais. Inverti tudo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quais são os indicadores de avaliação? São iguais para homens desiguais? Enquanto posso fazer as máquinas nascerem iguais para daí obter iguais resultados, não posso, nem fazer os homens nascerem iguais, nem tratá-los como se fossem iguais. Se o fizer deixo de os considerar sujeitos, mas objectos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é que se deve premiar, aquilo com que nascemos e que não depende de nós modificar, ou aquilo que pela nossa liberdade e vontade somos capazes de transformar? O verdadeiro mérito estará no resultado obtido, ou no esforço que investimos para o obter?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Zé escarnece, senta-se, vai para a política, casca forte.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É claro que a pensar assim entro em rota de colisão com o capitalismo, subverto o primado do capital sobre o trabalho, sou apóstata da cultura dominante economicista que reduz o homem a objecto numa equação contabilística de custo-proveito, mas ainda bem, porque como Eugène Ionesco disse «pensar contra o nosso tempo é um acto de heroísmo, mas dizê-lo é um acto de loucura». Sou então louco porque recuso a conversão do homem em mais um factor de produção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que vivemos numa ditadura económica, melhor dizendo, que vivemos numa ditadura, e esta correcção porque a economia é virtual, só lembrada e evocada como pretexto político do poder, é um facto, que mesmo os mais torcidos reconhecem, e que essa tirania, imposta e consentida, fizeram do homem um objecto, é facto maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se estimula e reconhece o mérito do esforço, incentiva-se, melhor, espicaça-se, o mérito do resultado, com ou sem esforço. O que interessa é sempre o resultado e isto é verdade nas empresas mas ainda mais verdade é na política. É já uma forma de pensar que ultrapassou a própria economia e deitou raízes na moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E o Zé alastra, mantém-se espraiado no sofá, vai da política para a cultura, lamenta-se&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Por isso a meritocracia, nome bonito cheio de promessas, apesar das sedas com que se adorna é extremamente perigosa, porque se assentar exclusivamente no resultado e não no esforço vai claramente contra o homem. Por isso também todos os sistemas de prémios baseados unicamente nos resultados, não obstante poderem brilhar e ofuscar, qual fogo de artifício instantâneo, depressa se apagarão nas cinzas do desengano, dando pelo meio cabo do homem, das organizações e das comunidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aculturámo-nos à cultura do mérito, mas a uma nova cultura do mérito, ou melhor dizendo, a uma cultura de um novo mérito, ou verdadeiramente falso mérito, porque desligado do esforço, e a este novo mérito, o mérito que vem de fora, do resultado, da conveniência, da posição ou situação, ligámos o prémio e mais uma cultura, a cultura do prémio. Mas onde ficou a verdadeira cultura, a cultura do homem? Tudo isto por imperativos economicistas. O homem vale pelo que produz e produz em quantidade, medível em alguma unidade de medida e espera-se, exige-se, a evolução e a evolução é produzir sempre mais, para ter mais mérito e arrecadar mais prémios, sejam materiais, sejam outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;… e volta aos exemplos esmerados.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Aculturámo-nos a uma turquês gigante com dois tentáculos que comprimem o homem. Por cima um braço que se divide em dois, a economia, ou finanças, ou outra coisa mesma, é um, a competitividade, a rivalidade, eu tenho que fazer mais, ser maior, é outro. Por baixo um braço que imita em dois o primeiro, o consumismo e o supérfluo, é um, a vaidade e a leviandade, é outro. E a turquês aperta e o homem esborracha-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E o Zé remata, endireita-se, ergue o braço, desafia.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se porém quisermos criar outra cultura, assente no homem, sem hipocrisia nem mentira, se quisermos construir outra civilização, para lucro do homem e não do capital, o que sempre teremos de fazer, mais tarde ou mais cedo, pela reforma ou pela revolução, então a conversa e a história seriam outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-4369897244447130356?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/4369897244447130356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/4369897244447130356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/05/16o-esforo-e-o-mrito.html' title='26.O esforço e o mérito'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-4171621397781635503</id><published>2008-05-14T00:00:00.000+01:00</published><updated>2008-05-23T18:58:25.517+01:00</updated><title type='text'>25.Por onde anda a Democracia? Mário Crespo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pronto! Finalmente descobrimos aquilo de que Portugal realmente precisa: uma nova frota de jactos executivos para transporte de governantes. Afinal, o que é preciso não são os 150 mil empregos que José Sócrates anda a tentar esgravatar nos desertos em que Portugal se vai transformando. Tão-pouco precisamos de leis claras que impeçam que propriedade pública transite directamente para o sector privado sem passar pela Partida no soturno jogo do Monopólio de pedintes e espoliadores em que Portugal se tornou. Não precisamos de nada disso. Precisamos, diz-nos o Presidente da República, de trocar de jactos porque aviões executivos "assim" como aqueles que temos já não há "nem na Europa nem em África". Cavaco Silva percebe, e obviamente gosta, de aviões executivos. Foi ele, quando chefiava o seu segundo governo, quem comprou com fundos comunitários a actual frota de Falcon em que os nossos governantes se deslocam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voei uma vez num jacto executivo. Em 1984 andei num avião presidencial em Moçambique. Samora Machel, em cuja capital se morria à fome, tinha, também, uma paixão por jactos privados que acabaria por lhe ser fatal. Quando morreu a bordo de um deles tinha três na sua frota. Um quadrimotor Ilyushin 62 de longo curso, versão presidencial, o malogrado Antonov-6, e um lindíssimo bimotor a jacto British Aerospace 800B, novinho em folha. Tive a sorte de ter sido nesse que voei com o então Ministro dos Estrangeiros Jaime Gama numa viagem entre Maputo e Cabora Bassa. Era uma aeronave fantástica. Um terço da cabina era uma magnífica casa de banho. O resto era de um requinte de decoração notável. Por exemplo, havia um pequeno armário onde se metia um assistente de bordo magro, muito esguio que, num prodígio de contorcionismo, fez surgir durante o voo minúsculos banquetes de tapas variadíssimas, com sandes de beluga e rolinhos de salmão fumado que deglutimos entre golinhos de Clicquot Ponsardin. Depois de nos mimar, como por magia, desaparecia no seu armário. Na altura fiz uma reportagem em que descrevi aquele luxo como "obsceno". Fiz nesse trabalho a comparação com Portugal, que estava numa craveira de desenvolvimento totalmente diferente da de Moçambique, e não tinha jactos executivos do Estado para servir governantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta fase, metade dos rendimentos dos portugueses está a ser retida por impostos. Encerram-se maternidades, escolas e serviços de urgência. O Presidente da República inaugura unidades de saúde privadas de luxo e aproveita para reiterar um insuspeitado direito de todos os portugueses a um sistema público de saúde. Numa altura destas, comprar jactos executivos é tão obsceno como o foi nos dias de Samora Machel. Este irrealismo brutalizado com que os nossos governantes eleitos afrontam a carência em que vivemos ultraja quem no seu quotidiano comuta num transporte público apinhado, pela Segunda Circular ou Camarate, para lhe ver passar por cima um jacto executivo com governantes cujo dia a dia decorre a quilómetros das suas dificuldades, entre tapas de caviar e rolinhos de salmão. Claro que há alternativas que vão desde fretar aviões das companhias nacionais até, pura e simplesmente, cingirem-se aos voos regulares. Há governantes de países em muito melhores condições que o fazem por uma questão de pudor que a classe que dirige Portugal parece não ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi o majestático François Miterrand ir sempre a Washington na Air France. Não é uma questão de soberania ter o melhor jacto executivo do Mundo. É só falta de bom senso. E não venham com a história que é mesquinhez falar disto. É de um pato-bravismo intolerável exigir ao país mais sacrifícios para que os nossos governantes andem de jacto executivo. Nós granjearíamos muito mais respeito internacional chegando a cimeiras em voos de carreira do que a bordo de um qualquer prodígio tecnológico caríssimo para o qual todo o Mundo sabe que não temos dinheiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-4171621397781635503?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/4171621397781635503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/4171621397781635503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/05/25por-onde-anda-democracia-mrio-crespo.html' title='25.Por onde anda a Democracia? Mário Crespo'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-4181796425063005720</id><published>2008-05-10T00:00:00.000+01:00</published><updated>2008-05-11T13:08:57.660+01:00</updated><title type='text'>24.Não mintam mais aos nossos filhos!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Meu caro Zé:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazendo minhas as suas palavras, “&lt;em&gt;esta é a minha pequeníssima contribuição, mas já é alguma, para o &lt;strong&gt;movimento de indignação nacional&lt;/strong&gt;”,&lt;/em&gt; venho enviar-lhe um texto do Miguel Mattos Chaves, que entendo da maior importância e oportunidade por estes finais de Abril. Antes disso, porém, gostaria de à laia de preâmbulo deixar duas notas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira refere-se à construção da História, não a dos factos genuínos realmente acontecidos, mas a da versão falseada que sobre eles se edificou. Como sabemos a história é dos vencedores e não dos vencidos, destes &lt;em&gt;não reza a história&lt;/em&gt;, como é comum dizer-se, quer isto significar, que os vencedores materiais, &lt;em&gt;de factu&lt;/em&gt; e com toda a probabilidade não &lt;em&gt;de jure&lt;/em&gt;, forjam a contorção que mais lhes convém para justificarem a si próprios e ao mundo o porquê dos actos empreendidos, a qual versão passa a ser desde então a oficial. E quanto mais a vitória é imoral ou injusta, caso houvesse lugar a aplicar tão cândidos conceitos no contexto do poder e da força, maior é a mentira dos vencedores. Sempre foi assim e continuará a ser. Já na antiguidade dizia Breno, célebre caudilho gaulês que derrotou e saqueou Roma no ano de 390 a.C., vae victis! Ai dos vencidos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso que passe a geração dos vencedores e fazedores da História para que aos poucos e poucos a verdade aprisionada comece a libertar-se. Muitas vezes é necessária mais do que uma geração, tão enraizada na cultura oficial foi a mentira, e é sempre dramática a revelação da realidade porque fatalmente acabará por opor pais e filhos, os pais porque autores ou cúmplices de um legado falso, os filhos porque descobrem ser vítimas de um embuste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora desta falsificação da História não se escaparam nem Portugal nem os portugueses no que se refere quer ao 25 de Abril, quer ao &lt;em&gt;processo de descolonização&lt;/em&gt;. A história que nos tem sido contada pelos seus protagonistas e afins, geração ainda viva, está cheia de mentiras, pelas razões óbvias de tentar esconder a verdade sobre si próprios, de quem eram, e de justificar à luz de ideais não existentes, porque o fizeram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta geração, há uns que viveram a História e conhecem a verdade, mas não têm assento, nem voz, há outros que também a viveram e torcem a verdade, por exclusivas razões de má consciência ou de outra forma perderiam respeito por si próprios, e há muitos outros que não sabendo minimamente do que falam, ou papagueiam o discurso disciplinado do &lt;em&gt;politicamente correcto&lt;/em&gt;, ou ainda, por maior zelo de conveniência, mais inventam. Que os segundos tenham mentido a si próprios e à sua geração é grave, que os terceiros, meros fantoches daqueles, os imitem na mentira, continua a ser grave, mas agora que ambos mintam descaradamente aos seus filhos, isso já é intolerável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mal está feito, em muitos casos irreparável, o tempo não retrocede, a história é assim, não há uma história perfeita, os vencedores mentiram, esconderam-se na falsidade, não tiveram a coragem da verdade, foram cobardes, hoje poderão não ter ainda a bravura do arrependimento e da confissão, o homem é fraco, mas há uma coragem mínima que lhes é exigida, não mentirem mais aos seus e aos nossos filhos. Se não a tiveram para si que a tenham pelo menos para os seus filhos! Chega de história política, é tempo da verdadeira História.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tudo isto o texto do Miguel Mattos Chaves é uma lufada de ar fresco da verdade da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E termino aqui a primeira nota, longa, mas necessária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à segunda é uma precaução que infelizmente se justifica na previsão da fuga de certos leitores facciosos, intelectualmente desonestos, que não tendo argumento que pese procuram desviar as atenções para o lugar comum dos rótulos ideológicos apressados. São estes os caciques que depauperados de toda a imaginação, enchem a boca das palavras, reaccionário, fachista, colonialista etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas desenganem-se tais enganadores, pois provavelmente sou na prática da vida mais apologista da autodeterminação dos povos, que outra coisa não poderia patrocinar em coerência com a defesa dos direitos humanos elementares de que me tenho constituído acérrimo combatente, do que muitos daqueles serão mesmo em teoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por isso podem pois esses senhores abster-se dessas fabulações descabidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está assim desfeita a previsível refutação porquanto não é nada disso que se trata mas de repor a verdade histórica das intenções e dos factos. Apresento, então, sem mais demoras o texto do Miguel Mattos Chaves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um abraço, António.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O MPLA já não tinha ninguém em armas, no terreno.&lt;br /&gt;Miguel Mattos Chaves&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A situação do MPLA no 25 de Abril era a de movimento político pois já não tinha guerrilheiros armados e organizados. Estava reduzido a quadros políticos, a maior parte dos quais fora de Angola, rodeados de mordomias e benesses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou Português e envergonho-me do que se passou depois do 25 de Abril de 1974 em Angola. Até hoje mantive o silêncio sobre o que se passou em Angola, onde prestei Serviço Militar no período de 1973 a 1975. Mas hoje… após ver o que está abaixo escrito, em entrevista… não posso mais ficar calado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria uma Traição à memória de centenas de milhares de civis e militares, negros e brancos, que morreram no período pós-25 de Abril de 1974, em Angola. Traição, tanto maior quanto o branqueamento que o entrevistado pretendeu fazer sobre o que aconteceu e branqueamento perante a real situação no terreno da Província de Angola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos a factos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - &lt;strong&gt;Desde 1968&lt;/strong&gt; que não havia confrontos, dignos desse nome, na província entre as tropas portuguesas e os movimentos terroristas, depois ditos de libertação;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - &lt;strong&gt;O MPLA já não tinha ninguém em armas&lt;/strong&gt;, no terreno. A situação do MPLA no 25 de Abril era a de movimento político pois já não tinha guerrilheiros armados e organizados. Estava reduzido a quadros políticos, a maior parte dos quais fora de Angola, rodeados de mordomias e benesses;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 - Este movimento reorganizou-se por força das sucessivas traições cometidas após o 25 de Abril, patrocinadas por &lt;strong&gt;Oficiais Militares Portugueses do Quartel General&lt;/strong&gt; que lhes forneceram equipamento e armamento e instrução. A sua base de recrutamento foi a população jovem dos Musseques de Luanda, principalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 - O oficial que &lt;strong&gt;mais responsabilidades teve no processo foi o Almirante Rosa Coutinho&lt;/strong&gt;, pois foi na sua época que o MPLA conseguiu o apoio e a logística suficientes, para que conseguisse por volta de Julho/Agosto de 1975, "correr de Luanda" com os outros movimentos (FNLA e UNITA). O "Almirante Vermelho", mais o Pezarat Correia e outros que tais do QG, que deviam ter sido julgados pelo crime de Alta Traição à Pátria, foram quem patrocinou tudo aquilo que tive de aturar e tentar minorar, juntamente com os meus homens, na cidade de Luanda. Houve noites em que tivemos de acartar mortos dos Musseques para cima das Berliets. Tivemos que defender casas particulares, de escoltar civis até ao aeroporto... etc...etc...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 - Andei em patrulhamentos com os 3 Movimentos, falei com os seus soldados e oficiais, e sei do que falo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 - &lt;strong&gt;Dos 3 movimentos: &lt;/strong&gt;O&lt;strong&gt; MPLA&lt;/strong&gt; - era constituído por soldados e oficiais recrutados à pressa nos Musseques e armados pelos ditos Oficiais do QG (dito português); Mal sabiam pegar nas armas e disciplina… nem sabiam o que era; O &lt;strong&gt;FNLA&lt;/strong&gt; - era constituído por soldados Catangueses, que falavam correctamente o Francês. Alguns…digo bem, alguns, dos oficiais sabiam falar português; A &lt;strong&gt;UNITA&lt;/strong&gt; - era constituída por soldados e oficiais disciplinados e com uma hierarquia copiada das nossas forças armadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7 - Repito, andei com os TRÊS Movimentos nas viaturas que eu comandava, em acções de patrulhamento em Luanda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8 - O Dr. Jonas Savimbi tinha sido convidado em 1973 para Governador da Província de Sá da Bandeira pelo Governo chefiado pelo Prof. Doutor Marcelo Caetano. Não aceitou pois preferia ser Secretário Provincial numa de duas pastas: Justiça ou Educação. A UNITA fazia de tampão e colaborava com as forças armadas portuguesas, face a tentativas de infiltração da FNLA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9 - O FNLA tinha dois BI-GRUPOS, no território. A base do Canacassala, ao pé de Nambuangongo, estava de há muito abandonada e desactivada (desde 1970, segundo informações dos homens da JAEA e de outros homens no terreno (não identifico pois não confio no entrevistado e não sei se estes estão ainda vivos);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 - Estatísticas da Região Militar de Angola: &lt;strong&gt;80% dos mortos entre 1961 e 1975 foram desastres de viação;&lt;/strong&gt; apenas 20% foram mortos em combate. Sucede que só tinham direito a pensão de sobrevivência as famílias dos militares mortos em combate. Logo para não prejudicar as famílias eram os relatórios fechados com a aposição de morto em combate. No meu próprio Batalhão tivemos 8 mortos. TODOS em desastres de viação. No relatório: mortos em combate... A GUERRA em ANGOLA TINHA ACABADO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11 - &lt;strong&gt;Vamos agora ao movimento dos capitães&lt;/strong&gt; de que V.Exª devia TER VERGONHA de ter pertencido: &lt;strong&gt;3 reivindicações dão origem ao Movimento dos pretensos "libertadores":&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(A) &lt;strong&gt;Melhores salários&lt;/strong&gt; a pagar a quem estivesse em Z.O. a 100% (Zona Operacional mais perigosa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(B) &lt;strong&gt;Reequipamento em material de guerra e viaturas&lt;/strong&gt;, das tropas em missão de soberania (citei)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(C) Que os Oficiais do Quadro de Complemento (MILICIANOS como eu) &lt;strong&gt;não tivessem acesso à carreira de Oficial do Quadro Permanente.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;E foram estes os "NOBRES" motivos do Movimento dos mentecaptos que deram cabo de Portugal, de Angola, de Moçambique da Guiné, etc… e que &lt;strong&gt;são os responsáveis&lt;/strong&gt; por milhares de mortes nas ex-províncias ultramarinas; &lt;strong&gt;são os responsáveis&lt;/strong&gt; por milhares de famílias que ficaram sem os seus haveres; &lt;strong&gt;são os responsáveis&lt;/strong&gt; por 800.000 portugueses, negros e brancos, terem de fugir das suas casas e se virem espoliados dos seus bens; &lt;strong&gt;são os responsáveis&lt;/strong&gt; por milhares de soldados negros, que serviram sob a sua bandeira: a Portuguesa, terem sido fuzilados após a independência desses territórios, após a fuga dos "Libertadores"; &lt;strong&gt;são os responsáveis&lt;/strong&gt; pelo abandono de Timor e pelo genocídio que em seguida se deu no território, etc... etc... Por muito menos teriam sido (por exemplo nos EUA), julgados e condenados à morte, por conivência em Genocídios ou pelo crime de Alta Traição. E foram em Junho de 1972 para o Terreiro do Paço em manifestação fardada, aproveitando as fraquezas e hesitações do Prof Marcelo Caetano; Fraca figura. Fracos dirigentes…fazem fraca… a forte gente. E, mais uma vez na nossa história, assim foi!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12 - Como essas reivindicações não podiam ser todas satisfeitas de repente, e como não lhes foi dada atenção face ao impedir os Oficiais Milicianos de acederem ao Quadro Permanente, começaram a conspirar e desabaram no 25 de Abril. &lt;strong&gt;Reivindicação mais corporativa que esta não conheço&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13 - A partir de 1973 são manipulados (esses inteligentes capitães e seus idiotas superiores aliados) pelo PCP. Depois foi o que se viu… Pensavam que sabiam… os coitados...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14 - O Episódio da Vila Alice! Senhor não diga asneiras! Aliás todo o seu depoimento é vergonhoso, bem digno dos "inteligentes do 25 de Abril". O Alferes da Polícia Militar, O Furriel da Polícia Militar e os dois soldados da viatura, foram aprisionados pelos esbirros do MPLA, só possível pela conivência da desordem reinante em Luanda e pela cumplicidade activa dos Oficiais do Quartel General. De imediato o Batalhão de Comandos (estacionado no Grafanil) teve conhecimento, e dois outros batalhões de infantaria, entre os quais o meu, se mobilizaram por ordem dos seus comandantes, que... NÃO alinhavam com os MFosos (os do MFA). De imediato se montou uma operação coordenada de cerco à Vila Alice (para os que não sabem a Vila Alice era o Quartel General do MPLA) - (SEM O CONHECIMENTO DO QG português) - (Está tudo documentado pela TVE, pois os documentos portugueses já devem ter desaparecido) e o Oficial, o Furriel e os Soldados foram resgatados (o Alferes com ferimentos numa perna e num braço foi levado para o HMP de Luanda, onde foi tratado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15 - Foram mortos 27 homens do MPLA. O resto foi preso "à chapada". Foram desarmados e aprisionados pelas forças portuguesas no terreno (das quais eu, COM MUITA HONRA, fazia parte ... PERCEBEU?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16 - Comentário do Jornalista da TVE: como é que os Oficiais Portugueses dizem que perderam a Guerra em Angola, depois do que aconteceu hoje? Sem comentários...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17 - Os Comandantes e restantes Militares do MPLA foram soltos por pressões dos Altos Comandos do Q.G. Senão... teria acabado ali o MPLA. PERCEBEU?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço desculpa do tom agressivo com que escrevi estas linhas. Mas estou farto de mentiras acerca de coisas e factos em que participei activamente. Estou FARTO DE PESSOAS QUE TRAÍRAM A FARDA DAS FORÇAS ARMADAS e A BANDEIRA de PORTUGAL. Não revelo Nomes de pessoas, pois não sei se ainda estão vivas. E com gente desta, MENTIROSA, VINGATIVA, nunca se sabe. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;Por mim não tenho medo. O meu nome é &lt;strong&gt;Miguel Mattos Chaves&lt;/strong&gt;, sou Português e envergonho-me do que se passou depois do 25 de Abril de 1974 em Angola. Por isso tenho estado calado. Mas se calhar está na hora de falar mais e denunciar os Traidores, Cobardes e Mentirosos. Se calhar está na hora de divulgar os nomes dos traidores… Bem hajam por acolherem este meu desabafo. ESTOU a ficar FARTO de ESTAR CALADO...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Estava de pé, e ela sentada, contava-lhe factos políticos históricos, e ela jovem, vinte e poucos, cara expressiva, modos despachados, esperta mas pura, resposta pronta nem sempre pensada, fitava-me presa e desconcertada, eram tantas as surpresas sobre o que lhe tinham dito e falado, olhos vivos, arregalados, e interrompia-me como já o fizera amiúde e de seu modo impulsivo e dizia-me «já há tantas associações por isto e por aquilo, porque não criar uma Associação para a Defesa da História?» e interrompi-me, agora eu, suspenso naquela ideia original, que nunca me atravessara, tão oportuna e necessária para este país, para esta geração e neste tempo, revirei-a, meditei-a por instantes e como quem lhe passa pelas mãos uma causa que não pode segurar respondi-lhe: «realmente é uma excelente ideia, mas eu já tenho tanta coisa que não posso, pode ser que alguém se lembre e eu adiro».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chama-se Raquel. São estes filhos que um dia haverão de repor a verdade.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-4181796425063005720?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/4181796425063005720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/4181796425063005720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/05/23no-mintam-mais-aos-nossos-filhos.html' title='24.Não mintam mais aos nossos filhos!'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-1683048775451362472</id><published>2008-05-03T00:00:00.002+01:00</published><updated>2008-05-18T21:06:59.018+01:00</updated><title type='text'>23.Democracia portuguesa é das piores da Europa - João Pedro Henriques</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A qualidade da democracia portuguesa está longe de ser comparar às melhores democracias europeias. Ao invés, encontra-se bastante abaixo da média, situando-se ao nível de países como a Lituânia e a Letónia, e só acima da Polónia e da Bulgária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As conclusões são da Demos, uma organização não governamental (ONG) britânica que tem por principal objectivo "pôr a ideia democrática em prática" através, por exemplo, de estudos. A Demos divulgou no final de Janeiro um "top" de avaliação da qualidade democrática em 25 países da UE denominado "Everyday democracy index" (EDI, cuja tradução possível será "index da democracia quotidiana"). Trata-se de uma avaliação sofisticada que envolve mais itens do que o normal em avaliações deste género. O escrutínio não se fica pelos aspectos formais da democracia (eleições regulares, por exemplo). Vai mais longe, avaliando o empenho popular na solução democrática dos seus problemas e, por exemplo, a qualidade da democracia dentro das relações familiares. (…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No EDI, Portugal está em 21º lugar, ficando apenas à frente da Lituânia, da Polónia, da Roménia e da Bulgária. Vários países que até há poucos anos orbitavam no império soviético encontram-se melhores classificados, segundo este "top".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se passa então com Portugal? Olhando para o gráfico, percebe-se a resposta: de um ponto de um ponto de vista da democracia formal, Portugal fica em 14º lugar, acima de países como a Espanha ou a Grécia ou a Itália. O que puxa a democracia portuguesa para baixo são os outros critérios. Por exemplo: a participação. Aqui a posição portuguesa desce para 19º lugar. Ou seja, as instituições políticas formais estão pouco cercadas de associações cívicas que as escrutinem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um aspecto inovador do estudo da Demos é o que avalia também a "democracia familiar". Tenta perceber-se em que países há mais direitos para cada um escolher a estrutura familiar. Entre os 25 países analisados, Portugal ficou em 21º. (…) Os países protestantes tendem a ser mais abertos que os católicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verificou-se, por outro lado, que não há uma relação directa entre a qualidade formal da democracia e a qualidade da democracia quotidiana, que é tanto aquela que se exerce numa assembleia de voto como aquela que se pratica na reunião familiar onde se decidem as férias do Verão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-1683048775451362472?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/1683048775451362472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/1683048775451362472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/05/23democracia-portuguesa-das-piores-da.html' title='23.Democracia portuguesa é das piores da Europa - João Pedro Henriques'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-929052510752541053</id><published>2008-04-26T00:00:00.002+01:00</published><updated>2008-05-01T22:40:11.920+01:00</updated><title type='text'>22.Três homens, uma indiferença, uma mentira e um voto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Zé decidiu votar em branco. Decisão reflectida e coerente. Qualquer outra opção fá-lo-ia perder o respeito por si próprio. Mas não foi fácil, para lá chegar e assim concluir e dispor, teve que vencer dois tenazes opositores, que do terceiro, o da revolução, aqui não nos detemos, cada um com seu magistério da verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro foi o Segismundo, que para fazer jus ao nome, era chupado como se imagina, bigode prematuramente grisalho e o resto por esse caminho, que clamava: «eu cá, abstenho-me! Não pactuo com nenhum desses aldrabões!» Para ele a generalização simplista: «é político, logo aldrabão!» Segismundo cansara-se, eram muitos anos de desilusão engolida; já sofrera toda a democracia. Homem desenganado que se vivesse no tempo do &lt;em&gt;grupo jantante&lt;/em&gt; a ele se reuniria com vénia, ou no Café Tavares ou no Hotel Bragança, e com ele haveria de partilhar o conceito: "Para um homem, o ser vencido ou derrotado na vida depende, não da realidade aparente a que chegou – mas do ideal íntimo a que aspirava".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo foi o Inácio, sem particularidade física de realce que não fosse uma normalidade ressentida, quer dizer, tinha pena de no aspecto ser igual ao comum dos portugueses, sem fisionomia que destacasse, com excepção de uma careca precoce. Homem fiel às urnas, sempre de opinião preparada, tivesse ou não convicção que a escorasse, ora votando no partido social-democrático, ora votando no partido socialista, conforme o ar fosse e o vento soprasse, «de acordo com o que a situação impõe!» explicava doutamente, advogando para este estado de decepção que apesar de tudo reconhecia, o voto útil. Não é que concordasse com o partido que ia sufragar, mas justificava-se na presunção de atenuar a sua contradição: «do mal o menos». Inácio considerava-se um pragmático; homem de apurado sentido da realidade, a sua, está claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim eram os dois e o nosso Zé matutava. Ouvia-os com paciência e congeminava com prudência, à luz da inteligência e na distância da lucidez. Fazia este exercício de se colocar no lugar da História para daí ter maior visão e abrangência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os três, e só nisso aparentemente se punham de acordo, votar por convicção em qualquer dos dois partidos susceptíveis de governo que se apresentavam às eleições nesse ano de 2009, relembre-se, psd ou ps, estava completamente fora de questão, seria, assim o confirmavam, a maior das incoerências imagináveis, atendendo, ora ao mal fazer, ora ao não fazer, à vez, ora tu, ora eu, sem reserva de arrependimento e nalguns casos de consciência, porque nem sabiam o que faziam, e da incúria com que ano após ano, rodando um sobre o outro, iam em cumplicidade promíscua levando o país na modorra da pasmaceira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o Zé ainda lhe saía mais grave. Então não era que o bom povo apesar de passar os quatro anos de governo a dizer mal com causa e fundamento, revoltado e cheio de boas razões, na altura das eleições lá ia, como papalvo depressa esquecido, botar o papel no esquife? Não! Com ele, essas levianas falhas de memória nunca poderiam ocorrer sob pena de perder todo o respeito por si próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproximemo-nos então dos três amigos, ouçamos o seu diálogo, penetremos no seu pensamento, aquilatando das suas razões e fundemos por fim, mas com virtude, a nossa sentença. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;O Zé dizia ao Segismundo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A ti já te percebo. Pela abstenção das duas uma, ou rejeitas qualquer dos partidos ou repudias o regime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Segismundo respondia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A última, a última, está claro, repúdio total e completo do regime. Não pactuo mais com esta cambada. Não vês que o regime caiu de podre? Continuar a votar é ser cúmplice da corrupção e da incompetência. Se todos se abstivessem seria a prova provada, da falência do sistema. Era o grito do povo, basta! E então teria que se inventar outro sistema, outro regime, que não o destes partidos sem ideologia em rotatividade permanente, cúmplice e promíscua. E rematava: «A abstenção é o voto verdadeiramente inteligente e consequente!»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Zé retorquia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A tua utopia, deixa-me que lhe chame assim, tem duas falhas sobre as quais o teu edifício retórico ruirá antes mesmo de ser erguido, isto é, a acontecer como dizes nunca aconteceria como esperas. Explico-me. A primeira falha no teu discurso é que nem toda a gente que se abstém o faz por intenção, mas muita há que o faz por indiferença, negligência, preguiça e todos os demais adjectivos do &lt;em&gt;está-se marimbando&lt;/em&gt;, quer dizer, da abstenção não se pode inferir linearmente que se está contra o regime, o que já pode acontecer com o voto em branco, este sim, é completamente diferente, tem intenção clara, duma só leitura, única e inequívoca, como mais à frente e quando chegar a minha vez provarei pela lógica irrefutável da razão. A segunda falha que abriste tem a ver com a eficácia da abstenção, que é nenhuma, que é nula, uma vez que, e aqui entra de novo a tua utopia, a abstenção nunca será de cem por cento, pela simples razão de que, pelo menos os que já lá estão, bem aliciados no poder, sempre haverão de votar em si mesmos, para de lá não se despegarem, correndo tu o risco, com a &lt;em&gt;inteligente e consequente abstenção&lt;/em&gt;, como lhe chamaste, de lhes dar de mão beijada a maioria absoluta. Em vez de os castigar ainda os premeias… Espera, deixa-me acabar. Imagina por exemplo que a abstenção era de noventa e cinco por cento, e tu eufórico e os políticos ralados, porque dos míseros cinco por cento sobrantes poderiam sacar uma maioria absoluta para governar. Vê por exemplo o que aconteceu em 2005. O partido das abstenções foi o partido maioritário com 34,98% de votos, seguido pelo partido socialista com 29,29%, no entanto este último governa com maioria absoluta, o que significa que em cada dez homens três impõem a sua vontade contra a de sete. É claro que um partido com uma maioria absoluta assim forjada nunca a deveria ter pois governa em tirania contra a maioria. Obviamente que não é uma democracia, é uma ditadura, não é a vontade da maioria que impera mas a da minoria que ordena, por obra e graça de uma aritmética anti-democrática engendrada por quem costurou o poder a seu feitio. É trágico mas é verdade; assim se funda o nosso sistema democrático sobre defeito gritante que lhe contradiz o seu espírito. Portanto, meu caro, quando te absténs favoreces a ditadura dos menos sobre os mais, servindo exclusivamente quem se serve do poder. Resumindo e acabo agora, fica provado que a abstenção, tal como as contas são feitas, melhor dizendo, desfeitas, é um regalo para os que lá estão, ou para os que querem para lá voltar, nada aproveitando às verdadeiras maiorias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Segismundo convenceu-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Zé voltou-se para o Inácio e disse-lhe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tu, meu caro, que te proclamas baluarte da democracia procedes como seu inimigo, não sei se pior ou melhor que o abstencionista, mas igualmente como ele dando azo a desastrosas consequências. Com o teu voto &lt;em&gt;útil&lt;/em&gt;, útil para quem? fazes um péssimo serviço à democracia, na qual garantes continuar a acreditar e não fora eu saber-te honesto, só poderia duvidar, porque o voto útil na actual conjuntura, em que não são os opostos que se digladiam, mas os semelhantes que se cobiçam, perdoa-me que te diga, é de total irresponsabilidade, porquanto introduz no xadrez das vontades uma mentira política. A única coisa que com isso provocas, e como tu, todos os outros como tu, é a perpetuação em equívoco perpétuo, passe a redundância, do genuíno querer do povo. Ora, se tu próprio dizes que já não acreditas em nenhum partido, contrarias naquilo que fazes aquilo que anuncias, sob a desculpa esfarrapada, perdoa-me outra vez a acidez adjectiva, do mal menor, assim preceituando que sempre sobrevivamos nesse mal menor. E se quisermos ir mais longe, apelando à filosofia das coisas, arte pura descomprometida, a tua conduta ainda se torna mais grave pela subversão dos princípios da liberdade que estão na génese e subjacentes à própria ideia de democracia, pois serves-te dela para mentir e não para gritares a tua vontade, supostamente íntegra de verdade. No fundo usas a democracia não sendo democrata, usas a forma renegando o conteúdo, corrompendo-lhe o espírito. A democracia assim não é, não interessa, deixou de ser democracia para passar a ser mais um jogo de mentiras. Vale mais, mil vezes, que venha o mal maior, qual mal? qual maior? para a depuração definitiva, a catarse purificadora. Preferes a mentira comprometida, como se não fossem todas, à verdade regeneradora. Tu, e todos como tu, que defendem o voto útil, são uns empecilhos à mudança, permanecem na noite entravando a aurora, passam a vida a esconder e a esconder-se da realidade. Têm medo do primeiro amanhã de esperança. Desculpa o meu tom, mas a ideia abomina-me e insurjo-me contra o engano que ela em ti tece. Resumindo, tal como fiz com o Segismundo, e de seguida termino, fica provado que o voto útil é uma mentira pessoal e política, que não aclara mas confunde, que não deixa a verdade da vontade transparecer mas soterra-a, que não é leal, nem para ti, nem para os outros, nem para o regime, porque a todos engana. É para isto que serve a democracia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Inácio convenceu-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faltava agora o Zé fazer a apologética do voto em branco, tal como havia prometido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram uma vez três homens, começou ele a desembrulhar uma metáfora, o primeiro chamava-se Segismundo e um dia ao avistar um edifício que caía de podre, deu a volta e passou ao largo, mais não fez; o segundo chamava-se Inácio e ao passar pelo mesmo sítio deu com o edifício podre e, não obstante, resolveu entrar. Mirou, cheirou, apalpou, e não se sabe que mais, dizendo por fim para si, «Isto de facto está a cair de podre e não tem ponta por onde se pegue, mas deixa-me cá pôr umas cordas por aqui e umas espetas por ali, mais umas travessas por acolá, e ainda é capaz de se aguentar uns tempitos mais». Assim fez e brioso da obra feita saiu para a rua e contemplou, mas o edifício detinha-se por fora na podridão, sem mudança que se enxergasse; o terceiro chamava-se Zé, também por lá andou, também viu e a entrar se aventurou, mas dando-se conta que as paredes já se deitavam sem encosto que lhes valesse, o tecto já desfalecia sem amparo que o sustentasse e o chão já se afundava sem escora que o agarrasse, concluiu que cordas, espetas ou travessas não eram cura mas mais esterqueira, em nada compunham mas tudo precipitavam e achou por bem, antes que o edifício ruísse em grande estouro e maior tragédia, apelar ao capataz para de obras urgentes tratar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, como bem se entende, o edifício podre é o regime, o Segismundo, o que se abstém, o Inácio, o que vota &lt;em&gt;útil&lt;/em&gt;, o Zé o que vota em branco, o grande estouro e maior tragédia são a revolução e o capataz, o Presidente da República.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A abstenção é a inconsequência, qualquer que lhe seja o móbil, negligência ou repúdio, é anti-democrática, fica-se por fora do sistema, ignora-o de longe. Está podre? Deixa-o estar! O voto útil é a incongruência, sem liberdade e sem vontade, é anti-democrática, faz-se cúmplice da corrupção do sistema, deita-lhe cordas, espetas e travessas, apenas para lhe alongar a agonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde está neles a responsabilidade cívica? Onde está neles o respeito pelo concidadão e pela instituição democrática? Seguramente que em nenhum está, nem na abstenção, nem no voto útil, mas exclusivamente no voto em branco, e isto em três momentos e tantas razões que nele coincidem, pois quando voto em branco digo três coisas sem equívoco: Primeiro, que aceito o processo eleitoral e cumpro com as regras de jogo democrático, mesmo que repudie o regime, segundo, que recuso os partidos que se me propõem, e terceiro não deixo, apesar de tudo, de praticar um acto livre de vontade, sou verdadeiro no meu querer, sem mazela de hipocrisia, com a vantagem acrescida sobre a abstenção de o meu voto em branco contar para as &lt;em&gt;contas&lt;/em&gt;, ao contrário daquela, e assim diminuir a probabilidade da falácia de uma hipotética maioria absoluta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Zé disse e os outros convenceram-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram-se umas semanas, vieram as eleições. O Segismundo absteve-se, não porque quisesse, mas porque logo por azar lhe calhou nesse dia uma comezaina fora de portas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Inácio votou útil, não porque quisesse, mas porque tinha que ser…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Zé, recebido o papelucho, sem se arredar da mesa eleitoral para o vestíbulo improvisado no canto da sala de aulas da escola, e sem puxar de caneta para riscar qualquer quadrado, dobrou-o duas vezes e botou-o na ranhura. Tinha votado em branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-929052510752541053?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/929052510752541053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/929052510752541053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/04/22trs-homens-trs-votos.html' title='22.Três homens, uma indiferença, uma mentira e um voto'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-2742884927434119125</id><published>2008-04-23T00:00:00.012+01:00</published><updated>2008-12-10T09:48:43.979Z</updated><title type='text'>21.O que era o partido Reformista</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/SA-1zU27DII/AAAAAAAAAIM/V0S1FjNYklE/s1600-h/E%C3%A7a+de+Queiroz+1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5192568788758498434" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" height="169" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/SA-1zU27DII/AAAAAAAAAIM/V0S1FjNYklE/s200/E%C3%A7a+de+Queiroz+1.jpg" width="110" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt; Eça de Queiroz&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Nota:&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Qualquer semelhança com o partido no governo no ano de 2008 não é mera coincidência mas pura correspondência.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;"Ninguém se aproximava dele, no meio da imensa impressão que causava nos moços de fretes. Por fim, pouco a pouco, alguns jornalistas mais curiosos foram-se chegando, começaram a tocar-lhe com o dedo, a ver se era de pau. Era de carne, verdadeiro. Percebeu-se mesmo que falava. Então os mais audaciosos fizeram-lhe perguntas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Senhor - disseram - espalhou-se por aí que vindes restaurar o País. Ora deveis saber que um partido que traz uma missão de reconstituição deve ter um sistema, um princípio que domine toda a vida social, uma ideia sobre moral, sobre educação, sobre trabalho, etc. Assim, por exemplo, a questão religiosa é complicada. Qual é o vosso princípio nesta questão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Economias! - disse com voz potente o partido reformista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espanto geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Bem! e em moral?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Economias! - bradou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Viva! e em educação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Economias! - roncou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Safa! e nas questões de trabalho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Economias! - mugiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Apre! e em questões de jurisprudência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Economias! - rugiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Santo Deus! e em questões de literatura, de arte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Economias! - uivou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia em torno um terror. Aquilo não dizia mais nada. Fizeram-se novas experiências. Perguntaram-lhe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Que horas são?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Economias! - rouquejou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo o mundo tinha os cabelos em pé. Fez-se uma nova tentativa, mais doce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— De quem gosta mais, do papá, ou da mamã?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Economias! - bravejou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um suor frio humedecia as camisas. Interrogaram-no então sobre a tabuada, sobre a questão do Oriente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Economias! - gania.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi necessário reconhecer, com mágoa, que o partido reformista não tinha ideias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Possuía apenas uma palavra, aquela palavra que repetia sempre, a todo o propósito, sem a compreender. O partido reformista é o papagaio do Constitucionalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O partido reformista apareceu um dia, de repente, sem se saber como, sem se saber por que. Era um estafermo austero, pesado, de voz possante. Ninguém sabia bem o que aquilo queria. Alguns diziam que era o sebastianismo sob o seu aspecto constitucional; outros que era uma seita religiosa para a criação do bicho-da-seda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corriam as mais desvairadas opiniões. Apresentava-se tão grave, tão triste, tão intransigente, que no Chiado afirmava-se ser um personagem da história romana - empalhado!" &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-2742884927434119125?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/2742884927434119125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/2742884927434119125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/04/21o-que-era-o-partido-reformista-ea-de.html' title='21.O que era o partido Reformista'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/SA-1zU27DII/AAAAAAAAAIM/V0S1FjNYklE/s72-c/E%C3%A7a+de+Queiroz+1.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-1937082536654418424</id><published>2008-04-19T00:00:00.001+01:00</published><updated>2008-04-21T09:43:18.080+01:00</updated><title type='text'>20.Memórias do fim</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Estavas na padaria a tomar o pequeno-almoço, quando uma mãe sentou o filho de dois anos numa prateleira alta retirando-se de seguida para uma qualquer conversa lá fora; tu chegaste-te para o miúdo com medo que ele por um simples trejeito caísse de costas no chão de pedra e uma desgraça fosse, e quando ela voltou saíste de guarda e disseste-lhe para ter cuidado ao que respondeu «fui só ali e estava a ver» e era tudo mentira e já tinha dado para várias quedas e ambulâncias. E contaste-me que sentiste tristeza, lembras-te?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebias no teu escritório um pequeno empresário inquieto, estupefacto e revoltado, que cria processar o governo, o estado, ou quem fosse, por ter excluído do QREN todas as actividades ligadas à saúde, à acção social e aos idosos, enquanto por exemplo, o comércio de vídeos pornográficos, de bebidas alcoólicas, de sucata, etc., essas sim, já tinham cabimento… Explicavas, e ele boquiaberto, que o QREN - Quadro de Referência Estratégica Nacional – para os seis anos de 2007 a 2013, e de muitos milhões comunitários reflectia a alma do governo, e como tal tinha que ser coerente com o seu carácter e de acordo com este, saúde, acção social e idosos não mereciam atenção, não faziam parte da coluna dos activos. Ora porquê? Está bem de se ver, continuavas, ou porque a saúde não interessava, leia-se não lucrava, ou porque a acção social não aproveitava, leia-se regalava, ou porque os idosos não importavam, leia-se estorvo a mais. Aclaravas, e ele pasmado, que aquilo que já se sabia, tarde ou cedo se haveria de revelar, vir à tona, debalde a camuflagem demagógica, e este caso era um entre muitos, escandaloso mas não sozinho, revelador das reais intenções de quem governa, desmascarando a sua indiferença sobre quem é governado. «O meu amigo não sabia que o estado é administrado como se de uma má empresa se tratasse, exclusivamente para dar lucro e lucro custe o que custar e salve-se quem puder, e que o povo são os empregados espoliados dessa gestão selvagem? Não é um governo da nação, é um governo do negócio!» E ele ficava a olhar para ti em desassossego, aparvalhado, sem apaziguamento mas pior do que entrara, a congeminar sabe-se lá o quê de moscambilha, enquanto tu te gastavas a explicar a obviedade por muitos ainda desapercebida. Eram tempos de muita mentira dum lado, só possível pela muita ignorância do outro. E contaste-me que sentiste pena dele e de todos os outros como ele, lembras-te?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhavas ausente a rua da cadeira do café e vias a tromba do aspirador enroscar-se sem pudor na máquina caça níqueis. O primeiro esbirro viera sozinho, subira a rua com um carrinho de rodas que julgaste fosse de transportar caixotes, mas que afinal se tornara num glutão de moedas. Mais à frente já próximo do saque, juntara-se-lhe em compadrio um segundo capanga do xerife de Nottinghan, com a chave a correr do cinto e a enfiar no parquímetro por de baixo e as moedas a jorrarem pela gravidade e pela aspiração enchendo o saco do imposto vigésimo ou trigésimo, já lhes tinhas perdido a conta. Pensaste nos pobres homens que por terem farda julgavam praticar o bem. Pensaste no pobre povo que sob tão grande agravo brando se segurava, e pensaste no xerife, homem mau sem réstia de arrependimento. Sabias que tu e todos naquela rua a tinham pago, e que agora, os mesmos, a voltavam a pagar para só assim poder nela viver ou trabalhar. E contaste-me que sentiste revolta, lembras-te?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Compravas um jornal e dizias-me que o não fazias há décadas, o que achei um exagero, e acrescentavas que gostavas de andar informado e por isso tinhas o hábito de não te deixares informar. Fiquei a pensar o que é que querias dizer com isso e depois concluí, acho que bem, que a proximidade tira a lucidez, como quem fixa uma árvore e perde a floresta. Era isso que querias significar ironicamente denunciando a propaganda e a desinformação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizias a rir que te tinham perguntado ser eras de esquerda, de direita ou do centro e que respondias que eras do peão… Não atingi na altura e continuo sem chegar, a não ser que quisesses, com o sem sentido da resposta, retribuir o sem sentido da pergunta. Seria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentavas que receberas pela calada da noite um e-mail do fisco que te causara repugnância enquanto para outros seria uma virtude do simplex. &lt;span style="font-size:85%;"&gt;"A DGCI disponibiliza no seu site da Internet (…) os anúncios dos bens penhorados que estão em venda, contendo a sua descrição, localização e o valor base para venda. Neste momento estão em venda mais de 1.500 bens, nomeadamente imóveis e veículos automóveis. Na última semana foram introduzidas no site importantes inovações que gostaria de lhe dar a conhecer (…)"&lt;/span&gt; E depois seguia-se a lenga lenga do negócio: já penhorei, agora tenho aqui para vender, quanto é que dás para comprar? E repugnância, dizias, feita de três nojos, primeiro, o da náusea da penhora, sabe-se lá de quem e em que condições, segundo, o do enjoo da devassa pública e terceiro, o asco pela eventual compra de quem se aproveita da desgraça alheia. E contaste-me que sentiste repulsa. Por essa altura achei-te dramático. Inclusive acrescentaste que ao receber o e-mail veio-te à memória uma cena daqueles filmes americanos passados nos princípios do século XIX onde num palanque se vendiam escravos. Por esse tempo não percebi a comparação, de resto devo confessar-te que a achei demasiado rebuscada. Só hoje compreendo a metáfora e infelizmente sou forçado a dar-te razão. Éramos escravos e ainda não tínhamos dado por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avisavas que nessa época já não batiam à porta de fato preto barato e gravata fininha, que para dar cabo de uma pessoa bastava difamá-la pelos jornais ou televisões, que essa era a ilusão da liberdade, ou que inventavam processos fiscais ou outros, que essa era a panaceia da justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andavas encantado com o Virgílio Ferreira e não te cansavas de o citar. Trazias um livro dele e lias-me passagens. Era a tua forma de suspender o dia. “Abre os olhos totalmente e vê. Aguenta o impacto da vida e vence-a. Recupera-a desde as raízes, obscura, lenta, verdadeira. E se ela é a tua invenção, esquece tudo, inventa-a desde o início, cospe na que te deram – de que é que serve? Ou estarás tu envenenado para sempre? Reconstruir tudo desde as origens, desde a primeira palavra. Tudo o quê? É necessário que tudo seja novo, inteiramente novo e imprevisível, que o passado morra em ti profundamente”.E dizias que estas palavras eram para cada homem mas sobretudo para o país, que Portugal era um Homem doente que precisava de ser reinventado. E por esses dias, quando nos despedíamos, lá me atiravas a frase de exortação do momento, evocando de novo Vergílio Ferreira: “… sê em ti esse princípio eterno que te vive”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ficaste triste com estas recordações? É natural, o tema era triste, se bem que poderias sempre ter voltado a cara, fazer de conta que não se passava nada, esconder-te fechado no teu universo comezinho, sublimares em distracções ou alienares em ilusões, como muitos o fizeram à espera que alguém lutasse por eles, então, já não era só o tema que seria de tristeza, tu próprio estarias abatido sem capacidade para reagir, mas não, deprimido é o sem causa, e tu com lucidez e coragem enfrentaste a realidade sem desculpas e declaraste: «que os outros vendo não queiram ver, sabendo não queiram fazer, não é justificação para a minha indiferença; posso pouco mas darei o que puder!» Tinhas tristeza, mas maior era a esperança, se não a tivesses não terias lutado contra o que pareciam ser &lt;em&gt;moinhos de vento&lt;/em&gt;. E agora aqui sentados neste Portugal reinventado, sobre um governo íntegro e competente, fiel aos interesses do povo, és feliz, uma nova esperança te arde, não vinda do acaso mas reconstruída com o labor de cada dia dos que acreditaram, e estas memórias do fim do regime são uma lição antes de o ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-1937082536654418424?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/1937082536654418424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/1937082536654418424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/04/20mem.html' title='20.Memórias do fim'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-4700788303449307431</id><published>2008-04-16T00:00:00.002+01:00</published><updated>2008-04-16T04:20:12.436+01:00</updated><title type='text'>19.Os Vampiros do Século XXI - Carlos Neves</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;“...batendo as asas pela noite calada&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;vêm em bandos, com pés de veludo...”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A Caixa Geral de Depósitos (CGD) está a enviar aos seus clientes mais modestos uma circular que deveria fazer corar de vergonha os administradores - principescamente pagos – daquela instituição bancária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carta da CGD começa, como mandam as boas regras de marketing, por reafirmar o empenho do Banco em oferecer aos seus clientes as melhores condições de preço/qualidade em toda a gama de prestação de serviços, incluindo no que respeita a despesas de manutenção nas contas à ordem.As palavras de circunstância não chegam sequer a suscitar qualquer tipo de ilusões, dado que após novo parágrafo sobre racionalização e eficiência da gestão de contas, o estimado/a cliente é confrontado com a informação de que, para continuar a usufruir da isenção da comissão de despesas de manutenção, terá de ter em cada trimestre um saldo médio superior a EUR1000, ter crédito de vencimento ou ter aplicações financeiras associadas à respectiva conta. Ora sucede que muitas contas da CGD, designadamente de pensionistas e reformados, são abertas por imposição legal. É o caso de um reformado por invalidez e quase septuagenário, que sobrevive com uma pensão de EUR243,45 - que para ter direito ao piedoso subsídio diário de EUR 7,57 (sete euros e cinquenta e sete cêntimos!) foi forçado a abrir conta na CGD por determinação expressa da Segurança Social para receber a reforma. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como se compreende, casos como este - e muitos são os portugueses que vivem abaixo ou no limiar da pobreza - não podem, de todo, preencher os requisitos impostos pela CGD e tão pouco dar-se ao luxo de pagar despesas de manutenção de uma conta que foram constrangidos a abrir para acolher a sua miséria. O mais escandaloso é que seja justamente uma instituição bancária que ano após ano apresenta lucros fabulosos e que aposenta os seus administradores, mesmo quando efémeros, com «obscenas» pensões (para citar Bagão Félix), a vir exigir a quem mal consegue sobreviver que contribua para engordar os seus lautos proventos. É sem dúvida uma situação ridícula e vergonhosa, mas as palavras sabem a pouco quando se trata de denunciar tamanha indignidade. Esta é a face brutal do capitalismo selvagem que nos servem sob a capa da democracia, em que até a esmola paga taxa. Sem respeito pela dignidade humana e sem qualquer resquício de decência, com o único objectivo de acumular mais e mais lucros, eis os administradores de sucesso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cidadania é demonstrar esta pouca vergonha que nos atira para a miserabilidade social. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-4700788303449307431?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/4700788303449307431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/4700788303449307431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/04/19os-vampiros-do-sculo-xxi-carlos-neves.html' title='19.Os Vampiros do Século XXI - Carlos Neves'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-2884217023071034994</id><published>2008-04-12T00:00:00.002+01:00</published><updated>2008-04-13T18:54:43.287+01:00</updated><title type='text'>18.Em Portugal, há dois países</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Há dois países,&lt;br /&gt;um que se mostra, outro que se esconde,&lt;br /&gt;um que nasce da vaidade, outro que morre da vergonha,&lt;br /&gt;um que vive para si, outro que não consegue viver consigo,&lt;br /&gt;um que tem dinheiro, seu ou emprestado, outro a quem falta quase tudo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dois países,&lt;br /&gt;um rico, outro pobre, pelo meio o remediado.&lt;br /&gt;O rico não quer saber do pobre, ignora-o, despreza-o,&lt;br /&gt;O pobre, é pobre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os pobres desse país são muitos. Não são os que se vêm a pedir, que também o podem ser, não são os que vivem em barracas, que também o podem ser, são sobretudo os que não se vêm, envergonhados e escondidos, válidos mas sem trabalho, com vontade mas sem oportunidade, e esses são muitos, são centenas de milhar, mas não são pessoas, são estatísticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque é que um homem, uma mulher, capaz, na força da vida, não tem trabalho? Porque é que esse país, o seu governo, não inventa, não cria, não dá trabalho a essas centenas de milhar, não estatísticas, mas pessoas? Porque é que esse país, esse governo, persiste em ser assistencialista, dando o peixe, e não estruturante, dando a cana e ensinando a pescar? Que ideologia, que cultura, que civilização é esta que consegue viver ignorando e desprezando os seus próprios irmãos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu conheço os dois países e sei do que falo. Conheço os ricos e os pobres, conheço a sua maneira de pensar e a sua maneira de sentir, o que idealizam na cabeça e carregam no coração. Sei dos seus interesses e dos seus hábitos, dos seus valores e dos seus sonhos, sei para onde se dirigem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que os ricos não fazem a mais pequena ideia do que é ser pobre; sei que os ricos julgam que a riqueza vem da virtude, chamada mérito, e a pobreza do defeito, chamado preguiça. Mas estão redondamente enganados!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dois países, mas&lt;br /&gt;só num há liberdade, no outro é a escravidão,&lt;br /&gt;só num há justiça, no outro é a sujeição&lt;br /&gt;só num há democracia, no outro é a ditadura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A democracia é dos ricos, não é dos pobres. Quem vota são os ricos e remediados, não são os pobres. E para quê? Por isso o governo do país rico não governa para o país pobre e falar de justiça social é deitar palavras ao vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando assim falo, os ricos dizem que exagero, chamam-me dramático, e eu compreendo-os, não sabem do que falo, não conhecem o outro país. Não me esqueço que também fui assim, sem tempo que não fosse para o meu trabalho, sem alcance que não fosse para o meu mundo, e ainda hoje, vezes há, que no meio da correria e da tensão do dia a dia tenho que parar e lembrar-me de que há outro país e outro povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se uma sociedade livre não pode ajudar os muitos que são pobres,&lt;br /&gt;não pode salvar os poucos que são ricos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;John F. Kennedy&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;35º Presidente dos E.U.A. (1917 – 1963)&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-2884217023071034994?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/2884217023071034994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/2884217023071034994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/04/18em-portugal-h-dois-paes.html' title='18.Em Portugal, há dois países'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-1448068960690598221</id><published>2008-04-09T00:00:00.011+01:00</published><updated>2008-04-08T22:53:58.402+01:00</updated><title type='text'>17.A esperança passou por aqui em 17 de Março  J.J.Silva Garcia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;“Primeiro foi necessário civilizar o homem&lt;br /&gt;em relação ao próprio homem.&lt;br /&gt;Agora é necessário civilizar o homem&lt;br /&gt;em relação a natureza e aos animais."&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Victor Hugo&lt;br /&gt;Escritor e poeta francês (1802-1885)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;1.Por convicção humanista, recuso a visão antropocêntrica da vida que, não raramente, degenera no desrespeito pela Natureza e pelos outros seres vivos. O uso de animais em espectáculos e eventos públicos de carácter meramente lúdico, para gáudio de multidões eufóricas, resulta num acto gratuito e abusivo que em nada contribui para a dignificação da pessoa. A violência exercida sobre os animais é uma atitude retrógrada que, ao fingir ignorar-lhes a possibilidade da dor, não se coíbe de a provocar por puro divertimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.Na tarde do dia 17 de Março, dando cumprimento a uma convicção pessoal, apresentei e defendi em reunião do Executivo Municipal a “Moção a Favor da Declaração Municipal Oficial e Simbólica da Póvoa de Varzim como Cidade Anti-Touradas'. Em dois dias recebi inúmeras manifestações de apoio de diversas localidades de Portugal e do Estrangeiro, de muitas organizações de defesa dos animais e de um número incontável de pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.A Póvoa de Varzim poderia ter sido pioneira em Portugal de uma atitude ética de defesa dos animais! Todavia, numa atitude incompreensível, a maioria social-democrata no poder decidiu manter a Póvoa como palco de violência gratuita sobre animais utilizados abusivamente para mero divertimento de insensíveis espectadores. No mínimo, se houvesse honestidade intelectual, a maioria PSD deveria ter feito a sua análise, considerando as respectivas vantagens e inconvenientes. Mas, em vez disso, a Moção foi rejeitada sem que tenham sido apresentados quaisquer argumentos substantivos para tal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.Esta postura tacanha diz bem do estado de civilização em que se encontram os seus agentes, Indiferentes à força dos argumentos, e fechados sobre os seus preconceitos, estes políticos recusam compreender o Presente e atrasam o Futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.Mas, Caros Amigos, é tudo uma questão de tempo! Mais tarde ou mais cedo, a luta pela defesa dos Direitos dos Animais, consagrada pela ONU, e protagonizada por inúmeras associações e incontáveis pessoas, há-de conseguir resultados positivos e definitivos, designadamente acabando com as Touradas e eventos similares. É tempo de um novo desiderato! A História, cada vez mais liberta de uma visão antropocêntrica, corre a favor da ideia de que partilhamos a terra com outros seres vivos que urge respeitar. Acreditando que se juntarão boas vontades para uma caminhada de vanguarda, esta iniciativa serviu, pelo menos, para estimular à reflexão e à adopção de uma nova atitude assente nos valores da ecologia profunda. Mais cedo ou mais tarde a Póvoa de Varzim será uma cidade que respeita os animais. Desse modo cumprir-se-á o Homem.&lt;br /&gt;Agradecendo a todos quantos se juntaram a esta iniciativa, engrandecendo-a ao emprestar-lhe a sua nobreza de alma, fico disponível para outras iniciativas em defesa dos animais!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;J.J. Silva Garcia&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-1448068960690598221?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/1448068960690598221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/1448068960690598221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/04/17a-esperana-passou-por-aqui-em-17-de.html' title='17.A esperança passou por aqui em 17 de Março  J.J.Silva Garcia'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-5317032106299473756</id><published>2008-04-05T00:00:00.006+01:00</published><updated>2008-04-05T19:53:19.719+01:00</updated><title type='text'>16.Sobre a Educação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;A educação vai "nua" - António Andrade&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;De facto já não é o rei mas é a educação que vai nua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fazer fé no que dizia o meu pai, já vai nua desde que "passou da Família para o Ministério". Dizia ele que a Educação era dada pela Família!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o meu pai era muito conservador eu por vezes não o ouvia-entendia. Mas como o entendo agora! (ele dizia "Instrução" em vez de "Formação";quanto á Educação continua a ser os comportamentos, os valores...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se sabe, a antiga designação era de" Ministério da Instrução" mas o Estado-Novo mudou-o para "Ministério da Educação".E ele criticou severamente esta mudança e com razão. Mudança esta que de ingénua nada tinha. Aliás já a 1ª República apostou na Escola para "reformar" a sociedade, para construir o cidadão republicano de amanhã, o Estado Novo também e esta espécie de Democracia também; quer formatar o democrata de amanhã. E a família á parte. É sempre a Escola, o aluno, o professor, que pagam a factura mais pesada. (Não é a Saúde, nem a Defesa, nem a Economia, nem a Agricultura...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideologia política alastra e infecta, em primeiro lugar, a Escola. E a ideologia política foi e é centralizadora. Em Lisboa, no Terreiro-do-Paço. Mas este centralismo burocrático obscurantista infecta a Escola e tudo mais! E nisto o Eça continua actual, infelizmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas pior um pouco se, como dizia Agostinho da Silva,"a Formação foi substituída pela Informação".(das máquinas partidárias).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento, em que tudo parece tão mal, o meu optimismo parece partilhar a teoria do "quanto pior, melhor",ou, como dizia o Pulido,"as meninas não reformam o bordel", portanto temos que bater no fundo para voltar ao de cima...É pesado, custa, mas não vejo outra saída.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Torcer o pepino desde pequenino - Alfredo Magalhães Ramalho&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Este é apenas um caso, sem grande gravidade, que ganhou importância apenas pelo facto de ter ficado documentado, mas grave é a situação geral que está por trás, de facto uma vergonha! Para todos meditarmos nos monstros que a nossa sociedade (ou seja, nós todos …) está a criar …&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tempos eu tive que dar (e com todo o gosto dei …) uma descompostura a uma menina que, apesar das minhas repetidas advertências, aqui na Biblioteca onde trabalho, insistia em conversar com o namorado, e passados minutos a Ninfa estava no meu gabinete, acompanhada pelo seu Romeu, pedindo satisfações porque eu “lhe tinha falado de uma maneira que ela nem ao seu próprio Pai admite” !!! Fiz-lhe rapidamente ver que não sei nem me interessa saber o que o paizinho admite ou deixa de admitir; mas que, se ele não tem capacidade para educar a filha, eu tenho-a, e gabo-me de a pôr em prática, se e sempre que for oportuno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostei de ver a facilidade e rapidez com que a grimpa dos piquenos baixou! Se calhar vinham à espera que eu contritamente pedisse desculpa pela forma imprópria como no exercício das minhas funções (e das responsabilidades que estas implicam) os tinha admoestado - tipo declarações no Parlamento por causa de coisas que se passaram há 500 anos, na lógica que então era a vigente; mas calaram o biquinho, ouviram o que eu tinha para lhes dizer e saíram do meu gabinete na maior das pazes …&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os estudantes, como toda a gente, não são à partida melhores nem piores do que qualquer de nós, respeitáveis cidadãos, mas todas as crianças têm uma tendência natural para irem até onde os deixarem ir, e se ninguém se der ao trabalho de “torcer o pepino desde pequenino”, como “dantes” se dizia, estaremos a fomentar que essa atitude imatura deformadamente se prolongue para o resto da vida, para além da fase de crescimento e educação em que é normal, saudável e natural …&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me que o problema não é da “escola”, é dos valores e atitudes das pessoas que formam a sociedade em que a dita escola surge e funciona. Se os pais em casa se demitem de formar os filhos, é mau; se esperam que seja a escola a dar-lhes a formação que deveria em primeira mão ser dada pela família, é triste – se ainda por cima quando a escola tenta suprir essa falha a desautorizam, então … estamos mesmo perdidos!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota: nem esta aluna aqui filmada, nem a minha Ninfa de estimação e seu Romeu, serão, felizmente, exemplificativos do que é a maioria dos nossos estudantes; mas é bom que casos excepcionais como estes sejam divulgados e mostrados como negativos, e não passivamente admitidos como façanhas, que os colegas facilmente poderão tomar como gloriosos exemplos a seguir …&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A educação não dada pelas famílias - Halima Naimova&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Penso que todo este descalabro se deve à fragmentação social, cultural e económica da sociedade europeia/americana e à sua excessiva laicização e liberalismo broncos, não compreendido pela maioria da populaça para fazer o uso dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos 25 anos houve acesso (aqui) generalizado à cultura material apenas; existem lacunas graves na educação não dada pelas famílias, estranhamente, numa sociedade na sua esmagadora maioria considerada católica não lhe foi ensinada a leitura da Bíblia ou ouvir a leitura da mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Definitivamente é uma sociedade de bebidas gasosas que tornou os jovens portugueses, vindos (a maioria) das famílias em todos os sentidos pobres, nos gordos feios com um telemóvel na mão, e das famílias lavadas nos consumidores de bebidas espirituosas e utilizadores assíduos da indústria nocturna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fragmentação da sociedade europeia e americana leva à fragmentação da família, instituição primordial na construção mais ou menos equilibrada desta mesma sociedade: a ausência da família constitui o gravíssimo problema que se vive hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Conceito e utilidade da educação - Luís Corrêa d´Almeida&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se eu perguntar a uma boa mão cheia de gente o que é a educação, ficarei sem resposta por duas simples razões: ignorância do conceito e falta de oportunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começando pela segunda, a falta de oportunidade, que leva à primeira, constata-se que a educação, no quadro da cultura dominante da nossa sociedade, é supérflua, não tem mais valia, isto é, não acrescenta valor e como tal não constitui factor de produção, ao contrário da formação ou instrução profissionais, imprescindíveis para o sucesso e felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pois, de raiz, um problema de utilidade. A História dispensou a necessidade da educação, a História actual já não precisa da educação. É a evolução da Humanidade. O avanço da ciência e da tecnologia libertou o homem dessa canga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E porque a educação já não é mais precisa, vem a segunda razão, a da ignorância do conceito. Para que é que é preciso saber o que significa a educação se ela já não é mais necessária? Os educadores ficam portanto dispensados dessa árdua tarefa ainda por cima completamente inconsequente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A educação vai mal porque já não é precisa, inclusive desdenha-se da sua utilidade, mais, a educação é sinónimo de regressão, de alguma coisa que ficou parada no tempo, que não soube evoluir, que não soube ajustar-se ao progresso e à modernidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim se pinta bem, com caras tintas, por fora, a edificação virtual do homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta leitura imediatista e curta da História e a extrapolação precipitada da evolução do homem, estatelam-se ao comprido no chão do real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O real ensina-nos que impérios e civilizações não caíram por atraso da ciência e tecnologia relativamente aos seus concorrentes, não caíram por embate com os seus opositores, caíram podres por dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem avança por fora o que recua por dentro. Avança em formação, recua em educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sosseguem, a História, a força das coisas, se encarregará de repor equilíbrios, não exclusivamente de forma mecanicista ou dialéctica, mas também por génio do próprio homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-5317032106299473756?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/5317032106299473756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/5317032106299473756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/04/16sobre-educao_05.html' title='16.Sobre a Educação'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-3226073036186308174</id><published>2008-03-28T00:00:00.002Z</published><updated>2008-04-01T22:34:40.135+01:00</updated><title type='text'>15.O quadrado é a metáfora geométrica da cegueira política</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Por várias vezes me interroguei sobre o mistério da obtusidade do político, e particularmente do político governante. Como é que fulano ou sicrano podia ser tão obtuso? Aqui falo apenas da inteligência e da estupidez deixando de fora a honestidade e a aldrabice. Que um homem inteligente seja corrupto é fácil de perceber, subiu-lhe a ganância à cabeça, mas agora esse enigma da burrice é que me desconcertava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que um dia, nesses de obrigação que no fim acabam por saber bem, quando passeava no Jardim Zoológico com a criançada, ao olhar para a gaiola dos macacos fez-se-me luz e percebi tudo, foi uma inspiração, e criei num àpice a teoria da gaiola, também chamada do quadrado. Afinal o problema não era que o político fosse estúpido, até podia por acaso ser inteligente, o problema é que tinha a sua inteligência fechada numa gaiola, e por mais inteligente que por acaso fosse, os quatro lados, mais o tecto e o chão, bloqueavam a sua inteligência retirando-lhe a lucidez sem a qual aquela se torna estúpida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imaginem por exemplo que se dizia a um homem inteligente, que também os há na política, para descobrir a solução de um problema, desses da governação, com a condição de só poder pensar dentro de quatro paredes, mais o tecto e o chão, que representam baias à imaginação, ou dizendo de outra forma, com a condição de só poder pensar com metade do seu cérebro. Ora o homem, sendo potencialmente inteligente, bem poderia cogitar, puxar pela cabeça até se fartar, que o seu entendimento estaria à partida estreitado por essas quatro paredes, mais o tecto e o chão, ou por metade do seu cérebro, logo, a solução haveria de sair burra para quem, ou não estivesse limitado, ou usasse o cérebro por inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imaginem-no agora ainda dentro da sua gaiola, a pensar, a magicar, a matutar… a procurar, a analisar, a demandar… enquanto pelo lado de fora passa um simples homem do povo, pode ser o guardador, ou o jardineiro, e vê o nosso político em tamanha consternação que lhe diz: «oh homem, o que procura está aí mesmo à sua frente!» e o primeiro, o enjaulado, com ar soberano, impávido e circunspecto, sem se desmanchar, olha para o lugar que lhe foi apontado e justifica-se «não, não pode ser, porque…» e a seguir vem caudalosa e obscura verborreia. O guardador, ou jardineiro, examina-o por instantes, mas logo desiste de tamanho bronco, e encolhendo os ombros resignado diz para dentro «coitado, está mesmo ceguinho». E o nosso, salvo seja, político lá fica entregue às suas fabulações intermináveis. Escarafuncha cada centímetro do seu buraco, cada direita e cada esquerda, em largura e comprimento, laboriosamente todas as esquinas do seu horizonte minguado, mas sempre dentro da gaiola, sem enxergar peva para fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se mudarmos o dito de jaula, que é como quem diz, se mudarmos o político de poiso, ministério ou pasta, mas mantivermos as mesma regras, as tais de só poder pensar dentro das quatro paredes ou com metade do cérebro, obteremos, está cientificamente provado, o mesmo resultado: solução falsa ou bronca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A culpa não é do político, coitado, a culpa é da gaiola. Não é o homem que é estúpido, é a gaiola que é castrante e tão castrante que a certa altura o homem se torna gaiola, digo quadrado, e já não é mais capaz de pensar ou fora dela ou com o cérebro inteiro, o que vem dar no mesmo. Se por um acto de caridade o tirássemos do quadrado, o que teria que ser um pouco à força porque nele já deitou raízes, iria sentir-se completamente desfasado, sem as referências das quatro paredes, mais o tecto e o chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ainda com abnegação, insistindo se dissesse «olhe vamos fazer um jogo; esqueça-se de que é político, esqueça-se de que está em Portugal, esqueça-se de tudo (que grande lavagem ao cérebro seria preciso para lograr tal asseio) e agora olhe para este problema e diga-me qual é a solução», se conseguíssemos o milagre de primeiro o subtrair ao seu meio ambiente, e segundo de o lavar todo, pô-lo fresco, qual virgem, talvez aí ele fosse capaz de descobrir a pólvora e exclamar extasiado «oh, afinal era tão simples!...» Porque enquanto o homem estiver dentro da gaiola não vale a pena dar-lhe a justa solução, como aconteceu no caso do guardador, ou jardineiro, pois ele nunca a irá reconhecer, inventando para a sua miopia mil desculpas de pormenor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim se explica o mistério da cegueira do homem político, a imaginação curta, os pensamentos longos mas rasos, o permanente giro à volta dos pormenores em descaminho do essencial, as mesmas desculpas, os repetidos lugares comuns, as resoluções sem soluções… Este homem foi criador com seus comparsas da gaiola que agora o faz vítima, e nada vendo para fora daquela, desconhece que o mundo vai muito para além do seu quadrado. Por isso é que a diferença entre um político e um homem de estado é a visão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gaiola ou o quadrado é a escola de pensamento do actual regime político-partidário, a cultura dominante do politicamente correcto e admissível, cuja única visão é a de dois por dois, quatro metros quadrados, e a única preocupação, justificar porque não faz aquilo que verdadeiramente interessa fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cultura do quadrado é quando um político diz: «ah, não, bem vê, isso é matéria muito complexa, muito condicionada por muitos factores que muito importa reflectir etc. etc. etc. O nosso guardador, ou jardineiro, se ali estivesse facilmente lhe diria: «oh homem, não vê que isso está tudo podre? Deite fora e faça novo!» só que ele, o político, não sabe, nunca soube ou saberá fazer de novo, porque nunca aprendeu a fazer, não sabe fazer, não tem a coragem nem o engenho de fazer. Foi educado para escarafunchar no já feito e quase sempre no mal feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim disse o guardador, ou o jardineiro, com oportunidade e acerto. Assim o político, cheio de si, voltou costas e sentou-se no fundo da sua gaiola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…e de repente tive uma visão: era uma fila interminável de gaiolas com bicharada de todas as cores e feitios numa algazarra interminável e discorde…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-3226073036186308174?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/3226073036186308174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/3226073036186308174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/03/o-quadrado-metfora-geomtrica-da.html' title='15.O quadrado é a metáfora geométrica da cegueira política'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-9165154818178822409</id><published>2008-03-25T00:01:00.009Z</published><updated>2008-03-26T22:57:28.936Z</updated><title type='text'>14.Sobre a Educação e a Formação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Educação elementar&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Comecemos pelos rudimentos esquecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se vir um homem à porta de um elevador recuar para deixar passar uma senhora, ou estando sentado numa sala levantar-se para lhe oferecer lugar, se vir um jovem em situações idênticas, suster-se na primeira, abrindo a passagem a um mais velho, erguendo-se na segunda, cedendo-lhe o assento, se vir, tiver o azar de presenciar, qualquer destas cenas, não se assuste, são apenas dinossauros desfasados do seu tempo… porque se não estivessem fora de prazo, perdidos de validade, não se poriam com essas poses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rapaziada moderna, pelo contrário, sabe comer à mesa e falar com a boca cheia, como labregos, porque a isso chama-se neste tempo, que não o daqueles, ser natural, estar á vontade, não constrangido mas desinibido, sabe gritar quando lhe dá na gana, bem alto e de longe, por quem ou a quem pouco interessa, a pulmões cheios como se na quinta, porque a isso chama-se neste tempo, que não o daqueles, comunicação sem fingimentos, sabe aceitar calmamente que os seus filhos de dois ou três anos guinchem impunemente na pastelaria por qualquer capricho não atendido, porque a isso chama-se neste tempo, que não o daqueles, liberdade, valor precioso arrancado a ferros sobre a moral repressiva de então, e ainda sabe, quando os pequerruchos forem adolescentes, aprovar cheia de compreensão que eles lhe respondam torto como próprio da idade, e aplaudir a sua irreverência para com os professores, porque a isso chama-se neste tempo, que não o daqueles, igualdade e além do mais é a personalidade das crianças que se afirma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, esta rapaziada moderna sabe muitas coisas, novas e melhores, já se libertou do pudor ou decoro, tanto na pequena como na grande coisa, preconceitos ridículos daqueles dinossauros, são mesmo teias de aranha, e sobretudo já se libertou do respeito, artefacto completamente fora de moda, obsoleto, exclusivo de caretas, porque a isso, ao disparate do respeito, chama-se hoje informalidade ou espírito desportivo, em inglês casual, como na roupa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que às poses desses pobres dinossauros chama-se hoje, sempre se chamou e continuará a chamar-se, educação elementar, aquela educação de base e rudimentar que os pais devem, desde o berço, dar aos seus filhinhos e que apesar da sua singeleza pode fundar uma civilização, ou esbarrigar um amontoado de não sei o quê, por aqui começa a educação mínima que já muito rareia e quando existe destoa, tudo o resto vem em desmoronamento de alicerces nunca lançados, a derrocada percebe-se e tudo porque os pais deixaram de dar essa educação aos seus filhinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdeu-se a educação elementar ou de base, primeiro problema da deseducação, aparentemente simples, desdenhado pela incultura dominante, de si deseducada, mas que leva como enxurrada tudo o resto de rojo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Educação e Formação&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Uma segunda nota sobre educação e formação, convencionando para melhor nos entendermos e como conceitos por detrás destas palavras, a significação para a primeira, de uma educação estrutural, do carácter e comportamento, a educação que é por si, a significação para a segunda, de uma educação técnica ou profissional, a educação, neste caso formação, que é em função da sua utilidade de troca, visando compensação económica. Assim usarei educação e formação sem enganos de sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece evidente, por demais, que a educação deve anteceder no tempo, idade, e na importância, prioridade, a formação, porque a educação fundamenta-se e orienta-se por valores, da pessoa, da comunidade, da civilização, desejavelmente ontológicos e como tal intemporais, como o são por exemplo, a ética, a liberdade, a justiça, e visa, se quisermos introduzir a filosofia, realizar o homem na felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto a formação sucede-lhe, vem depois, por lógica de coerência deve estar-lhe sujeita, contribuir naturalmente, sem violentação nem alienação do ser, como um meio e nunca como um fim em si, para consumar em comunidade os desígnios últimos daquela, a felicidade do homem social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A educação é estrutural, lança raízes no âmago do homem, faça ele o que fizer, tenha a profissão que tiver; a formação é conjuntural, depende da cultura da sociedade que a condiciona, ou da falta dela, da própria actividade ou profissão e da organização das relações de produção dessa mesma sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se bem que a formação, sempre que ao serviço da educação, é natural, não violenta nem aliena, cumpre o homem, satisfaz a comunidade, realiza a ambos. É a formação, leia-se profissão, que surge como missão do ser, que o ergue, dá-lhe potência e virtude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrando-me da matemática a educação ocupa numa equação a condição necessária e a formação a condição suficiente. A educação é condição necessária mas não suficiente, a formação é condição suficiente mas não necessária (que em matemática se lê ao contrário, como necessária). O ser e o fazer precisam-se mutuamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim temos o homem completo, educado, o que constitui a sua base para ser, e formado, o que constitui a sua ferramenta para fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Formação e Educação&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ora, apesar de assim presumido, é ao contrário que se apura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta prioridade da educação sobre a formação, sendo de mero bom senso e na teoria por todos validada, é na prática quase por todos subvertida. A formação, escrava do desenvolvimento e do progresso, conceitos perigosos voltados contra o homem, é puxada e moldada pela deusa economia, e a política, suposta ao serviço do homem, vende-se, melhor, salda-se àquela diva e engendra formações técnicas a torto e a direito, estéreis e descartáveis, a todo o momento e segundo o momento, para o que está a dar…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procura-se a todo o transe refabricar o homem, de poder ser, tirando-lhe a educação, em sendo máquina, pondo-lhe a formação, porque o que interessa é um homem formado e não educado, este até pode tornar-se perigoso se um dia arvorar a ética sobre o lucro, o que interessa é um homem sobretudo útil, sobretudo competente, isto é, exclusivamente produtivo, de resto a produtividade economicista é a grande mística da política de educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se educa na ética, forma-se para a produção, não se educa o carácter, forma-se para a utilidade, não se educa o comportamento, forma-se para o expediente, não se educa no respeito, forma-se no atropelo, não se educa para sempre, forma-se para a circunstância&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas escolas, por culpa exclusiva dos programas e não dos professores, o que importa para o governo são as estatísticas da alfabetização e não a cultura, que são coisas muito diferentes, pode-se saber ler e escrever e ser inculto, pode-se ser analfabeto e ser culto. Nesta tirania contra o homem só o professor, qual herói entregue a si, lutando contra moinhos de vento, fará a diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querem criar robots, não homens. Criamos para a economia, não criamos para a civilização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que pensavam os gurus, melhor comportamento traz mais produtividade do que melhor técnica, a técnica passa o carácter não. A própria economia, esperta como um camaleão, descobre a pólvora, infelizmente pelas razões erradas, as de maior exploração, distinguindo entre competências técnicas e competências comportamentais, percebendo que as competências técnicas já não chegam e de pouco valem sem as competências comportamentais, nome pomposo para uma coisa velha que sempre chamou e chamará de educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à equação matemática, não basta fazer bem, condição suficiente, é preciso saber ser, condição necessária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a educação elementar, de pequenino é que se torce o pepino, há que erguer a educação estrutural, para que o homem venha íntegro, e sobre esta e por esta ordem se forjará a formação, para que o profissional se faça competente e assim o edifício se conclua em harmonia e solidez. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Medida 7 - A Educação como o Quarto Poder&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;E ao governo compete ser engenheiro capaz desta construção, deitando mãos não a quatro reformas pois o edifício reparações ou concertos já não aguenta, mas a quatro revoluções pois é de um giro a cento e oitenta graus que o país clama. &lt;span style="font-size:85%;"&gt;(Veja-se em complemento a medida 6)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;E a primeira revolução é a de encacholar, enxertar na cachimónia semente duradoura e profícua, que os faça pensar de fresco e de uma vez sem recuo, como se outra cabeça ganhassem, que a educação, incluindo agora nesta a formação, é um sector estratégico do estado porque nele se funda ou afunda o futuro da nação e daí perceberem, sem mazela de certeza, que a sua guarda, defesa, orientação e organização só ao estado competem. Percebessem, acreditassem, fizessem sua convicção, missão e bandeira, que a educação é um dos mais importantes capitais ou activos do país e honrando-a, a servissem com zelo, como coisa querida e amada, que para menos é pouco, juntando-lhe determinação e temperança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda revolução, e fiéis a este amor, é a de reporem a ordem natural das coisas, primeiro a educação, segundo a formação, reflectindo todos os programas escolares, desde os pequeninos aos grandes, este valor e esta vontade, primeiro o ser, depois o fazer. Que não se ensine o direito antes da justiça, que não se ensine a medicina antes da ética, que não se ensine a engenharia antes do respeito, que aqueles não são exclusivos daquelas, têm que ser ensinados em todas, aqui dei meros exemplos para me entenderem, de que é que nos interessa um aldrabão apesar de pedreiro competente, de que é que nos interessa um malévolo apesar de físico arguto, etc. etc. Primeiro educar a atitude que irradia o valor, depois formar a habilidade que retrata a competência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terceira revolução, neste bom caminho prosseguindo, é a de levantar o olhar do escolho imediato para o horizonte histórico, alongar a vista da circunstância para a civilização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É completamente ridículo que se refaçam políticas de educação a cada quatro anos, prazo inferior à própria duração dos cursos, como se de uma campanha de um novo modelo automóvel se tratasse, ou como se durante uma cirurgia de seis horas se parasse a meio pretendendo recomeçar, só pode ser andar a brincar, inconsciente, inconsciente não sei… e irresponsavelmente, com uma coisa séria, e por aqui fica a prova clara da importância que o regime e os governantes dão à educação, um mero novo modelo de automóvel, que os há, apesar de tudo, com maior duração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A educação é empreendimento bem mais grave, nela se forja o futuro das gerações e o futuro da nação, para horizonte tão escasso e descuidado. Deve-se educar para o século e não para o ano, para a civilização e não para a circunstância, para o ser e não para o ter, que se domestique o fazer ao ser, a selvajaria mercantil aos interesses e valores de fundo, estruturais, de outra forma as crianças, os adolescentes, e os adultos serão meras marionetes, joguetes nas mãos prepotentes do poder económico e seus esbirros, os políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por estas três boas razões, fazer da educação sector estratégico do estado, proclamar a educação mãe da formação e orientá-la não para o momento mas para o sem momento, surge a quarta, natural e inevitável: a autonomia e independência da educação. É evidente que a educação, com E grande, tem que se libertar, sair fora, das vistas curtas administrativas e burocráticas de um qualquer executivo, e constituir o quarto poder na separação de poderes do Estado de Direito. Tem importância crucial e com isso massa crítica, não podendo estar sujeita a demagogias político-partidárias, a desvarios de conveniência, a caprichos de gabinete, a incompetência de subalternos (a este propósito leia-se 13.”Um naco de prosa” retracto confrangedor dessa teia glutona administrativo-burocrática). A matéria tão delicada que corresponda poder inteligente como permanente, que estude em extensão e projecte em profundidade, com visão de estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No tocante à organização já o referimos anteriormente: um Código da Educação e um Concelho Superior de Educação formado nunca por políticos mas por um colégio de sábios, que os há e bons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais não há que especificar, porque quanto aos problemas o que importa são ideias boas e claras, porque quanto aos pormenores haverá de àquelas sujeitá-los, e digo isto porque normalmente o velho do Restelo é dos pormenores que faz complicação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-9165154818178822409?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/9165154818178822409'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/9165154818178822409'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/03/14sobre-educao-e-formao.html' title='14.Sobre a Educação e a Formação'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-5733364703386407966</id><published>2008-03-22T00:00:00.003Z</published><updated>2008-03-25T21:59:56.077Z</updated><title type='text'>13.Um naco de prosa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;António Barreto (Público: 29-Fev-2008)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Parece que a educação está em reforma. Sempre esteve, aliás. Vinte e tal ministros da educação e quase cem secretários de Estado, em pouco mais de trinta anos, estão aí para mostrar o enorme esforço despendido no sector. Uma muito elevada percentagem do produto nacional é entregue ao departamento governamental responsável. Este incansável ministério zela por nós, está atento aos menores sinais de mudança ou de necessidade, corrige infatigavelmente as regras e as normas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste 5 de Outubro, dia da República, o Chefe de Estado e o presidente da Câmara de Lisboa não se esqueceram de considerar a educação a mais alta prioridade e a principal causa do nosso atraso. Nesse mesmo dia, mão amiga fez-me chegar o último exemplo do esforço reformador que anima os nossos dirigentes. Com a devida vénia ao signatário, o secretário de Estado Valter Lemos, transcrevo o seu despacho normativo, cuja leitura em voz alta recomendo vivamente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«O Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março, rectificado pela Declaração de Rectificação n.º 44/2004, de 25 de Maio, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 24/2006, de 6 de Fevereiro, rectificado pela Declaração de Rectificação nº 23/2006, de 7 de Abril, e pelo Decreto-Lei n.º 272/2007, de 26 de Julho, assenta num princípio estruturante que se traduz na flexibilidade de escolha do percurso formativo do aluno e que se consubstancia na possibilidade de organizar de forma diversificada o percurso individual de formação em cada curso e na possibilidade de o aluno reorientar o próprio trajecto formativo entre os diferentes cursos de nível secundário. Assim, o Despacho n.º 14387/2004 (2.ª Série), de 20 de Julho, veio estabelecer um conjunto de orientações sobre o processo de reorientação do percurso escolar do aluno, visando a mudança de curso entre os cursos criados ao abrigo do Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março, mediante recurso ao regime de permeabilidade ou ao regime de equivalência entre as disciplinas que integram os planos de estudos do curso de origem e as do curso de destino, prevendo que a atribuição de equivalências seria, posteriormente, objecto de regulamentação de acordo com tabela a aprovar por despacho ministerial. Neste sentido, o Despacho n.º 22796/2005 (2.ª Série), de 4 de Novembro, veio concretizar a atribuição de equivalências entre disciplinas dos cursos científico-humanísticos, tecnológicos e artísticos especializados no domínio das artes visuais e dos audiovisuais, do ensino secundário em regime diurno, através da tabela constante do anexo a esse diploma, não tendo, no entanto, abrangido os restantes cursos criados ao abrigo do Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março. A existência de constrangimentos na operacionalização do regime de permeabilidade estabelecido pelo Despacho n.º 14387/2004 (2.ª Série), de 20 de Julho, bem como os ajustamentos de natureza curricular efectuados nos cursos científico-humanísticos criados ao abrigo do Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março, implicaram a necessidade de se proceder ao reajuste do processo de reorientação do percurso escolar do aluno no âmbito dos cursos criados ao abrigo do mencionado Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março.&lt;br /&gt;Desta forma, o presente diploma regulamenta o processo de reorientação do percurso formativo dos alunos entre os cursos científico-humanísticos, tecnológicos, artísticos especializados no domínio das artes visuais e dos audiovisuais, incluindo os do ensino recorrente, profissionais e ainda os cursos de educação e formação, quer os cursos conferentes de uma certificação de nível secundário de educação quer os que actualmente constituem uma via de acesso aos primeiros, criados ao abrigo do Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março, rectificado pela Declaração de Rectificação n.º 44/2004, de 25 de Maio, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 24/2006, de 6 de Fevereiro, rectificado pela Declaração de Rectificação n.º 23/2006, de 7 de Abril, e pelo Decreto-Lei n.º 272/2007, de 26 de Julho, e regulamentados, respectivamente, pelas Portarias n.º 550-D/2004, de 22 de Maio, alterada pela Portaria n.º 259/2006, de 14 de Março, n.º 550-A/2004, de 21 de Maio, com as alterações introduzidas pela Portaria n.º 260/2006, de 14 de Março, n.º 550-B/2004, de 21 de Maio, com as alterações introduzidas pela Portaria n.º 780/2006, de 9 de Agosto, n.º 550-E/2004, de 21 de Maio, com as alterações introduzidas pela Portaria n.º 781/2006, de 9 de Agosto, n.º 550-C/2004, de 21 de Maio, com as alterações introduzidas pela Portaria n.º 797/2006, de 10 de Agosto, e pelo Despacho Conjunto n.º 453/2004, de 27 de Julho, rectificado pela Rectificação n.º 1673/2004, de 7 de Setembro. Assim, nos termos da alínea c) do artigo 4.º e do artigo 9.º do Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março, rectificado pela Declaração de Rectificação n.º 44/2004, de 25 de Maio, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 24/2006, de 6 de Fevereiro, rectificado pela Declaração de Rectificação nº 23/2006, de 7 de Abril, e pelo Decreto-Lei n.º 272/2007, de 26 de Julho, determino: (...)»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se segue é indiferente. São onze páginas do mesmo teor. Uma linguagem obscura e burocrática, ao serviço da megalomania centralizadora. Uma obsessão normativa e regulamentadora, na origem de um afã legislativo doentio. Notem-se as correcções, alterações e rectificações sucessivas. Medite-se na forma mental, na ideologia e no pensamento que inspiram este despacho. Será fácil compreender as razões pelas quais chegámos onde chegámos. E também por que, assim, nunca sairemos de onde estamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perceberam? Eu, não…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para meu sossego julgo que ao Ministra também não…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-5733364703386407966?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/5733364703386407966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/5733364703386407966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/03/13um-naco-de-prosa.html' title='13.Um naco de prosa'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-3335542926163625978</id><published>2008-03-15T00:00:00.002Z</published><updated>2008-03-15T22:13:08.929Z</updated><title type='text'>12.A Nova Democracia - Das Ideologias para os Valores e Objectivos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;A falência do regime partidário rotativista&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Do regime ou do sistema, expressões alternadamente utilizadas querendo ambas significar a democracia, que no contexto das minhas crónicas, do meu repúdio, quando afirmo não acreditar, já não acreditar no regime, que outros preferem dizer no sistema, meros acidentes neste caso de semântica, porque queremos dizer a mesma coisa, nisso estamos de acordo, quando acrescento que também não acredito na capacidade de regeneração do regime, porque do governo é demasiado óbvia a sua impossibilidade para tal, faltou apesar de tudo aclarar essa expressão, regime, e o porquê dessa descrença. Faço-o agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acredito no regime, mas ainda, teimosamente, por razões provavelmente ontológicas, provavelmente éticas ou morais, acredito na democracia; não acredito neste regime democrático, nesta democracia partidária, neste rotativismo hipócrita, cúmplice e promíscuo psd / ps, sem virtude, em que nada de substantivo se acrescenta, apenas máscaras adjectivas se apensam, tirado a fotocópia desse rotativismo igualmente oco e estéril dos partidos regenerador / progressista do final do século XIX, mas apesar de tudo ainda acredito, apesar do excelente mau exemplo em desabono da democracia a que esses partidos, psd / ps, se têm dedicado, numa democracia verdadeira que cumpra a vontade do povo, e qualquer animal de bom-senso, mediano, não é preciso génio, desacreditará como eu, confrangido com a falência, que só espera arresto, e sentirá da urgência em reinventar ou redescobrir a verdadeira democracia, aquela em que efectivamente as legítimas aspirações do povo se realizam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As ideologias foram-se, os partidos são mortos-vivos&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Mas para isso tenho que recuar e explicar-me. Os partidos baseados nas ideologias secaram, estão mortos, porque as ideologias que os criaram e aleitaram já não existem, gastaram-se, foram-se, já não são deste tempo. Se eu perguntar a dez pessoas qual é a diferença entre democracia social e social-democracia, ou entre qualquer destas e o socialismo, nove ficam a olhar para mim… são conceitos meramente históricos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As ideologias, estas ideologias do passado, deixaram de fazer qualquer sentido, sucumbiram, e por isso, os partidos que sobre elas ainda se fundam e justificam são espantalhos ao vento, são como que actores que tendo esquecido a personagem que incarnavam se mantêm no palco improvisando por fora o que já esqueceram por dentro. E mais grave ainda, se se perguntar a estes actores, os políticos, o que é que defendem, são capazes de dizer muita coisa sem dizer nada, porque têm perfeita consciência de que já não sustentam qualquer ideologia, sendo também eles próprios vítimas do sistema que criaram e que agora os recria. No entanto, quando a votos, o povo porfia em seguir aquilo que já não existe, uma democracia cristã (cds / pp), uma social democracia (psd), um socialismo (ps), e o que mais há…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A incapacidade de regeneração do regime&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Receitar neste contexto como remédio a revitalização dos partidos, o que certas figuras públicas têm insistido em prescrever, é panaceia, perigoso por errado, pois pretenderia remendar o irremendável, enganando pelas aparências o que permanece de raiz, adiando e dolosamente a regeneração de fundo, a cura ansiada, a única verdadeiramente estruturante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentar reanimar o actual sistema ou regime é como tentar, desesperando, insuflar ar num cadáver sem esperança de o ver ressuscitar, quando sendo cadáver melhor faríamos em arrumar-lhe os ossos e dar-lhe sepultura. Como é que se pode revitalizar seja o que for, dar-lhe vida nova, que não seja pelo reacender da chama que o anima? Só que essa chama, no caso dos partidos, a ideologia, de tão extinta já não atiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que a crise já ultrapassou este ou aquele governo, de resto sempre iguais, e é por isso que eu digo que já não acredito na capacidade deste regime, na sua capacidade de se regenerar, na sua capacidade de atear a chama, de tornar à vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podem vir as melhores pessoas que infelizmente e malgrado a sua integridade e competência acabarão por soçobrar num sistema de si minado, ossos putrefactos a enterrar sem mais demora. É preciso ir mais fundo e criar um novo regime que engendre um novo enquadramento, uma nova chama, uma nova alma, que constitua fundamento firme para uma nova democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Das ideologias para os Valores e Objectivos&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O novo sistema ou regime, a nova democracia, descartará as velhas e gastas ideologias e porá em seu lugar alguma outra coisa que fundamente e justifique os partidos, que melhor seria mudar-lhes também e simbolicamente o nome, que os ilumine e oriente na sua teoria e praxis, e essa outra coisa são os &lt;strong&gt;Valores&lt;/strong&gt; e os &lt;strong&gt;Objectivos&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como identificamos, para aderir ou rejeitar, uma organização? Pelos valores que defende! Sigo os valores em que me revejo, recuso os valores que me são estranhos. Reconheço as pessoas por detrás da organização pela bandeira dos seus valores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que os valores sejam claros e não nebulosos, que sejam objectivos e não evasivos, que toquem cada uma das áreas fundamentais da governação, que não sejam de menos nem demais, um decálogo seria a justa medida, que sejam simples e não complicados, para que todos os compreendam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, pelos valores e objectivos, conheceremos os partidos e nestes os homens, assim saberemos em que é que votamos, não em ideologias abstractas, que querem ser tudo e que não são nada, mas em propósitos e metas claros que nos apontam para onde vamos, “Se um homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável” Séneca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Medida 6&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Que o político, melhor seria dizer, o homem de estado, incluindo neste a mulher, sendo íntegro e competente, um só não basta, ambos são necessários, animado de espírito de missão e não de glutão, ou já não seria íntegro, pare para reflectir, prepare-se com decoro retirando-se de preferência para local isolado, longe de distracções e tentações, que as há mesmo para os mais puros, e medite, primeiro nas área de governação, listando-as uma a uma… educação, justiça, saúde, etc… depois que as ordene pela prioridade que a inteireza do homem lhe impõe, afinal é para ajudar o homem a cumprir-se que a política serve, e que no final deste primeiro labor reveja atentamente a sua lista e ordenação, pois aí estará espelhada a medida da sua civilização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, à frente de cada área de governação escreva o Valor, o grande valor pelo qual se baterá e pelo qual valerá a pena governar, a alma da missão. Aí faz a &lt;em&gt;prova dos nove&lt;/em&gt; da sua civilização, «diz-me os valores que defendes, dir-te-ei a tua estatura de homem!».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tendo a integridade, e mais a coragem, de erigir um Valor, haverá de ter a competência de definir o Objectivo que o cumpre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imaginemos como exemplo que esse homem de quem falamos, andando devagar, em ponderação constante, sem distracções nem tentações, mas alerta na temperança, houvera chegado à área da educação erguendo como valor, aquele nobre valor que deve encher cada uma e todas elas, &lt;strong&gt;educar para servir&lt;/strong&gt;, que outra coisa não concebe como utilidade para a educação que não seja servir, servir o homem e servir a comunidade e a seguir lavra o objectivo, que aqui apenas o reproduzimos por alto, mas que chega para diferenciar Valor e Objectivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Valor, escreve ele então, é &lt;strong&gt;educar para servir&lt;/strong&gt; e o Objectivo: &lt;strong&gt;promover, directa e indirectamente, por via pública e privada, de forma planificada, lógica ou racional, todas as formas estruturantes de educação, necessárias à pessoa individual e ao serviço da comunidade global, ou país, nem a menos nem a mais, não limitada por qualquer tipo de descriminação, incluindo a económica.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;E revendo a sua descrição o mesmo homem aclara e precisa o seu objectivo para que não hajam dúvidas na cabeça do eleitor…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Promover&lt;/strong&gt;, significa fomentar, impulsionar, dinamizar, incentivar, ajudar, ser pró-activo «eu tenho uma causa, ou uma missão, vamos a ela com alma…» A educação é um sector estratégico, este papel tem que caber ao estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;De forma planificada, lógica ou racional&lt;/strong&gt;, significa, acabaram-se os cursos falsos, os cursos iguais com chapéus diferentes, os chapéus diferentes com cursos iguais, as negociatas de ocasião, as intrujices e os descartáveis, para zelar pela integridade da educação é criado um Código de Educação e um Concelho de Educação, que não oscilam com o rotativismo partidário mas são-lhes independentes garantindo a intemporalidade da educação para além das modas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Todas as formas estruturantes de educação&lt;/strong&gt;, significa muitos significados, que isto de estruturante tem muitos sentidos; que só há educação se for estruturante, se fizer crescer, bem preparado, a sério, competência técnica e comportamental qualquer que seja o mester, nada de coisas superficiais ou atamancadas; Estruturante significa também consequência profissional da educação, implica programa de cooperação e responsabilização Escolas / Empresas; mas estruturante revela também que a educação não está ao serviço incondicional do progresso, da economia e das empresas, mas sempre e em primeiro lugar do homem e da comunidade, que educar sob pressão de muitas das tendências alienantes da selvajaria materialista não é seguramente estruturante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Necessárias, tanto à pessoa quanto à comunidade&lt;/strong&gt;, não mais para aquela e menos para esta, nem ao contrário, mas na medida do justo equilíbrio, se o ser é partida e chegada da sociedade, a sociedade dependerá da medida de cada um dos seus (…)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não limitada por qualquer tipo de descriminação incluindo a económica&lt;/strong&gt;, significa igualdade de oportunidades sem sofismas, porque a educação é um bem comum (e não um negócio) tal como o sol e não há sombras de primeira e sombras de segunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E recapitula e confirma «o meu valor é uma educação para o serviço da pessoa e da comunidade e o meu objectivo aí está, já o expliquei, tudo o mais vem em coerência».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prosseguindo com o mesmo exemplo, o nosso homem desenvolve ainda mais o seu objectivo, uma coisa arrasta outra, finalizando todavia no cumprimento de uma única folha de papel e apesar disso expressivo, sem rabos de cavalo, perceptível aos homens de boa fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O político, digo, homem de estado, fez conscienciosamente o seu trabalho de casa. Amanhã poderá anunciar aquilo em que acredita com o coração e que defende pela razão. Os eleitores que se inteirem e que escolham, adiram ou rejeitem, não houve ilusionismo, passes de prestidigitação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estará então o dito liberto de levantar-se, respirar fundo regozijando-se na missão cumprida e sair do seu retiro para a liça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais exemplos não dou, por ora chega este, em exercício de clareza para contrastar com as demagogias mágicas ideológicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a medida, que o político, melhor, homem de estado não sai do seu retiro, que muito lhe há-de aproveitar, até acabar o seu programa, começando pelas áreas de governação, continuando pelos Valores e terminando nos Objectivos, e que logo se apresse a aparecer à luz do dia com a boa nova, pronto e limpo, bem ataviado por decoro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que o povo, sem pretexto de desentendimento, decida com causa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-3335542926163625978?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/3335542926163625978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/3335542926163625978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/03/12a-nova-democracia-das-ideologias-para.html' title='12.A Nova Democracia - Das Ideologias para os Valores e Objectivos'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-3805199573389258953</id><published>2008-03-08T00:00:00.005Z</published><updated>2008-03-09T16:28:08.958Z</updated><title type='text'>11.Direito ao Trabalho dos Mais Velhos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pouco acima dos quarenta é muito perigoso ficar desempregado. Uma vez fora, a sociedade empresarial esquece-o, ignora-o, arquiva-o, enterra-o, seja homem ou mulher, por incapaz, ficou maduro ou madura de mais, parece contra senso mas é facto, sem prejuízo da nossa lei fundamental proclamar o direito ao trabalho – Artigo 58, ponto 1, “Todos têm direito ao trabalho …” – e banir a descriminação, neste caso etária – Artigo 59, ponto 1, “Todos os trabalhadores, sem distinção de idade (…), têm direito (…) ”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem-se falado muito e com razão da injustiça dos jovens licenciados não conseguirem emprego, outro escândalo nacional fruto da cumplicidade entre o poder político e a indústria da educação, que andou a inventar cursos que não servem para nada que não seja para os vender como artigo descartável, não nos percamos agora pelos desgovernos infindáveis… mas dos maduros nada, não se fala, dos que construíram riqueza ao longo de quinze, vinte anos, apenas o silêncio de quem foge e não assume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aumento do desemprego para além dos quarenta anos é um fenómeno relativamente recente mas galopante, um efeito secundário da nova orientação do capital, ou neo-capitalismo, que cada vez os quer mais novos e por menos tempo. Qualquer dia teremos desempregados aos trinta anos… A mulher e o homem dos quarenta e tal são mais caros porque sabem mais, preferem-se então jovens a quem se pague menos, amanhã esses jovens, já mais velhos, serão empurrados prematuramente para a prateleira, descartados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É dramático um homem ou uma mulher na força da vida sem trabalho, desempregado numa idade crítica, se bem que todas elas são sempre críticas por uma razão ou outra, ainda com os filhos adolescentes, que hoje vêm mais tarde, sem direito ao trabalho, garantia institucional que o poder económico subverte com o compadrio do governo. E por onde fica a responsabilidade social das empresas, tão de moda, tão apregoada, que não seja cosmética barata, camadas dela sobre o interior camuflado, quer dizer, gastam por fora no marketing e na comunicação que o factor humano está por dentro e não se vê, «tratemos da imagem exterior que essa é que vende».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É imperioso que o governo sensibilize e mobilize as empresas para o combate a este mal social que vai criando graves fissuras na sociedade e que não se restringe aos quarentas e tais, mas que também se estende e dramaticamente a todos os mais velhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Medida 5&lt;br /&gt;Criação de Emprego para a meia-idade e terceira-idade.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O estado cria em conjunto com as empresas um Programa de Cooperação para o Fomento do Emprego por via do qual:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) As empresas conformarão, como regra, o seu quadro etário ao quadro etário da população, nem mais jovens do que maduros, nem mais maduros do que mais velhos. Deste modo a estrutura humana das empresas passará a reflectir a estrutura humana da sociedade em que se insere&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b) As cargas horárias não têm que ser as mesmas, mas de acordo com as respectivas funções e perfis, sobretudo para os mais velhos, respeitando sempre a proporção equilibrada das idades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c) Através deste sistema deixam de existir dois ou três mundos em tensão, o da empresa, o dos maduros banidos e o dos mais velhos desterrados. A sociedade torna-se inteira, muito mais rica em visão, muito mais sábia em conhecimento, muito mais farta em experiência e muito mais coesa em relações. Seguramente que muitos dos problemas de incompreensão e contradição inter-geracional se resolveriam. Por cada jovem, outro maduro e outro mais velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;d) Em compensação do esforço das empresas, o governo, em vez de gastar dinheiro com subsídios de desemprego, que sem prejuízo de aliviarem a situação do desempregado, não lhe resolvem a condição a médio prazo, investiria, o que já não é o mesmo que gastar sem consequência, esse mesmo dinheiro num subsídio de enquadramento, o qual permitiria ao desempregado retomar de imediato o trabalho numa das empresas da sua área geográfica no quadro do referido programa de cooperação estado / empresas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-3805199573389258953?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/3805199573389258953'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/3805199573389258953'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/01/11direito-ao-trabalho-dos-mais-velhos.html' title='11.Direito ao Trabalho dos Mais Velhos'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-6168020122419991140</id><published>2008-03-01T01:00:00.000Z</published><updated>2008-03-09T16:27:24.930Z</updated><title type='text'>10.Extorsão "Legal" ou "Impostos" Institucionais?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Gostava de perceber, que me explicassem, como é que no meio de tão grande crise, assim se justificam os governos, qual bode expiatório, para não baixarem os impostos, mais um tempo, talvez para o ano ou para o outro se tudo correr bem, o banco do estado, a Caixa Geral de Depósitos, apresentou um lucro &lt;em&gt;record&lt;/em&gt;, a expressão não é minha mas dela, relativo ao ano de 2007, superior a 880 milhões de euros… só gostava de perceber, que me explicassem, que eu, apesar de trinta anos de economias e empresas, mantenho a singela mas saudável compreensão do zé povinho que vê claro e recto e não descortina escuridões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se teve mais lucros, e de que monta, das duas uma, ou mais clientes ou maiores margens, que as duas de uma assentada também pode ser, mas se teve mais clientes é porque a economia cresceu, se teve maiores margens é porque a economia pagou, havendo em ambos os casos dinheiro farto. Então, onde está a crise?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero concluir com aquele bom senso, não do que usa calculadora científica, mas do que pendura o lápis atrás da orelha, a sincera verdade deste aparente mistério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem faz a engorda do porco? O povo certamente que não, pois esse padece e recua, o seu poder de compra baixa e piora, os desempregados esses sim, crescem, mas em aflição e abstinência e para o porco não tem guarnição. Quem engorda e a quem pertence a matança?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque de uma cabeça simples e ingénua sai grande preocupação com tão medonha imoralidade, em ver um banco do povo, se o estado ainda for do povo, de enorme riqueza cheio, num país de grande pobreza abarrotado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E para mais, e para maior consternação vem-me a desconfiança dessas receitas muito virem do povo, que por tradição e obrigação daquele banco foram feitos clientes, espoliados desta feita em juros, taxas e comissões provavelmente por culpa da crise, mas daquela crise que o capital sempre sofre seja em tempestade seja em bonança, pois faz parte da sua índole de ganância, e o povo leva dos impostos e torna a levar dos impostos, que os há de muita variedade e feitio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Expliquem-me pois esta contradição para mim intricada. Somos então um país rico ou pobre, porque se rico ainda bem, boa notícia para todos e bem vinda o aliviar da carga da mula, pobre povo, que naturalmente romperá como uma aurora radiosa da boa fé de quem governa, se pobre, que sejam íntegros, devolvendo o que extorquiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Medida 4&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Porque o lucro do estado é prejuízo do povo, que aquele mande deduzir em todos os juros, taxas e comissões a pagar por este em 2008, o que já adiantou em 2007, que o bom povo ainda lhe perdoa as coimas de tão grande atrevimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-6168020122419991140?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/6168020122419991140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/6168020122419991140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/03/gostava-de-perceber-que-me-explicassem.html' title='10.Extorsão &quot;Legal&quot; ou &quot;Impostos&quot; Institucionais?'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-7647281608430603774</id><published>2008-03-01T00:00:00.002Z</published><updated>2008-12-10T09:48:44.320Z</updated><title type='text'>09.Não é uma existência, é uma expiação</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/R8mJBbGy6sI/AAAAAAAAAFE/VUnZsb1Ar1c/s1600-h/E%C3%A7a+de+Queiroz+1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172816304560859842" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" height="172" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/R8mJBbGy6sI/AAAAAAAAAFE/VUnZsb1Ar1c/s200/E%C3%A7a+de+Queiroz+1.jpg" width="116" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Eça de Queiroz&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“… nasceu no dia em que pudemos descobrir, através da ilusão das aparências, algumas realidades do nosso tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproxima-te um pouco de nós, e vê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O País perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não existe nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Já não se crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos vão abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta em cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima a baixo! Todo o viver espiritual, intelectual, parado. O tédio invadiu as almas. (…) A ruína económica cresce, cresce, cresce… O comércio definha. A indústria enfraquece. O salário diminui. A renda diminui. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste salve-se quem puder a burguesia proprietária de casas explora o aluguer. A agiotagem explora o juro…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De resto a ignorância pesa sobre o povo como um nevoeiro. (…) A população dos campos, arruinada, vivendo em casebres ignóbeis, sustentando-se de sardinha e de ervas, trabalhando só para o imposto por meio de uma agricultura decadente, leva uma vida de misérias, entrecortada de penhoras. A intriga política alastra-se por sobre a sonolência enfastiada do País.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(…) &lt;strong&gt;não é uma existência, é uma expiação.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;E a certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: «o País está perdido!» (…) E que se faz? Atesta-se, conversando e jogando o voltarete, que de Norte a Sul, no Estado, na economia, na moral, o País está desorganizado – e pede-se conhaque!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim todas as consciências certificam a podridão; mas todos os temperamentos se dão bem na podridão!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In “Uma Campanha Alegre” (1871)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-7647281608430603774?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/7647281608430603774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/7647281608430603774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/03/ea-de-queiroz-no-uma-existncia-uma.html' title='09.Não é uma existência, é uma expiação'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/R8mJBbGy6sI/AAAAAAAAAFE/VUnZsb1Ar1c/s72-c/E%C3%A7a+de+Queiroz+1.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-7763038289825417934</id><published>2008-02-23T01:00:00.000Z</published><updated>2008-03-09T16:25:54.846Z</updated><title type='text'>08.A justiça ao serviço do poder económico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;“… a questão é ter padrinhos que desculpem o homicídio e mil cruzados para pôr na balança, nem é para outra coisa que a justiça a leva na mão. Castiguem-se lá os negros e os vilões para que não se perca o valor do exemplo, mas honre-se a gente de bem e de bens, não lhe exigindo que pague as dívidas contraídas, que renuncie à vingança, que emende o ódio, e, correndo os pleitos, por não se poderem evitar de todo, venham a rabulice, a trapaça, a apelação, a praxe, os ambages, para que vença tarde quem por justa justiça deveria vencer cedo, para que tarde perca quem deveria perder logo. É que, entretanto, vão-se mungindo as tetas do bom leite que é o dinheiro, requeijão precioso, supremo queijo, manjar de meirinho e solicitador, de advogado e inquiridor, de testemunha e julgador, se falta algum é porque o esqueceu o padre António Vieira e agora não lembra.” (José Saramago – Memorial do Convento)&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Víramos antes um exemplo, a cavalgada do fisco sobre os 120.000, da apropriação abusiva pelo poder executivo da competência judicial, veremos agora o poder económico a corromper a justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Promiscuidades há-as variadas. Aqui o estado de direito desequilibra a balança para os ricos, e nos ricos sobretudo para as grandes empresas em que a pessoa é um número e o tempo não faz mossa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A justiça em Portugal depende do dinheiro que se tem ou da falta dele, do advogado, que custa, das taxas, que custam, das custas, que custam, das do Instituto de Gestão Financeira e de Infra-Estruturas da Justiça, das da Procuradoria, das da parte, das outras que hão-de vir mais e de surpresa, que aí se cumpre o estado fiscal, que o de direito não se realiza, não na dupla tributação mas na múltipla tributação, «já paguei por antecipação o serviço público!» dirá o contribuinte confiado, «paguei-o no IRS ou no IRC, nos directos e nos indirectos!», «sim, pagaste, mas agora sempre que precisares de mim, haverás de me pagar outra vez, que os outros não contam» responderá doutamente o desgoverno da nação, e depois das custas, que custam, do tempo que custa, de tudo o que pesa e aperta os pobres, leia-se em sentido amplo, os que vão de pobres a não ricos e que são muitos, digo, a maioria, o que aligeira e desaperta os ricos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma justiça feita à medida do poder económico. Quem o tem, ao poder, tem a justiça, quem não o tem fica-se pelo atropelo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;A maior parte das acções dos pobres, falemos portanto dos não ricos, são de defesa e não de queixa ou ataque, não são para enriquecer, são para não empobrecer mais, mas com este sistema quem já tem pouco com menos fica e quem já tem muito com mais fica, o pobre vai ficando cada vez mais pobre e o rico vai ficando cada vez mais rico. É uma justiça injusta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O advogado bom tem mais probabilidade de ganhar, mas é mais caro, e porque é que é bom? Porque usa uma lei especial? Mas a lei não é só uma e igual para todos? Então se é só uma e igual para todos como é que há advogados bons? Mistério complexo a reflectir e decifrar… Não direi que a lei escrita, o texto, os artigos não sejam os mesmos, mas direi que a lei no sentido mais amplo, da interpretação, da argumentação, da apreciação da valoração e do juízo, isto é, a &lt;em&gt;lei instituição&lt;/em&gt;, é manifestamente diferente, podendo de facto ser especial de um caso para outro. Assim a lei não é por si, a lei &lt;em&gt;faz-se depender&lt;/em&gt;, de quem? Do advogado bom! Assim também, e logo, tempo e dinheiro moldam a lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governo porém reclama da minha crítica, pensou antes em ignorar-me com desprezo, «não sabe do que fala», depois achou por bem sair a terreiro e proclamar que há muito legislou sobre a igualdade do acesso à justiça, ou sobre o quase gratuito acesso ao direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De facto escreveu, gastou pessoas, tempo e recursos e pôs cá fora com despudor, impudência, desfaçatez, descaro, desvergonha, tudo sinónimos em redundância intencional o que chama de acesso ao direito. Ora vejamos…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma mãe sozinha com três filhos a seu cargo, marido e pai desaparecido, empregada numa fabriqueta e ganhando o ordenado mínimo nacional, por isso e por não conseguir fazer face às despesas da família beneficiando de apoio do banco alimentar contra a fome, é ludibriada numa compra a prestações, mobiliário que adquiriu para os filhos, e vê-se com um processo às costas instaurado pelo fornecedor do mesmo. Pergunta-me o que há-de fazer e digo-lhe para ir à Segurança Social requerer apoio judiciário. Lá vai ela, ingenuamente e mal aconselhada, culpa minha, igualmente ingénuo, que a fiz perder tempo, e obtém defraudada na sua esperança, qual cidadã escrava do despotismo do estado, enquanto eu fico de boca aberta, a seguinte sentença: «a senhora não tem direito a apoio judiciário porque o seu rendimento líquido é superior ao que a lei estabelece», note, quem não saiba destas coisas mesquinhas dos pobres, que a dita lei estipula um rendimento líquido máximo de 375€ mês para poder ter acesso ao direito. Ora, 375€ por mês com três filhos dá para quê? Segundo o pensamento do legislador para um adulto e três crianças viverem, sobejando ainda capital para contratar um advogado, não daqueles bons… e suportar todas as custas judiciais. O que é que se chama ao homem, aos homens, à instituição, às instituições que estiveram e estão por detrás desta lei? Não vou fazer comentários, nem dar respostas. O caso é de tal forma escandaloso que não precisa de patrono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, é este o conceito que o governo tem da igualdade no acesso à justiça. O governo prevê o acesso ao direito não para os pobres mas para os &lt;em&gt;miseráveis&lt;/em&gt; e para estes de que é que lhes serve o direito? O que é que aquela mãe, uma entre muitas, vai fazer a seguir? Onde pára o estado de direito para ela? Onde se escondeu a balança equilibrada da justiça?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os intelectuais preocupam-se muito com a liberdade e fazem bem, mas pode haver liberdade sem pão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros casos houve, outras mães, também pais, pediram-me ajuda e outro remédio não tive que mendigar o patrocínio &lt;em&gt;probono&lt;/em&gt; de advogados conhecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma clara contradição na nossa democracia. Uma democracia política não pode existir sem uma democracia económica, não se pode pretender por uma lado aproximar as pessoas politicamente afastando-as economicamente. É um contra-senso de rupturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostaria de terminar invertendo o título com que comecei, &lt;em&gt;da justiça ao serviço do poder económico&lt;/em&gt; para, &lt;em&gt;do poder económico ao serviço da justiça&lt;/em&gt;. Poderia haver melhor consagração do capital que promover a justiça dos povos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Medida 3&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Que medida poderei propor que todo o bom senso não tenha já reclamado? Para que efectivamente, não teoricamente, haja igualdade no acesso á justiça, sem descriminação económica, pois a limitação do direito por razão económica é a contradição do próprio direito, que se quer daquela independente, é preciso que ambas as partes gozem à partida de igualdade de oportunidade, de defesa ou acusação, independentemente dos seus recursos e no caso da falta destes, por qualquer das partes, deverá o estado patrociná-los de modo a que a mesma não perca o direito de justiça e a sociedade se honre e dignifique a si própria, porque uma sociedade que aceita a desigualdade na justiça é uma sociedade que perdeu a alma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-7763038289825417934?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/7763038289825417934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/7763038289825417934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/02/justia-ao-servio-do-poder-econmico.html' title='08.A justiça ao serviço do poder económico'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-4291338674220633812</id><published>2008-02-23T00:00:00.000Z</published><updated>2008-12-10T09:48:44.475Z</updated><title type='text'>07."Pátria"</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/R8mLLLGy6tI/AAAAAAAAAFM/krLUz8hbssc/s1600-h/Guerra+Junqueiro+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172818671087839954" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/R8mLLLGy6tI/AAAAAAAAAFM/krLUz8hbssc/s200/Guerra+Junqueiro+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Guerra Junqueiro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"Um povo imbecilizado e resignado,&lt;br /&gt;humilde e macambúzio,&lt;br /&gt;fatalista e sonâmbulo,&lt;br /&gt;burro de carga,&lt;br /&gt;besta de nora,&lt;br /&gt;aguentando pauladas,&lt;br /&gt;sacos de vergonhas,&lt;br /&gt;feixes de misérias,&lt;br /&gt;sem uma rebelião,&lt;br /&gt;um mostrar de dentes,&lt;br /&gt;a energia dum coice,&lt;br /&gt;pois que nem já com as orelhas&lt;br /&gt;é capaz de sacudir as moscas;&lt;br /&gt;um povo em catalepsia ambulante,&lt;br /&gt;não se lembrando nem donde vem,&lt;br /&gt;nem onde está,&lt;br /&gt;nem para onde vai;&lt;br /&gt;um povo, enfim,&lt;br /&gt;que eu adoro,&lt;br /&gt;porque sofre e é bom,&lt;br /&gt;e guarda ainda na noite da sua inconsciência&lt;br /&gt;como que um lampejo misterioso da alma nacional,&lt;br /&gt;reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta (...) &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Uma burguesia,&lt;br /&gt;cívica e politicamente corrupta ate à medula,&lt;br /&gt;não descriminando já o bem do mal,&lt;br /&gt;sem palavras,&lt;br /&gt;sem vergonha,&lt;br /&gt;sem carácter,&lt;br /&gt;havendo homens&lt;br /&gt;que, honrados (?) na vida íntima,&lt;br /&gt;descambam na vida pública&lt;br /&gt;em pantomineiros e sevandijas,&lt;br /&gt;capazes de toda a veniaga e toda a infâmia,&lt;br /&gt;da mentira à falsificação,&lt;br /&gt;da violência ao roubo,&lt;br /&gt;donde provém que na política portuguesa sucedam,&lt;br /&gt;entre a indiferença geral,&lt;br /&gt;escândalos monstruosos,&lt;br /&gt;absolutamente inverosímeis no Limoeiro (...) &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Um poder legislativo,&lt;br /&gt;esfregão de cozinha do executivo;&lt;br /&gt;este criado de quarto do moderador;&lt;br /&gt;e este, finalmente, tornado absoluto&lt;br /&gt;pela abdicação unânime do país,&lt;br /&gt;e exercido ao acaso da herança,&lt;br /&gt;pelo primeiro que sai dum ventre&lt;br /&gt;- como da roda duma lotaria.&lt;br /&gt;A justiça ao arbítrio da Política,&lt;br /&gt;torcendo-lhe a vara&lt;br /&gt;ao ponto de fazer dela saca-rolhas; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Dois partidos (...),&lt;br /&gt;sem ideias,&lt;br /&gt;sem planos,&lt;br /&gt;sem convicções,&lt;br /&gt;incapazes (...)&lt;br /&gt;vivendo ambos do mesmo utilitarismo&lt;br /&gt;céptico e pervertido, análogos nas palavras,&lt;br /&gt;idênticos nos actos,&lt;br /&gt;iguais um ao outro&lt;br /&gt;como duas metades do mesmo zero,&lt;br /&gt;e não se amalgamando e fundindo, apesar disso,&lt;br /&gt;pela razão que alguém deu no parlamento, &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar (...)" &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-4291338674220633812?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/4291338674220633812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/4291338674220633812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/02/guerra-junqueiro-in-ptria.html' title='07.&quot;Pátria&quot;'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/R8mLLLGy6tI/AAAAAAAAAFM/krLUz8hbssc/s72-c/Guerra+Junqueiro+2.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-5728047441918407108</id><published>2008-02-16T00:00:00.003Z</published><updated>2008-03-09T16:24:18.535Z</updated><title type='text'>06.A mentira do "estado de direito" em Portugal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Recordando… o regime democrático e o estado de direito assentam sobre a &lt;em&gt;sagrada&lt;/em&gt; separação de poderes: o legislativo – que compete à assembleia de deputados – o executivo – que compete ao governo – o judicial – que compete aos tribunais. Ora, não é isso que acontece em Portugal, não existe separação mas promiscuidade e, ou, usurpação de poderes, logo, a expressão “estado de direito” é oca de fundamento, logo, o regime é vazio de democracia, portanto, é imperioso repor a legalidade constitucional, recuperando a justa democracia, restabelecendo o estado de direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma ditadura irritante, escorregadia, a nossa, que se veste hipocritamente da ilusão das formas exteriores de representatividade e participação para gozar de prepotência e opressão interior. Perigosa mas esperta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas provemos o esteio do nosso repúdio e a base factual do nosso argumento, desmascarando a falácia do estado de direito quando o poder executivo se apropria com descaro mas impunemente do poder judicial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fisco, expressão pejorativa popular já de si eloquente em significados, pode a bel-prazer da sua incompetência e, ou, negligência, faço por ora silêncio na acusação de má fé, penhorar – acto judicial – quem lhe saia a jeito, para azar do próprio, no mostrador informático x da secretária y da repartição z, todas de morada incerta, de novo o mesmo xerife de Nottinghan, reencarnado, com novas e sofisticadas ferramentas, agora de destruição massiva, e inclusive perpetrar duma assentada dois crimes, aqui já não me coíbo da acusação dura e crua, primeiro, o que já se viu, o de sentenciar e executar em causa própria, o segundo, o de penhorar para além do legalmente permitido, pois casos houve neste saque sobre 120 000 em que agarrou os cem por cento do salário, atirando para as sopas da misericórdia novos comensais, isto é, apresando num cofre, a propósito roto, o que vai corroer noutro, o do desemprego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apeteceu-me intervalar a meio desta fastidiosa exposição, sem respiração por intenção, quando narrava o saque sobre os 120 000, pois apareceu no meu imaginário, teimosamente sem arredar, a figura do xerife em carga desabrida com seus esbirros perfilados sobre a população indefesa, antes campesina agora urbana, e os sequazes a desculparem-se «eu cumpro ordens, eu cumpro ordens…»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuando… o fisco tem a hipocrisia de permitir, leia-se a prepotência do abstracto do aparelho sobre o real, princípio e fim da sociedade, a pessoa, de permitir, dizíamos, ao coitado do azarento apanhado, mas que já são muitos para só ser azar, uma reclamação graciosa, expressão interessante, ou uma impugnação judicial, da qual passamos ao lado, pois se já não tem sustento como é que nutre o advogado, mas curiosamente, ou por outra e melhor sadicamente e apesar da reclamação ou impugnação não interrompe a execução continuando a sua devassa predadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As minhas desculpas pela reincidência compulsiva do estilo, mas isto enfastia muito ao ponto do repúdio, digo revolta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal por detrás disto tudo está uma coisa simples, o axioma de que o estado é pessoa de bem e o cidadão pessoa de mal. Somos uma cambada de bandidos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se um dia, sub-nutrido, física ou psicologicamente, ou as duas, encostado ou amparado, este coitado ou azarento cidadão vier a recuperar o que era seu, não se admire que algum do dinheiro tenha ficado pelo sistema, no mostrador x, na secretária y ou na repartição z, não se sabe bem aonde, mas não conte com os juros do empréstimo forçado que fez, também não se sabe a quem, porque o estado está roto, e para ter a ilusão de que os vai reaver terá que os reclamar e tornar a esperar, só que o mais natural e compreensível é que entretanto tenha emigrado, se tiver idade e estofo para isso, ou que tenha aprendido à sua custa, porque até agora só tinha acontecido com os outros, para da próxima vez ludibriar o fisco ou xerife no bosque e em legítima defesa, ou, mais radical, mas não menos patriótico, tenha passado para o reviralho, quer dizer, tenha entrado na clandestinidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penhorar 120 000 ordenados é não só um acto criminoso, como de grande estupidez política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Medida 1&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;a) Acabar de imediato com todos os actos judiciais do fisco, que já chega de pouca vergonha;&lt;br /&gt;b) criar em simultâneo um tribunal fiscal que considere, não em forma mas em convicção, ambas as partes, estado e cidadão, pessoas iguais e de boa fé;&lt;br /&gt;c) descentralizar a justiça instalando estes tribunais fiscais, agora chamados de comunitários, nas freguesias, dotando-os de júris mistos formados por um juiz de carreira e dois anciãos sábios da comunidade, entretanto relegados ao ostracismo pelo sistema, sendo todos em sistema rotativo;&lt;br /&gt;d) transferir parte dos funcionários das finanças para os tribunais comunitários de freguesia para não criar desemprego com a condição de, mudança de patrão, mudança de cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Medida 2&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;a) obrigar os bancos, como castigo pela especulação desenfreada dos dinheiros que a sua ganância tem acicatado, a uma linha de crédito sem juros a favor dos cidadãos com dívidas provadas, para que estes paguem ao estado o que devem;&lt;br /&gt;b) castigando agora estes mesmos cidadãos impedindo-os de continuarem uma vida desregrada de empréstimos e cartões para todas essas coisas de adornos que são muitas. (pelo meio proibiam-se todas essas firmas de agiotagem, mandando rapidamente os seus patrões e colaboradores para empregos honrados, que andam a oferecer dinheiro em vinte e quatro horas a vinte e tal por cento… mas sobre o sector financeiro hei-de falar oportunamente)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-5728047441918407108?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/5728047441918407108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/5728047441918407108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/02/mentira-do-estado-de-direito-em.html' title='06.A mentira do &quot;estado de direito&quot; em Portugal'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-8422949244221648375</id><published>2008-02-09T01:00:00.000Z</published><updated>2008-03-09T16:23:10.438Z</updated><title type='text'>05.O governo é servo do povo!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Faço uma pausa para aclarar um conceito: &lt;strong&gt;o governo é servo do povo!&lt;/strong&gt; É preciso perceber donde parto, qual é a minha posição, para compreender porque falo, do que falo e como falo. Assim as Crónicas de Repúdio ganham sentido. Dizia… num regime democrático, repito e reforço, &lt;strong&gt;o governo é servo do povo!&lt;/strong&gt; A única utilidade do governo é servir o povo, a única utilidade das instituições públicas é servirem os cidadãos. Não há outra! E quem não estiver de acordo com este meu conceito e posição, que acabo de aclarar e precisar, dificilmente poderá partilhar dos meus repúdios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posto isto e retornando ao meu desencanto… podem os políticos fazer todos os malabarismos que quiserem, dar todas as piruetas de retórica e cambalhotas de semântica que lhes apetecer, rebuscar os sinónimos de que se lembrarem, que o conceito e a verdade, simples e clara não muda, é sempre a mesma: &lt;strong&gt;o governo é servo do povo!&lt;/strong&gt; (É de elementar pedagogia repetir esta frase sem medo de exaustão, por tão esquecida). O governo é um meio, nunca um fim. Ora em Portugal, que dos outros ocidentais não falo, perdeu-se esta noção básica e princípio rudimentar, mas decisivo, da democracia, mais, inverteu-se de forma sinistra a justa posição das partes. Em Portugal o povo é servo do governo, o governo é senhor do povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para remediar, se ainda a tempo, aconselho com gravidade todos os governantes a colocarem em cima das suas secretárias de trabalho uma moldura, para os mais atentos, uma estátua, para os mais distraídos, enfim qualquer artefacto, que seja bem representativo do povo que servem, de forma a sempre se lembrarem de quem é o seu Rei e das razões porque se sentam nessa secretária. Depois, que se ponham de joelhos para servir o povo, se essa posição melhor os favorecer no exercício do serviço que juraram honrar, lembrando-se sem cessar de que o vosso ofício é de verdadeiro sacerdócio, e para tal, mais aconselho com igual peso, a escreverem em letras douradas e forçosamente à frente dos vossos olhos de modo a que só os fechando o poderão ignorar: &lt;em&gt;sou servo do povo e estou aqui unicamente para o servir com toda a minha honestidade e competência, nunca sobrepondo os meus interesses pessoais aos do senhor que sirvo, sabendo que nada é meu, mas tudo dele.&lt;/em&gt; Depois, ainda, para que nunca vos esqueceis da vossa missão, procedam escrupulosa e disciplinadamente ao seguinte ritual diário: ao entrar e ao sair do gabinete, que o povo vos cedeu temporariamente, parem um momento para ler a frase das letras douradas, sem pressas, serena e convictamente, com se fosse um mantra, para que ela vos entre bem dentro, se enraíze na vossa mente e sobretudo molde o vosso coração. Tornem a lembrar-se, lembrando-se continuamente, de que é o povo que vos alimenta, não só o corpo mas também a alma, e por isso sejam frugais quanto ao primeiro e generosos quanto à segunda, quando vos tentarem com mordomias resistam á tentação e se necessário for protejam-se no hábito do frade, que o hábito faz o monge, porque é isso que no espírito deveriam abraçar, os votos de obediência – ao povo – de castidade – para com o povo – de pobreza – porque nada é vosso, mas tudo é do povo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o estado de espírito dos governantes fosse este o regime tornar-se-ia bom, o governo tornar-se-ia bom e podem ter a certeza de que o povo se tornaria o melhor do mundo. Afinal o grande problema está no espírito com que o funcionário adere à causa e serve a governação, que não pode haver outro senão o do sacrifício serviço ou serviço sacrifício. Com este espírito quase todos os problemas da má governação ficariam resolvidos, porque a honestidade decorre naturalmente da influência que sobre ela aquele bom espírito exerce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada governante e cada funcionário público, isto é, cada empregado da coisa pública, que se faça humilde e solícito para cada cidadão, afinal ele vem da parte do seu Rei, o povo, que cada um sirva, mas sirva bem, não é preciso nem convém que faça mais nada, senão não presta para governar, mantendo sempre e religiosamente na cabeça um único pensamento: servir sempre, mais e melhor. Livrem-se porém de continuar a fazer o que têm vindo a fazer, de se julgarem senhores e fazerem de nós servos, de fazer aquilo que nós não queremos não fazendo aquilo que nós queremos, dando cabo do governo e do regime e sobretudo atraiçoando a confiança que em vós depositámos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o remediar ainda for a tempo, que o tempo se esgota, reponham a legalidade democrática da vossa governação, ou dão definitivamente cabo para além do governo do regime e do país, senão tenham a dignidade de se demitirem e entregar o governo ao povo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-8422949244221648375?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/8422949244221648375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/8422949244221648375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/02/o-governo-servo-do-povo.html' title='05.O governo é servo do povo!'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-6577793438422722325</id><published>2008-02-09T00:00:00.000Z</published><updated>2008-03-09T16:22:28.077Z</updated><title type='text'>04.General Garcia Leandro - "Se sinto a revolta..."</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"O modo como se tem desenvolvido a vida das grandes empresas, nomeadamente da banca e dos seguros, envolvendo BCP e Banco de Portugal, incluindo as remunerações dos seus administradores e respectivas mordomias, transformou-se num escândalo nacional, criando a repulsa generalizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É consensual que o país precisa de grandes reformas e tal esforço deve ser reconhecido a este Governo (mesmo com os erros e exageros que têm acontecido).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém tinha de o fazer e este Governo arregaçou as mangas para algo que já deveria ter ocorrido há muito tempo. Mas não tocou nestes grandes beneficiários que envergonham a democracia, com a agravante de se pedirem sacrifícios à generalidade da população que já vive com muitas dificuldades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O excesso de benefícios daqueles administradores já levou a que o próprio Presidente da República tivesse sentido a obrigação de intervir publicamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tudo continua na mesma; a promiscuidade entre o poder político e o económico é um facto e feito com total despudor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma recente sondagem Gallup a nível mundial, e também em Portugal, mostra a falta de confiança que existe nos responsáveis políticos deste regime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho 47 anos de serviço ao Estado, nas mais diferentes funções de grande responsabilidade, sei como se pode governar com sentido de serviço público, sem qualquer vantagem pessoal, e sei qual é a minha pensão de aposentação publicada em D.R.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se sinto a revolta crescente daqueles que comigo contactam, eu próprio começo a sentir que a minha capacidade de resistência psicológica a tanta desvergonha, mantendo sempre uma posição institucional e de confiança no sistema que a III República instaurou, vai enfraquecendo todos os dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já fui convidado para encabeçar um movimento de indignação contra este estado de coisas e tenho resistido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a explosão social está a chegar. Vão ocorrer movimentos de cidadãos que já não podem aguentar mais o que se passa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É óbvio que não será pela acção militar que tal acontecerá, não só porque não resolveria o problema mas também porque o enquadramento da UE não o aceitaria; não haverá mais cardeais e generais para resolver este tipo de questões। Isso é um passado enterrado. Tem de ser o próprio sistema político e social a tomar as medidas correctivas para diminuir os crescentes focos de indignação e revolta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;Os sintomas são iguais aos que aconteceram no final da Monarquia e da I República, sendo bom que os responsáveis não olhem para o lado, já que, quando as grandes explosões sociais acontecem, ninguém sabe como acabam. E as más experiências de Portugal devem ser uma vacina para evitar erros semelhantes na actualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É espantosa a reacção ofendida dos responsáveis políticos quando alguém denuncia a corrupção, sendo evidente que a falta de vergonha deve ser provada; e se olhassem para dentro dos partidos e começassem a fazer a separação entre o trigo e o joio? Seria um bom princípio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corrija-se o que está errado, as mordomias e as injustiças, e a tranquilidade voltará, porque o povo compreende os sacrifícios se forem distribuídos por todos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-6577793438422722325?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/6577793438422722325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/6577793438422722325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/02/generalgarcialeandro.html' title='04.General Garcia Leandro - &quot;Se sinto a revolta...&quot;'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-8412401945121733288</id><published>2008-02-02T01:00:00.000Z</published><updated>2008-03-09T16:21:28.073Z</updated><title type='text'>03.Dois ministros em fuga ou enxotados...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Esta semana houve uma coisa menos má; o &lt;em&gt;ministro&lt;/em&gt; da &lt;em&gt;saúde&lt;/em&gt; (estão ambos em itálico porque ambos são mentira) ou desertou cobardemente depois de toda a porcaria que fez, ou foi demitido, irradiado, expulso, posto fora, escorraçado, vá-se lá em política saber qual das duas versões é verdade, se deu de sola, se foi enxotado…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este rapaz, de que me contenho de dizer o nome por parcimónia e resguardo de intimidade, foi de largos descaramentos. Lembram-se, por exemplo, de ele ter notificado o Bastonário da Ordem dos Médicos – Pedro Nunes – no sentido de se alterar o Código Deontológico (imaginem só a prepotência e despudor do poder político em querer violentar a consciência da classe médica) para que o aborto passasse a ser um acto ético, ao que e naturalmente o Bastonário lhe respondeu que tinha feito o Juramento de Hipócrates.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez lhe fosse, para aquele desministro, pedagogicamente útil, mas já descreio, receber uma cópia do dito juramento. E fez mais tropelias. É o mesmo que tentou o aniquilamento das capelas nos hospitais e respectivos capelães, é o da reforma da saúde, nome pomposo que significa fazer da saúde um negócio e do doente uma coisa… e o que mais falta e que é excessivo, muito me enfastia de enumerar, mas o mundo não ignora e é minha testemunha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vai um e vão dois. Vai também a da incultura, que por iguais pruridos não trato pelo nome, mas o problema é saber quem é que agora limpa e reconstrói o sujo e destruído, porque o desgoverno trôpego e quebrado de que são filhos arrasta-se no seu esbarrigar desavorgonhado.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-8412401945121733288?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/8412401945121733288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/8412401945121733288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/02/dois-ministros-em-fuga-ou-enxutados.html' title='03.Dois ministros em fuga ou enxotados...'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-7221767561560902326</id><published>2008-02-02T00:00:00.003Z</published><updated>2008-09-11T00:56:47.463+01:00</updated><title type='text'>02.O energúmeno xerife de Nottingham e seus esbirros...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Voltando a esta frase da crónica anterior, explico-me: na demora de D. Sebastião, sempre relembrado em épocas de crise e que constitui magnífico arquétipo desse virtuoso por aparecer, que muito mais não pode tardar, vindo de espada erguida encabeçar o movimento de regeneração nacional, sonho com Robin dos Bosques, que recuperava dos ricos o que era dos pobres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Inglaterra era então governada por um falso rei, o príncipe João (primeiro paralelo com a nossa história e a nossa crise, porque falso é aquele que em democracia não interpreta nem defende os interesses do povo) representado no Condado de Nottingham por um xerife execrável (segundo paralelo, porque execráveis são todas as instituições e funcionários públicos – louvadas as excepções – que em vez de servir os cidadãos se servem dos cidadãos, em vez de praticar o bem público, engrossam o mal público).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos, João e o xerife, ficaram com o estigma histórico de espoliarem com os seus impostos a população do condado (terceiro paralelo, porque à ilusão de um Estado de Direito sucedeu o pesadelo de um estado fiscal).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Robin aparece então como o salvador do povo, defendendo-o da prepotência, petulância e injustiças, era mais fácil dizer, roubo, do xerife de Nottingham, lutando também por devolver o trono ao rei Ricardo (quarto paralelo, neste caso ainda por realizar e que muito mais não pode tardar, pois anuncia-se a vinda messiânica de um salvador que acabe com as falcatruas e as incompetências e devolva o poder ao seu legítimo rei, o povo!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-7221767561560902326?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/7221767561560902326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/7221767561560902326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/02/o-energmeno-xerife-de-notthingan-e-seus.html' title='02.O energúmeno xerife de Nottingham e seus esbirros...'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5949873052515628975.post-4947933673500355097</id><published>2008-01-26T00:00:00.001Z</published><updated>2008-04-12T22:53:08.501+01:00</updated><title type='text'>01.Homicídio Involuntário ?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Hoje, Sábado, 26 de Janeiro de 2008, um homem é despejado nu do hospital de Vila Real. Nu, não em figura de estilo, mas literalmente. Segundo dizem trazia apenso uma fralda. O taxista chamado para o transportar insurge-se e um qualquer funcionário, o do despejo, vai a contragosto e provavelmente a olhar para o relógio buscar um lençol, trapo ou sucedâneo. O homem é recambiado para casa e mais tarde, mas nesse mesmo dia, retorna ao hospital e morre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O episódio não se passa algures na idade média mas neste século de civilização, de ciência e tecnologia, de desenvolvimento e não é ficção mas realidade, hoje, Sábado, dia 26 de Janeiro de 2008, em Vila Real, cidade da União Europeia, porque já não estamos “orgulhosamente sós”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na notícia que é dada no telejornal da estação pública portuguesa, designação cujo sentido já me escapa, diz-se a seguir que o hospital vai abrir um inquérito, palavra formal e séria que resolve tudo, justifica políticos, sossega funcionários e conforma a turba. A bem da moral, da responsabilidade, do rigor, e de todos os demais subidos conceitos vai-se abrir um inquérito, excelente processo, digo, palavra, deste excelente regime que vai vivendo de intermináveis inquéritos. Os incautos dar-se-ão por satisfeitos, afinal sempre se poderá encontrar uma justificação racional para um homicídio involuntário, enquanto os menos ingénuos saberão que do inquérito nunca mais ouvirão falar, que nunca produzirá resultados, sendo arquivado por inconclusivo, depois de, seguramente, ter passado muito tempo, lapso necessário para o esquecimento, dada a complexidade de investigar o porquê de um qualquer funcionário ter despejado um qualquer &lt;em&gt;pobre coitado&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já sabíamos do primado do capital sobre o trabalho, agora começamos a sofrer o primado do capital sobre a saúde, o que afinal tem toda a lógica de acordo com a visão economicista que este governo tem do homem, ora bem de consumo, ora bem de produção, mas sempre reduzido a uma equação de custo/proveito, em que para sua fatalidade, da do homem e não do governo, e no que trata à saúde o proveito perde para o custo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “rei vai nu”, já o tenho gritado muitas vezes, mas a turba atrasa-se em abrir os olhos e como cordeiros cegos arrastados para o matadouro prosseguem a sua peregrinação às urnas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5949873052515628975-4947933673500355097?l=lca-oreivainu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/4947933673500355097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5949873052515628975/posts/default/4947933673500355097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://lca-oreivainu.blogspot.com/2008/01/ontem-sbado-26-de-janeiro-de-2008-um.html' title='01.Homicídio Involuntário ?'/><author><name>lca</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_jYLzA3qtZB8/TKj6xHtMWJI/AAAAAAAAAXg/EI80kfN7bBA/S220/PICT0024.JPG'/></author></entry></feed>
